
Diversos fatores podem levar um indivíduo a viver em situação de rua. Seja por uma desilusão amorosa, um desentendimento familiar, a falta de compreensão, ou até mesmo pela vontade de viver sem endereço fixo, diversas pessoas optam por ter pontos de ônibus, calçadas ou praças como casa.
Esta é a realidade de João Maria Machado. Aos 62 anos, ele vive nas ruas há cerca de 20. E há aproximadamente um ano é encontrado todos os dias em um ponto de ônibus localizado na rua Itajaí, no bairro Sete de Setembro, em Gaspar. O local já se transformou em seu verdadeiro lar. Em cima do banco estão vários cobertores, roupas e sacolas com comida. No chão, o papelão impede que a umidade passe.
João Maria tem família, mas prefere viver nas ruas. Enquanto a reportagem do Cruzeiro do Vale conversava com ele, seu irmão também chegou ao local. O motivo da visita foi pedir, mais uma vez, que ele fosse morar em sua casa. Mas ele negou o convite.
Assim como João Maria, outras cerca de 20 pessoas vivem em situação de rua em Gaspar. Os dados são da Assistência Social, que estima que esta seja uma média mensal da cidade. “Esse número aumenta e diminui por diversos fatores sociais, econômicos e culturais. Mas, essencialmente é fruto da quebra de vínculos sociais e familiares, na sua grande maioria por uso abusivo de álcool e drogas”, disse Santiago Martin Navia, coordenador da equipe técnica de acompanhamento às pessoas em situação de rua.
Com o objetivo de diminuir o número de pessoas em situação de rua, a Assistência Social criou um grupo que atua exclusivamente com esse público. Em pouco mais de um ano, as ações resultaram em uma diminuição de mais de 80%. “Quando assumimos, em 2017, a população de rua era em torno de 40 [média mensal]. No final do ano passado, conseguimos diminuir mais de 80%, chegando a ter apenas três pessoas em Gaspar”, afirma Santiago.
Por Gaspar ser passagem de grandes cidades, como Blumenau, Brusque e Itajaí, muitos caminhantes ficam na cidade por alguns dias. Para ter um controle completo, Santiago afirma que as pessoas em situação de rua são abordadas diariamente pela equipe da prefeitura, que oferece opções para que eles saiam das ruas ou retornem para o convívio de suas famílias. “Atualmente temos 12 pessoas em tratamento em comunidades terapêuticas, sete em acolhimento por deficiência mental e quatro por estarem desamparadas. Essas 23 pessoas resultam em um gasto mensal que supera R$60 mil. Além disso, temos benefícios eventuais, como, por exemplo, pagamento de passagem para a cidade de origem. Porém, é preciso entender que nem sempre a pessoa em situação de rua quer ajuda”.
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