Jovino Masson: um professor que marcou gerações em Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Jovino Masson: um professor que marcou gerações em Gaspar

18/03/2026

[Especial 92 anos Gaspar]

A trajetória de um professor muitas vezes ultrapassa os limites da sala de aula e se estende por décadas na memória de seus alunos. Em Gaspar, o nome de Jovino Masson é lembrado com carinho por milhares de estudantes que passaram por suas aulas ao longo de 35 anos de docência. Mais do que conteúdos escolares, ele ajudou a formar valores, incentivar reflexões e orientar escolhas de vida.

Nessas mais de três décadas de docência, ele atuou em diversas escolas do município, acompanhando transformações na educação e na sociedade, mas mantendo o compromisso com uma formação baseada no respeito, na ética e na cidadania. Ao longo desse período, ensinou muito além das disciplinas: deixou marcas que permanecem vivas na memória de quem passou por suas aulas.

Ainda adolescente, aos 15 anos, Jovino ingressou no seminário com a intenção de se tornar padre, onde permaneceu por cerca de dez anos. Ao perceber que sua vocação não era sacerdotal, passou por outros trabalhos até encontrar na educação o que realmente queria para a vida.

Trabalhando como bancário durante o dia, começou a lecionar à noite e não demorou para perceber que estava diante de sua verdadeira profissão. “Adorei lecionar. Então, pedi a conta do banco para trabalhar somente na Educação”.

Ao longo da sua carreira, ensinou disciplinas como Ensino Religioso, Filosofia, Sociologia e Educação Moral e Cívica. Atuou em diferentes educandários de Gaspar, o que lhe permitiu conhecer realidades diversas e estabelecer múltiplos vínculos. Entre as escolas em que lecionou estão Frei Godofredo, Zenaide Schmitt Costa, Norma Mônica Sabel, Dolores Krauss (onde também foi diretor), Vitório Anacleto Cardoso, Honório Miranda e Marina Vieira Leal.

Uma de suas maiores satisfações foi, ainda no início da carreira, perceber o interesse dos alunos pelas suas aulas. “Eles pediam para aumentar a carga horária da disciplina. Isso me marcou muito. Era sinal de que eles gostaram das minhas aulas”, lembra.

O reconhecimento dos estudantes é uma das marcas mais fortes de sua trajetória. Ao encontrar ex-alunos em eventos ou nas ruas, Jovino costuma ouvir relatos de gratidão e lembranças das aulas. Ele chegou a lecionar para três gerações de algumas famílias, dimensão que revela o impacto duradouro de seu trabalho. Entre os momentos inesquecíveis estão homenagens de aniversário, apresentações preparadas pelos alunos e gestos simbólicos, como o de um estudante que esculpiu seu nome em madeira para presenteá-lo.

No Ensino Religioso, sua proposta sempre foi trabalhar a formação integral dos alunos, valorizando princípios como ética, solidariedade, justiça e respeito às diferenças. Para ele, a escola tem papel fundamental na construção da cidadania e na preparação para a vida em sociedade. “A certeza de ter feito a diferença na vida dos meus alunos é a maior recompensa. Me sinto feliz por ter conseguido ajudar a semear as sementes do conhecimento para que cada um pudesse colher os seus frutos através da vontade de vencer na vida”.

"Me sinto feliz por ter conseguido ajudar a semear as sementes do conhecimento para que cada um pudesse colher os seus frutos através da vontade de vencer na vida”

Mesmo após encerrar oficialmente sua carreira como professor no fim de 2021, com a chegada da aposentadoria, o vínculo com a sala de aula permaneceu forte em seu coração. Jovino conta que, no início, chegou a sonhar que ainda estava lecionando. “Sonhava que estava dentro da sala, fazendo notas. Aí acordava e lembrava que estava aposentado”.
A saudade foi tanta que ele chegou a pedir autorização para dar aulas voluntárias em algumas escolas, apenas para manter o contato com os alunos e com o ambiente escolar.

Atuação sindical sem abandonar a sala de aula

Além da docência, Jovino teve participação ativa no Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar (Sintraspug), onde atuou por cerca de 14 anos, incluindo mandatos como vice-presidente e presidente. Mesmo com a responsabilidade da função, nunca deixou de lecionar. “Só saí da sala de aula quando me aposentei”.

A missão contiua: contribuir para a formação de pessoas

A aposentadoria trouxe uma rotina diferente, mas igualmente ativa. Jovino pratica pilates e academia, dedica-se à família e trabalha com a venda de planos de desconto na área da saúde. Paralelamente, atua como palestrante em diferentes municípios, onde aborda temas voltados à espiritualidade. “Sinto saudade dos alunos e desejo muito sucesso a todos. A mensagem que deixo é: acreditem no potencial de vocês para construir uma sociedade justa e honesta”.

Mesmo fora da sala de aula, Jovino segue cumprindo aquilo que considera sua missão: contribuir para a formação de pessoas.

 

 

Edição 2226

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