
Por Raquel Tamara Bauer
Dizer que os homens e mulheres que prestam serviço na Associação dos Bombeiros Voluntários de Ilhota são dedicados é pouco perante a grande missão que eles carregam: salvar vidas. Apenas em 2017, foram 1.662 ocorrências atendidas. Uma média de mais de quatro por dia.
A corporação foi fundada em 11 de janeiro de 2005 e tem em sua história muitos números: são 13 anos de atuação, mais de 12 mil ocorrências atendidas, inúmeros treinamentos e diversas histórias para contar. O esforço da equipe é destacado pelo comandante Carlos Rampelotti. “Trabalhamos 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Desde que a parte operacional do quartel foi fundada, nós nunca fechamos as portas para os atendimentos”, garante.
No início, a unidade atuava com 23 voluntários, um caminhão de combate a incêndio e uma ambulância. Hoje, são 50 bombeiros voluntários, duas ambulâncias, um caminhão de combate a incêndio e muito reconhecimento por parte da comunidade.
Atualmente, a luta dos voluntários de Ilhota gira em torno da aquisição de uma nova ambulância, que vai auxiliar muito os atendimentos às ocorrências. “Estamos em busca de recursos e analisando possíveis parcerias. Hoje, a manutenção de ambulâncias e do caminhão é o nosso maior gasto”, afirma o comandante.
A falta de um hospital ou de uma Unidade de Pronto Atendimento em Ilhota é um ponto que pesa muito no momento em que os voluntários atendem a uma ocorrência. Tendo como referência hospitais de Itajaí, Rampelotti afirma que, no momento em que a equipe se desloca para a cidade vizinha, Ilhota fica sem guarnição dos bombeiros. “Se acontece um outro acidente neste período, o atendimento fica complicado. Se tivéssemos um hospital ou um Pronto Atendimento seria ótimo. Mas, damos o nosso melhor dentro da realidade que temos”.
Apesar de todos os obstáculos e da falta de recursos, o amor pela profissão é evidente. “Muitas vezes, saio de casa às 7h, vou para o meu trabalho, que é de onde eu tiro o sustento, saio às 18h, vou para o quartel e fico de plantão a noite toda. No outro dia, vou pro trabalho de novo e, daí sim, volto para casa. É cansativo. Mas, a partir do momento que você ingressa nessa vida, cria uma paixão muito grande em ajudar o próximo. Não tem pagamento maior do que receber um agradecimento de uma vítima atendida em acidente”, diz Rampelotti.
O presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Ilhota, Andrey Pereira Egídio, também fala sobre o amor pela profissão. “Disponibilizar um tempo pra ajudar outras pessoas é importantíssimo e eu me sinto muito feliz com isso. Acredito que ser voluntário é muito mais do que a deixar nossa família em casa para estar no quartel. Temos em nossas mãos, através do conhecimento adquirido, o poder de salvar a vida de alguém, cuidar do patrimônio das pessoas e receber o agradecimento de uma mãe ou de um pai”.
Estar em contato com as famílias em um momento difícil marca qualquer profissional que trabalha com salvamento. Todo atendimento tem sua história. Porém, alguns ficam gravados na memória dos bombeiros de forma muito marcante. O comandante Carlos Rampelotti lembra de algumas histórias que a corporação já viveu. Para ele, a que está muito presente na memória é a tragédia de 2008, que destruiu o município e resultou em muitas mortes. “Foi um marco para nossa corporação. Nossa equipe foi a primeira de resgate especializado a chegar ao Morro do Baú. Chegamos em 14 pessoas e nos deparamos com uma cena de guerra”, recorda.
Apesar de receber um repasse mensal da Prefeitura de Ilhota, o apoio da comunidade é imprescindível para que os Bombeiros Voluntários continuem atuando no município. Somando a contrapartida do município com a contribuição da população através da fatura de energia, a arrecadação mensal gira em torno de R$12 mil. Porém, para manter a estrutura em pleno funcionamento, os gastos ficam em torno de R$15 mil. Para cobrir a diferença, os voluntários realizam eventos, pedágios, rifas e outras ações que auxiliam no fluxo do caixa. “A comunidade pegou confiança no atendimento dos bombeiros voluntários. Eles viram que o trabalho é sério e nos ajudam a manter o funcionamento”.
No final deste ano, a corporação forma a 11ª turma de novos bombeiros. São 18 novas pessoas que estão passando por 540 horas/aula e que estão participando de treinamentos de atendimento pré-hospitalar, combate a incêndio e resgate veicular, em altura e aquático. “Não é porque é voluntário que é amador. Somos todos profissionais fazendo o mesmo serviço que um bombeiro militar. todos tem capacitação e recebem treinamentos para prestar um serviço de excelência à comunidade. Os formandos não assumem somente o compromisso de estar no quartel, mas também a missão de salvar vidas”, diz o comandante.
Para ser bombeiro voluntário é preciso ser maior de idade, ter o ensino médio completo e disponibilidade para de fazer 24 horas voluntárias no mês, que podem ser intercaladas em 12 horas. Além disso, é feito um treinamento físico para confirmar se o candidato está apto para exercer as funções.
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