Casa cheia. Ou melhor: igreja cheia! Assim foi marcada a posse do novo pároco do distrito Belchior, padre Rogério Rodrigues, que desde o dia 20 de setembro está comandando a paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Belchior Alto, e também das capelas Santa Catarina, Belchior Baixo; São José, Arraial, Santa Ana, Luiz Alves e Bom Jesus, em Blumenau.
Natural de Monte Alto, interior de São Paulo, padre Rogério tem 44 anos e, ainda criança, sentiu que tinha vocação para ser padre. “Na infância, em época de seca, a comunidade rezava o terço todos os dias em um riozinho. Nós molhávamos os pés das imagens dos santos pedindo chuva. Eu articulava tudo. Chamava as pessoas de casa em casa e ia na frente rezando com as senhoras”, lembra.
Filho mais novo dos cinco irmãos, Rogério foi catequista aos 14 anos e também coordenador do Grupo de Jovens da igreja. De família religiosa, seu despertar para o sacerdócio aconteceu cedo. “Eu olhava o padre na missa e queria fazer o que ele fazia, mas tinha vergonha e medo de dizer. Guardei esse desejo pra mim. Aos 14 anos, procurei um padre e contei a minha vontade, mas foi só com 17 anos, quando o bispo perguntou, que levantei a mão e finalmente disse o que eu queria”.
Ele havia acabado de ser promovido no trabalho, tinha um salário mais alto e condições de oferecer uma qualidade de vida melhor para os pais. “Aquele momento era muito difícil e complicado, porque a minha família dependia de mim, já que eu era o único filho que ainda morava com os pais. Mas eles deram todo o apoio quando contei sobre a minha decisão. Disseram que se essa era a minha vontade, era pra eu ir em frente. Eu ingressei no seminário no dia 14 de janeiro 1994”.
Foram sete anos de preparação. A rotina era pesada. Tinha hora para levantar, estudar, comer, rezar e trabalhar. “Lembro que quando apagavam as luzes para dormir, não podia mais acender. Eu ia com uma lanterninha se precisasse ir ao banheiro. Pensei muitas vezes em desistir. Sentia saudades de casa, da família e dos amigos. No começo foi muito difícil, mas fui me adaptando. Costumo dizer que quando é de Deus, ele vai cuidando e a coisa vai acontecendo”.
Padre Rogério conta que sempre quis conhecer o Sul do país e, em 2003, depois de muitas conversas, recebeu o comunicado de que seria transferido para ao bairro Itoupavazinha, em Blumenau. “No início eu me senti sozinho e tive vontade de ir embora, não queria esperar nem terminar aquele um ano que havia pedido ao bispo. Mas o tempo foi passando, eu fui me adaptando, criando uma identidade com a região, conhecendo as cidades ao redor... até que pedi a transferência por completo. Eu me identifiquei muito com Santa Catarina”.
Na Itoupavazinha, ele ficou por quatro anos e depois foi para o Salto do Norte, também em Blumenau, onde permaneceu por 12 anos.
Quando ficou sabendo que seria transferido novamente, não tinha ideia para onde ia. “Eu fiquei preocupado, pois é uma mudança de vida. Neste processo de transferência havia o Belchior na lista. Teve um dia que eu vim dar uma volta para conhecer o bairro e a igreja. Eu abri a janela do carro e pensei ‘vou respirar esses ares para ver se o bispo me manda pra cá’. Num outro momento, comprei uma galinha assada no bairro e pensei ‘vou comer essa galinha do Belchior pra me dar sorte’. Alguns dias depois o bispo falou para onde eu ia: Belchior. Me sinto muito feliz, pois rezei para estar aqui”.
Ainda neste ano, padre Rogério pretende trazer o grupo dos coroinhas para a igreja. Outra prioridade é dar atenção aos doentes, acamados e aos idosos.
Além disso, ele pretende elaborar um plano de trabalho para o próximo ano de acordo com a necessidade da paróquia. “Sou muito de ouvir. Deste forma se conhece melhor a comunidade. Nós só conseguimos fazer um bom trabalho quando dialogamos. O Padre é um líder religioso. Ele tem a responsabilidade de governar uma paróquia em todos os âmbitos, seja no administrativo ou pastoral. Ser líder é se envolver, puxar a frente e não dar ordem, mas sim fazer acontecer junto”.
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