Anvisa vai banir gordura trans dos alimentos industrializados até 2023 - Jornal Cruzeiro do Vale

Anvisa vai banir gordura trans dos alimentos industrializados até 2023

17/12/2019
Anvisa vai banir gordura trans dos alimentos industrializados até 2023

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira, dia 17 de dezembro, uma resolução que determina a eliminação da gordura trans dos alimentos industrializados no Brasil até 2023.

Também é conhecida como gordura vegetal hidrogenada, ela é usada para melhorar o aspecto e também aumentar o prazo de validade de alimentos industrializados. Ela é formada através de um processo químico: óleos vegetais líquidos, como o óleo de soja, são transformados em gordura sólida com o uso de hidrogênio. Quanto mais hidrogenada, mais consistente a gordura fica.

Ela também aparece durante o aquecimento de óleos para a fritura doméstica ou industrial em processos que envolvem altas temperaturas por longos períodos. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a eliminação global desse ingrediente pode evitar 500 mil mortes por ano. A gordura trans eleva o colesterol ruim, reduz o colesterol bom e aumenta o risco de infarto e AVC.

A gordura trans está em alimentos como:

- Biscoitos salgados, doces e outros alimentos assados
- Pipoca de micro-ondas
- Pizzas e salgados congelados
- Manteiga vegetal e margarina em barra
- Creme para café
- Glacê pronto para uso

Eliminação em etapas

1) a adequação da indústria alimentícia ao limite de até 2% de gorduras trans sobre a quantidade total de gorduras do alimento produzido, o que deve ocorrer até 1 de julho de 2021
2) a eliminação total de ácidos graxos trans da composição de produtos até 1º de janeiro de 2023

Risco de desenvolvimento de doenças

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo de gordura trans acima de 1% do Valor Energético Total que uma pessoa ingere diariamente já aumenta de forma significativa o risco de desenvolvimento e morte por doenças cardiovasculares, principalmente as que atingem os vasos sanguíneos do coração. Isso porque, ao ser ingerido, esse tipo de gordura favorece o aumento do colesterol ruim (LDL) e diminui o colesterol bom (HL).

Em maio deste ano, a OMS alertou que pelo menos 5 bilhões de pessoas no mundo correm risco de desenvolver doenças relacionadas ao consumo de gordura trans. A organização estima que o ingrediente cause 500 mil mortes por ano no mundo.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e de internação hospitalar. Em 2015, foram 424.058 óbitos causado por enfarte agudo do miocárdio, hipertensão, arritmias e outras complicações cardiovasculares, 31% do total.

O que o consumidor deve fazer

Atenção aos rótulos e lista de ingredientes! Na tabela nutricional, ela aparece como gordura trans, de acordo com a porção especificada pelo fabricante. Mas, se nessa porção não houver quantidade superior a 0,2 gramas de ácidos graxos trans, o fabricante não é obrigado a informar que há gordura trans naquele produto.

Por isso, o consumidor deve ficar atento à lista de ingredientes. E olha que lá a gordura trans pode ganhar outros três nomes: gordura vegetal, gordura hidrogenada, ou gordura parcialmente hidrogenada. "Não aparecer na tabela nutricional não significa que não há gordura trans naquele alimento", alerta a Gerente Geral de Alimentos da Anvisa, Thalita Lima.

Mudanças nas regras de rotulagem nutricional já estão sendo discutidas pela Anvisa e devem ser votadas ainda no primeiro semestre de 2020.

 

 

 

 

Edição 1932
 

 

 

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