
A Câmara de Vereadores de Gaspar aprovou na sessão desta semana um projeto de lei que reajusta em 38,4% o salário dos monitores de Área Azul, responsáveis por fiscalizar e preencher as notificações do sistema de estacionamento rotativo adotado nas ruas centrais de Gaspar. O projeto inicialmente sugeria a elevação salarial dos monitores de R$ 1.003 para R$ 1.388,87. No entanto, como a proposta foi apresentada antes do reajuste anual dos servidores, uma emenda incorporou os 5,50% dados a todas as categorias ao aumento dos monitores, fixando o novo salário em R$ 1.465,25.
A aprovação do projeto do Executivo, que havia sido apresentado semanas antes da greve dos servidores municipais, causou polêmica e dividiu opiniões entre os vereadores. A principal alegação de quem combateu a ideia foi o argumento do Executivo durante a negociação com os servidores na greve de março, quando o governo alegou impossibilidade de reajustar os vencimentos das demais categorias acima da inflação.
O vereador Luis Carlos Spengler Filho, o Lu (PP), um dos três que votaram contra a proposta, afirma que considerou o projeto uma forma de injustiça com os demais servidores. Segundo ele, o Executivo tem 1.700 servidores, mas encaminhou um projeto beneficiando apenas os quatro profissionais contratados no cargo de monitor da Área Azul. ?Não sou contra esses servidores ganharem mais, mas acredito que devemos prezar sempre pelo bem comum, pela maioria. Saímos recentemente de uma greve em que o Executivo dizia não ter como dar reajuste. Temos categorias como agentes de saúde e motorista que têm vencimentos ainda abaixo do salário do monitor?, argumenta.
Contraponto
O vereador José Amarildo Rampelotti (PT), relator da proposta, pensa diferente. Ele reconhece que hoje algumas categorias recebem acima da média do mercado e outras abaixo, caso dos monitores de Área Azul, agentes de saúde, motoristas e professores. ?Na última negociação salarial o governo insistiu o tempo inteiro que nós tínhamos que fazer uma revisão repassando a inflação a todos para sobrar algo para podermos reconhecer e recuperar as categorias mais defasadas, principalmente os agentes de saúde e profissionais da educação?, defende. De acordo com ele, como o sindicato não teria compreendido essa proposta, o município optou por corrigir a diferença de algumas categorias por meio de projetos de lei individualizados, começando pelos monitores, onde havia dificuldade para contratar.y
Rampelotti antecipa que enquanto a discussão do Plano de Cargos e Salários não chegar ao governo, a ideia é ajustar as faixas salariais por projetos de lei. Os próximos devem ser os motoristas, que podem ter projeto de reajuste apresentado já em junho. Para o presidente da Câmara, Marcelo Brick (PSD), apenas o plano de carreira poderia fazer uma compensação coletiva das categorias mais defasadas. ?Enquanto isso não ocorre, se conseguirmos fazer essa recuperação de forma paliativa também não é ruim?, defende.
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