O Senado Federal aprovou uma proposta no mês de agosto que permite aos comerciantes estabelecerem preços diferenciados entre as compras pagas com dinheiro e com cartão de crédito. Agora, o próximo passo será a análise do conteúdo do projeto pela Câmara dos Deputados. Caso aprovada, a lei interromperá os efeitos de uma resolução do extinto Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, que atualmente proíbe a diferenciação dos valores.
Comerciante em uma loja no Centro de Gaspar, Silvana Jacobsen aponta que as vendas por meio do cartão de crédito são em grande quantidade, porém um projeto que estabelecesse padrões de diferenciação de preços viria a calhar. ?Os clientes costumam comprar mais a prazo, no cartão de crédito. Os preços diferenciados aos consumidores seriam uma boa estratégia de venda?, avalia a empresária. Moradora do bairro Poço Grande, Luciane Lenfers se acostumou a comprar no cartão de crédito. No entanto, com um preço diferenciado à vista, ela afirma que poderia rever sua forma de compra. ?No cartão de crédito tem a vantagem de parcelamento a prazo, mas dependendo do caso uma aquisição à vista pode compensar bem mais?, opina. Atualmente, não se pode ter uma cobrança diferenciada nos preços do pagamento feito em dinheiro de quando é feito com cartão de crédito. Com manifestos já anunciados por entidades ligadas ao comércio, a proposta de diferenciar os preços à vista e parcelado no cartão de crédito pode trazer um desequilíbrio nas relações de consumo, impactando, inclusive, na ordem econômica e nos índices de inflação do mercado, segundo a Associação Brasileira de Procons, o Procon Brasil. O órgão argumenta ainda que o consumidor não deveria arcar com um custo que é do lojista junto à administradora do cartão, e que ao aderir a um cartão de crédito o consumidor já paga anuidade, com custos com tarifas e principalmente juros.
CDL vê ideia com bons olhos
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Gaspar, CDL, José Rovere Passos, analisa positivamente o projeto que permite aos comerciantes estabelecerem preços diferenciados entre as compras pagas com dinheiro e com cartão de crédito. ?As taxas cobradas na fonte dos comerciantes podem chegar até 4,8%. Em especial para as empresas menores, este projeto cairia bem. Seria interessante estabelecer preços diferenciados à vista e a prazo via cartão de crédito?, comenta Rovere. De acordo com o dirigente da CDL em Gaspar, há muitos consumidores que chegam a utilizar até três cartões de crédito nas compras.
Para o coordenador e professor do curso de Ciências Econômicas da Furb de Blumenau, Sidney Silva, a tendência é de que o projeto seja aprovado. Segundo o docente, haverá uma concorrência maior em relação ao atual cenário do comércio. ?Quanto mais rigor existe aos comerciantes pior é para consumidor final, ou seja, os estabelecimentos deveriam vender seus produtos na forma como desejassem?, avalia Sidney. De acordo com o professor, pelas informações captadas, pode-se concluir que boa parte dos comerciantes são favoráveis ao projeto, enquanto entidades como o Procon, são contra. ?Não há um consenso ainda sobre o assunto entre os envolvidos. O fato é que quem compra à vista já tenta pechinchar ao máximo para obter um bom desconto. Caso haja um preço diferenciado, será interessante ver qual será o cenário neste caso?, aborda.
Edição 1620
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