A alegria de quem produz queijo artesanal para a família - Jornal Cruzeiro do Vale

A alegria de quem produz queijo artesanal para a família

03/05/2018
A alegria de quem  produz queijo artesanal para a família

Há 65 anos, Erica Bailer Pamplona acorda todos os dias por volta das 5h30 para ordenhar as vacas e dar início à sua especialidade: a produção de queijos artesanais. A casa em que a senhora vive e trabalha é pintada nas cores amarelo e azul e indica a força e a vitalidade de uma mulher caprichosa, com trajetória de oito décadas e muita história para contar.

Dona Erica mora no bairro Gaspar Mirim e se orgulha em contar como, quando e o que a fez se apaixonar pela arte de produzir deliciosos queijos. “Comecei aos 15 anos, estimulada pelos meus pais, que também produziam queijo em casa. Depois que casei, continuei. Gosto de manter as tradições e me sinto mais próxima de mim mesma quando repito todos os dias esse processo”.

Colecionando recordações positivas relacionadas à agricultura e ao meio rural, dona Erica é mãe de dez filhos, avó de quase 30 netos e bisavó de 11 crianças. Hoje, essa grande família é que tem a oportunidade de apreciar os queijos preparados pela matriarca. “Ah, gosto de agradá-los. Minha família é muito grande e todos são atenciosos comigo, fazem questão de ajudar sempre que podem. Ver eles felizes é algo que não tem preço, faz bem para mim”.

Quando questionada sobre o retorno financeiro, a senhora se diz satisfeita com a confiança adquirida há anos. “Vendo para alguns parentes, vizinhos e pessoas da comunidade que conhecem meu trabalho. Mas, já não viso o lucro mais”, afirma.

A estimativa é de que aproximadamente 24 mil queijos já foram feitos pelas mãos de dona Erica. “Não há um dia sequer que eu tenha deixado de produzir. Em geral, faço um por dia. Mas teve época que fiz bem mais”, diz a senhora enquanto utilizava as mãos para concluir os cálculos.

Além do queijo de forma, ela afirma que aproveita o espaço da casa para produções artesanais. “Uso o leite para preparar outras coisas, como o queijinho coalho e a nata. Todo mundo adora. Dizem que fica uma delícia”.

O processo

Sentada na mesa de jantar, em frente a alguns queijos, dona Erica Bailer Pamplona fala com propriedade sobre um dos assuntos que mais domina. “Temos umas oito vacas, mas apenas três dão leite diariamente, o que rende, mais ou menos, uns 15 litros”. A quantidade de leite é suficiente para produzir um queijo, um pouco de nata e queijinho coalho, além de servir para acompanhar no café de cada manhã.

Depois de retirar o leite, o processo se divide em várias etapas, todas realizadas com muita agilidade pela senhora. “Começo com o leite cru. Uso um pano para coar, depois boto em um balde com duas ou três colheres de coalho e deixo descansar por pouco mais de uma hora. Daí eu mexo, corto a massa que fica mais durinha várias vezes, coloco o sal e deixo coalhar”, detalha dona Erica antes de concluir o pensamento: “Por último, vai para a forma para escorrer a água. Tem que ter paciência”.

Motivo de orgulho

Quem ajuda e segue os ensinamentos da senhorinha simpática é Claudete Bailer Pamplona, uma das filhas. “Produzir o queijo artesanal com a minha mãe é algo que me orgulho bastante. Considero uma herança muito boa os aprendizados que ela me repassou com tanto carinho”. As duas estão sempre juntas e trabalham como uma equipe, em harmonia, para que o resultado seja ótimos queijos.

Outro filho de dona Erica, Sírio Pamplona está sempre por perto e confirma as características dos produtos. “É tudo da melhor qualidade. Tudo feito com leite fresco, higiene e cuidado. Conhecendo bem elas, sei que suas preferências é pelos queijos mais amarelos, aqueles que ficam cerca de um mês sendo conservados”.

Sobre ter sido criado em meio a esse meio, ele se mostra orgulhoso. “É um passatempo que já garantiu o nosso sustento antigamente. Nossa família tem sorte de ter essa tradição”.

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