Adoção ou acolhimento: os próximos dias de João Vitor - Jornal Cruzeiro do Vale

Adoção ou acolhimento: os próximos dias de João Vitor

09/12/2015
Adoção ou acolhimento: os próximos dias de João Vitor

O abandono de um recém-nascido encontrado por uma moradora do bairro Margem Esquerda no último domingo, dia 6, mobilizou a comunidade de Gaspar. Desde segunda-feira, 7, tanto o Conselho Tutelar quanto o Fórum de Gaspar receberam manifestações de diversas famílias interessadas em uma possível adoção do menino.

Em entrevista à imprensa na tarde desta quarta-feira, 9, o juiz da recém-instalada 4ª Vara da Comarca de Gaspar, responsável pelos casos de Infância e Juventude, Rafael Germer Condé, explicou que apesar das muitas manifestações desta semana, apenas famílias que já passaram pelo procedimento de preparação e integram o cadastro municipal de adoção é que podem se oferecer para adotar a criança. “Não basta só aquele desejo sincero, é preciso passar pelos procedimentos de habilitação, a Justiça e o Ministério Público precisam avaliar cada família para que aí elas sejam incluídas no cadastro e possam adotar uma criança”, explica. Em média, esse processo de habilitação costuma levar de um a dois meses na Comarca de Gaspar.

O futuro da criança

O recém-nascido, batizado provisoriamente de João Vitor pelas moradoras que o encontraram,
permanece no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para os últimos exames e tem alta programada essa para sexta-feira, 11. Depois disso, há duas possibilidades. Se alguma família da lista de espera apresentar uma petição com interesse em adotar a criança, o que ainda não ocorreu, ela será avaliada e talvez o bebê já possa ser encaminhado para um período de estágio de convivência com a nova família. Caso contrário, o menino será encaminhado para o abrigo Casa Lar Sementes do Amanhã, no bairro Figueira, e irá esperar o surgimento de alguma família que esteja no cadastro municipal de adoções e que tenha interesse na adoção.

Informalmente, uma das famílias da lista de espera já teria manifestado interesse em adotar a criança. Até o momento não há nenhuma informação sobre qualquer familiar de João Vitor. Se algum parente aparecer e manifestar interesse na adoção do bebê, ele também passará por avaliações e comprovar que possui condições de criar o filho. Isso, porém, não deve ser empecilho para iniciar um processo de adoção. “Não podemos ficar aguardando indefinidamente alguém da família aparecer e causando, com isso, prejuízo para a criança”, argumentou o juiz. Uma vez transitado em julgado o processo de adoção, oficializando o vínculo com a família adotiva, não há mais possibilidade de reversão da situação.

O caminho das pedras

A 4ª Vara já solicitou um registro civil provisório para o menino para permitir o início do processo de adoção. Às famílias que sentiram despertar o desejo de adoção ao saber do caso do bebê abandonado em Gaspar, o juiz dá o caminho das pedras para fazer a diferença na vida de outras crianças que também passam pelo drama da espera de um lar. “É um desejo louvável. A partir do momento em que uma família resolve, conscientemente, adotar uma criança, é porque tem muito amor para dar, mas o caminho correto é se inscrever no cadastro municipal de adoção, participar da habilitação, indicar o perfil de criança e esperar a ordem de chamada”, orienta.

Mais sobre o asunto:
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Edição 1728

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