
Depois de anos trabalhando na área hospitalar, Silvana, 42 anos, moradora do bairro Coloninha, está interessada em mudar de área e trabalhar no ramo têxtil. Para isso, na metade deste ano, tentou se inscrever no curso de Costura Industrial oferecido em uma sala do Salão Cristo Rei. No entanto, na ocasião, ela foi informada de que não havia previsão de uma nova turma e que teria que ficar em uma fila de espera. ?Por enquanto estou aprendendo em uma confecção do bairro, mas não é a mesma coisa que um curso. A gente não tem aprendizado de todas as máquinas e também não recebe certificação?, afirma.
Desde junho, quando a última turma do curso de Costura Industrial se formou, os cursos gratuitos realizados em uma parceria pelo Senai, Conferência Vicentina e Secretaria de Desenvolvimento Social, por meio do programa Pronatec, deixaram de ser oferecidos em Gaspar. O motivo foi a falta de recursos federais destinados às atividades, cenário que se repetiu em todo o país. Além do curso de Costura Industrial, o de Modelagem também foi descontinuado.
Segundo a coordenadora da Conferência Vicentina de Gaspar, Jocenira Waltrick, a intenção é tentar uma nova pactuação do município em novembro para garantir que esses cursos sejam retomados a partir de 2016. ?Temos uma grande demanda por capacitação na área têxtil em nossa região e já há pessoas inclusive em lista de espera?, informa. A sala em que os cursos eram ministrados, com máquinas de costura instaladas, foi mantida com a intenção de que as aulas sejam retomadas em algum momento.
Somados ao programa Jovem Aprendiz, os cursos de Costura Industrial e Modelagem contribuíram com a formação de cerca de 180 pessoas até junho deste ano.
Nova sede ameaçada
A crise nacional não ameaça apenas os cursos realizados por programas como o Pronatec. Esta semana, o governo federal acenou com a possibilidade de corte de até 30% nos repasses ao chamado Sistema S. Segundo as lideranças das entidades, isso pode comprometer o atendimento a 1,2 milhão de alunos do ensino profissional do Senai e a 1,5 milhão de trabalhadores do Sesi.
Na região, os cortes também trariam impactos para as atividades do Senai. Uma das preocupações recai sobre o projeto de construção de uma unidade do Senai no bairro Figueira, em Gaspar. O terreno foi doado à entidade no ano passado, mas o aperto econômico que atinge o país desde janeiro fez com que o assunto não avançasse. Via assessoria de imprensa, a Fiesc informou que no momento vem concentrando energia para evitar o corte de recursos para o Sistema S e que todos os novos investimentos serão reavaliados, principalmente se a medida se confirmar. Em Santa Catarina, estima-se que a manobra possa fechar mais de 40 mil vagas em cursos profissionais e de educação básica e até 50 unidades do Sesi e Senai. ?Se os cortes de fato acontecerem, unidades precisarão ser fechadas, então falar em novas unidades seria algo fora de cogitação?, resumiu o diretor do Senai Blumenau, Jacir Luiz Lenzi, ao ser questionado pela reportagem do Cruzeiro do Vale.
Jovem Aprendiz confirmado
Os cursos ligados ao Pronatec não tiveram novas turmas desde a formatura de junho. Uma parceria com a iniciativa privada é estudada para tentar abrir ainda este ano uma nova turma. Por ora não há definições concretas sobre essa tentativa. O curso gratuito oferecido no município com cenário mais positivo é o do programa Jovem Aprendiz, realizado em parceria com o Rotary Club de Gaspar, o Senac e outras entidades. Nesse caso, já está confirmada a abertura de uma nova turma para o início do próximo ano. O curso prevê aulas e experiências de meio período em empresas do município para colaborar com a inserção no mercado de trabalho.
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