Um pedaço de madeira, alguns tijolos, e restos de cigarro revelam o esconderijo montado por usuários de drogas no cemitério municipal. Ao lado dos túmulos e sob os olhares da imagem de Cristo, jovens e adolescentes se reúnem, muitas vezes em plena luz do dia, para manter o vício.
O problema, segundo Arnaldo Muller, proprietário da empresa responsável pela manutenção do cemitério municipal, é antigo. ?Recebemos reclamações frequentes de que adolescentes utilizam o espaço para se drogar. E não é apenas um local, mas em vários pontos do cemitério. Não sabemos mais o que fazer para coibir esta ação?, reclama o empresário, que afirma estar de mãos atadas diante do problema social.
Nesta terça-feira, uma senhora que preferiu não se identificar foi ao cemitério limpar o túmulo da avó e não teve coragem de chegar perto, pois um grupo de adolescentes fumava crack bem ao lado do túmulo. ?Estava com a minha mãe e ficamos com medo de eles fazerem alguma coisa. Então preferimos sair. Talvez se aquelas bananeiras que escondem o local onde eles ficam fossem cortadas, eles sentiriam-se intimidados?, sugere a senhora.
Segundo Arnaldo, a sugestão é válida, mas não irá resolver o impasse. ?Sempre que percebemos a presença deles chamamos a polícia, enquanto a viatura faz rondas pelo local eles desaparecem, mas os policiais têm que fazer rondas por toda a cidade e não podem ficar direto no cemitério e quando eles saem o grupo volta a fumar no local?, revela Arnaldo.
Um projeto para murar todo o cemitério está sendo discutido entre a empresa de Arnaldo e a Prefeitura, porém, é um projeto grande e não há previsão de quando poderá, ou se será, executado.
Solução
Para o secretário de Assistência Social do município, Edinei de Souza, este é um problema que só poderá ser solucionado com policiamento ostensivo. ?Temos o exemplo positivo da grande Florianópolis, onde a presença dos policiais nos morros e favelas foi reforçada e as incidências diminuíram?, lembra.
O major da Polícia Militar, Moacir Gomes Ribeiro, explica que as guarnições fazem rondas diárias no bairro Santa Terezinha, onde fica o cemitério municipal. Porém, o responsável pela PM da Cidade afirma que não adianta recolher estes usuários das ruas e levar para a Delegacia e depois eles serem novamente liberados. ?Falta em nossa cidade um local para tratar estas pessoas. Eles são usuários, não podem ser presos, então voltam para as ruas e o problema continua. Este é um problema mundial e precisa ser tratado com políticas públicas eficientes. Estas pessoas são dependentes, que precisam de tratamento e acredito que há solução para eles?, aponta o policial.
Tratamento
O apoio que a Secretaria de Assistência Social pode oferecer, segundo Edinei, é encaminhar estes usuários para tratamento. Gaspar não possui centros de internação mas possui centros parceiros, para onde são encaminhados os usuários que escolhem se livrar do vício. ?Através do CAD podemos encaminhar as pessoas que querem para o tratamento, mas depende do usuário e de seus familiares também?, alerta.

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