Clube de mães da Apae: Voluntárias do amor - Jornal Cruzeiro do Vale

Clube de mães da Apae: Voluntárias do amor

23/04/2014

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Em uma mesa de madeira, localizada em uma pequena sala, várias mulheres se reúnem para confeccionar peças cheias de carinho. Além das agulhas, linhas e outros materiais, elas utilizam amor e alegria para produzir novos modelos e possuem vontade de sobra de continuar com o trabalho já realizado há algumas décadas. Essas são características marcantes das 28 mulheres que se dedicam ao clube de mães Voluntárias do Amor. Todas as terças-feiras, algumas dessas voluntárias se reúnem em uma sala disponibilizada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, Apae, para confeccionar peças de crochê e bordado. O trabalho é feito visando exclusivamente a alegria de ver os produtos expostos em determinados eventos da cidade, já que não lucram com isso.

Voluntária do amor há quase 20 anos, Carmen Conceição Albanaz, 54 anos, hoje é a coordenadora do grupo. Ela é responsável por comandar todos os trabalhos das voluntárias e, em alguns casos, decidir quais peças irão para os eventos. O clube já existe há mais de 25 anos na cidade, porém faz pouco mais de 15 anos que as participantes decidiram confeccionar peças para eventos e para o próprio bingo, que é realizado anualmente. ?Como não fazemos nossas peças exclusivamente para venda, dificilmente conseguimos algum lucro. Por isso, promovemos nosso bingo, em que os prêmios serão o nosso trabalho. É um evento muito importante e que contribui bastante com o nosso clube?, afirma a coordenadora. Além desse dinheiro, as voluntárias também vendem algumas peças e até mesmo compram com dinheiro próprio os materiais necessários para a confecção.

No grupo, as participantes produzem trilhos de mesa, toalhas de banho, de rosto e de mesa, entre outras peças. Os encontros acontecem todas as terças-feiras, porém muitas integrantes não podem participar semanalmente. Por isso, as voluntárias também trabalham de casa e entregam as peças necessárias no prazo determinado. ?Não obrigamos ninguém a vir ao encontro sempre. O importante é nos ajudar. Se estivermos reunidas, é claro que é melhor e mais divertido, mas sempre acabamos trabalhando bastante em casa?, explica Carmen.

O grupo foi formado por Amábile Ayroso e reunia, no início, mães de alunos que frequentavam a Apae. Conforme explica Carmen, ainda no começo as participantes se encontravam para aprender a fazer bordados e crochê. Hoje, grande parte das voluntárias entram sabendo fazer estas peças, visto que o objetivo principal é produzir. ?Claro que se alguém quiser entrar no grupo, mas não sabe bordar ou fazer crochê, vamos ensinar. Ou, quem sabe, ela poderá ter outra função. Nosso espaço é aberto a todos?, afirma. Além disso, atualmente o grupo conta apenas com três mães de alunos da Apae, sendo que o restante é formado por mulheres da comunidade.

Mais do que um grupo de trabalho 

Os trabalhos manuais foram apenas uma das coisas que as voluntárias encontraram ao entrarem no grupo. As amizades conquistadas ao longo de todos esses anos são os presentes mais especiais que receberam após dar início à participação no grupo. ?Por mais que nem todas consigamos nos reunir, terça-feira para mim é um dia sagrado. Não importa se tem cinco ou 20 mulheres, o que importa é que rimos, conversamos e nos ajudamos?, diz Carmen. Assim como ela, Marina da Conceição, 59 anos, que já participa do clube há mais de 15 anos, também acredita que o grupo lhe trouxe muito mais que o aprendizado de bordados e crochê. ?Queria fazer algo na época, mas não sabia fazer bordado ou crochê. Mesmo assim, entrei para o clube e aprendi várias funções. Mas o nosso grupo é mais que isso. Somos uma família que se reúne toda semana?, afirma. Roseli Maria Olinger da Silva, 69 anos, é uma voluntária do amor há quatro anos. Ela conhece o grupo há um bom tempo, pois tem uma filha que frequenta a Apae há quase 30 anos. Porém, Roseli resolveu ser uma integrante há quatro anos, quando percebeu que precisava conhecer novas pessoas. ?Eu estava muito desanimada e então comecei a frequentar o clube. Além de confeccionar peças muito bonitas, passei a conversar com novas pessoas que hoje se tornaram grandes amigas. Por isso hoje o dia do encontro é sagrado para mim?, conta. 

Nesta época do ano, as voluntárias trabalham confeccionando as peças para a tradicional festa da Apae, que acontece neste mês. Com grande esforço e dedicação elas já finalizaram as 16 toalhas de mesa, 24 jogos de banho de rosto e um trilho que serão sorteados na roda da fortuna. A partir de agora, passarão a fazer as peças para o bingo do grupo, que acontece anualmente em outubro. ?Não há recompensa maior do que ver nosso trabalho exposto em uma festa da cidade, por exemplo. Não precisamos de dinheiro quando temos isso?, relata Carmen.

 

Edição 1581
 

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