O caso do ‘líder religioso’ preso por estupro em Gaspar expõe uma ferida que vai muito além de um caso policial: trata-se de uma violência agravada pela confiança traída, pela manipulação da fé e pela vulnerabilidade emocional das vítimas. Em Gaspar, oito mulheres acreditaram estar recebendo ajuda espiritual. No Paraná, três. E esse número pode ser ainda maior.
Quando a religião é utilizada como instrumento de dominação, o dano se multiplica. Não é apenas o corpo que é violentado. São a dignidade, a crença e a confiança naquilo em que se acredita.
É fundamental que as denúncias sejam apuradas com rigor e que o processo legal seja respeitado. Mas é igualmente essencial que a sociedade não se silencie diante de relatos tão graves. O medo, a culpa e a vergonha ainda são barreiras que impedem muitas vítimas de falar. Romper esse ciclo exige informação e acolhimento, não julgamento, como infelizmente acontece, principalmente nas redes sociais.
O caso que agora vem à tona deve servir como alerta. Que a dor das vítimas não seja reduzida a manchetes passageiras, mas que provoque reflexão, fortalecimento das redes de proteção e coragem para denunciar. O silêncio nunca protegeu inocentes. A justiça e a verdade, sim.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).