
Espera, descaso e falta de respeito. É assim que Vanessa Hausmann Foppa e Jonathan Foppa afirmam que estão sendo tratados pela secretaria de Saúde de Gaspar. Há cerca de nove meses, eles esperam o pai de Vanessa, Edelor Hausmann, ser chamado para o exame ‘Arteriografia’. O procedimento não é feito no município e a família aguarda a liberação de uma vaga em outro município para dar continuidade a um tratamento de saúde.
Na quinta-feira, dia 28 de março, após ir até a Policlínica tentar resolver a situação, o casal procurou a reportagem do Cruzeiro do Vale indignado com a falta de respeito que sofreram. Segundo Jonathan, o secretário de Saúde, Carlos Roberto Pereira, não estava na Policlínica no momento e, ao tentar contato por ligação, ele teria desligado o telefone na cara de Jonathan. “Eu perguntei se não tinha como fazer o exame particular, porque o meu sogro está doente. Mas o secretário Roberto simplesmente falou que não pode fazer nada. Quando eu disse que iria atrás dos meus direitos, ele desligou o telefone na minha cara”.
Conforme conta Vanessa, seu pai, Edelor Hausmnn, tem 54 anos e sofre com artrose, bolhas no pulmão, problemas no aparelho urinário e artérias das pernas entupidas. O médico cirurgião vascular que atendeu o homem optou por fazer um cateterismo, mas, para isso o paciente precisa descobrir qual doença está causando outros sintomas em Edelor, como emagrecimento rápido, febre alta e dores no corpo. Para isso, o exame de ‘Arteriografia’ é fundamental.
Como Gaspar não possui este tipo de exame, ele foi encaminhado para o Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Porém, a espera por uma vaga é grande. “Eles mandaram para Blumenau, mas devolveram como ‘negado’. Não sei por qual motivo”, conta Vanessa.
A filha de Edelor está desesperada com a situação e teme que a saúde do pai piore. “A gente não sabe mais o que fazer. Isso sem contar que ele tem outros exames em atraso. Eles só agilizam o que é fácil: uma dorzinha de cabeça ou uma coisa assim. O que é mais avançado não sai... não caminha”, desabafa a filha.
A situação de Edelor já está causando outros problemas para a família. O homem, que trabalhava em uma serraria, estava encostado por conta do estado de saúde, mas acabou perdendo o benefício por falta de comprovação das doenças. “O INSS agora cortou o benefício dele, por falta de provas”, conta Vanessa.
O caso segue parado na Policlínica por falta de prestador de serviço. Vanessa quer que a situação do pai seja resolvida. “Quem é o culpado eu não sei, mas meu pai tem direito à saúde e é dever do governo proporcionar isso aos cidadãos”.
A Superintende de Saúde de Gaspar, Lizandra H. Junges, afirma conhecer o caso e garante que o paciente em questão não está tão mal quanto a família afirma. “Ele foi tabagista e bebeu por muitos anos. Um paciente que está ‘mal’ está acabado... hospitalizado”, compara.
Ela também explica que Blumenau não vende o exame de ‘Arteriografia’ para outros municípios. Isso porque a máquina tem capacidade para atender apenas um determinado número de pacientes por mês. “Nós temos um acordo com Blumenau porque somos municípios vizinhos. Então, sempre que abre uma vaga, eles encaixam um paciente de Gaspar. Mas é preciso esperar”.
Sobre a perda do benefício do INSS, a superintende afirma que a Policlínica fornece um documento informando que o paciente está aguardando por exame ou consulta, mas que a família não foi buscar o atestado. “É um padrão nosso. Nós fornecemos esse papel para todos os pacientes como uma forma de afirmar que a pessoa não está agindo de má fé. Mas a filha dele não veio buscar antes de ir à perícia”.
Para amenizar a situação, a superintendente Lizandra diz que vai, pessoalmente, conversar com a médica que atendeu Edelor e analisar se o exame pode ser trocado por outro semelhante e mais rápido.

Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).