
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o possível pagamento de propina na obra da rua José Rafael Schmitt, em Gaspar, entra em sua fase principal: a coleta de depoimentos. Os vereadores receberam e estão analisando os documentos enviados pela prefeitura e empresa Pacopedra (executora da obra) e, de forma paralela, iniciam as convoca-ções para esclarecimentos.
O primeiro a ser ouvido será o ex-secretário de Fazenda e Gestão Administrativa de Gaspar, Jorge Pereira. Seu depoimento está marcado para o dia 4 de julho, uma terça-feira, às 14h, no plenário da Câmara. Os sócios da Pacopedra também já tem o depoimento agendado: será nas duas terças-feiras seguintes, dias 11 e 18 de julho, também às 14h.
De acordo com o vereador José Hilário Melato, presidente da CPI, outras convocações podem ser feitas se a Comissão julgar necessário. “A documentação recebida ainda está sendo avaliada, pois é um trabalho meticuloso a ser feito. Porém, deci-dimos iniciar as convocações para dar agilidade à investigação”, disse.
A CPI foi aberta após circular pelos aplicativos de mensagens e redes sociais um áudio/vídeo com uma possível conversa dando a entender que existiu o pagamento de propina na realização da obra. Diante da situação, haverá também a contra-tação de uma empresa técnica para realizar uma perícia no áudio. “A contratação da empresa exige uma série de trâmites burocráticos que precisam ser respeitados. Mas, acreditamos que até o fim deste mês a contratação seja efetivada”, prevê Melato.
A decisão em instaurar a CPI em Gaspar ocorreu após circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens um áudio/vídeo com suposta conversa entre o ex-secretário de Fazenda e Gestão Administrativa de Gaspar, Jorge Pereira, e uma pessoa desconhecida. Na conversa, eles mencionam a obra na rua José Rafael Schmitt e dão a entender que alguém recebeu pro-pina.
Jorge Pereira pediu exoneração do cargo na secretaria de Fazenda no dia 27 de março, com a alegação de que foi alvo de vídeos e áudios e que sua esposa e filho estariam sendo ameaçados através de um bilhete. ‘(...) Teu filho estuda na Madre e tua mulher vai buscar ele, estaciona na prefeitura e vai a pé. Logo, logo, vagabundo, você vai pagar caro pelo que fez (...)’, diz trecho do bilhete.
Confira na íntegra a nota emitida por Jorge:
“Há alguns meses tenho manifestado o meu desejo de retomar meus caminhos no setor privado e poder passar mais tempo com minha família. Porém, assumi um compromisso com essa cidade que tanto amo e acredito muito no projeto do prefei-to Kleber Wan-Dall e todo o nosso time em transformar Gaspar em uma cidade ainda melhor, e é isso que tenho feito desde o primeiro dia.
Me entristece ver que ainda temos pessoas entre nós que não conseguem pensar no bem coletivo e somente em benefício próprio. Me entristece mais ainda, e me revolta, ver que há pessoas que utilizam ameaças à uma criança para conseguirem benefícios políticos.
Hoje deixo a Prefeitura de Gaspar pela segurança da minha família. Minha esposa e meu filho foram alvos de ameaças que me fazem acreditar que há pessoas que me querem mal, com o único objetivo de atingir a mim e ao governo. Também fui vítima de outras ações, como vídeos e áudios falsos atribuídos a mim. Estou tomando as providências cabíveis e judiciais e estou encaminhando todos os materiais para perícia técnica.
Ameaças deste tipo refletem o oportunismo e má fé de algumas pessoas, que certamente serão punidas pelos seus atos. Visando o bem-estar da minha família hoje, dia 27, solicitei ao prefeito a minha exoneração enquanto secretário de Fazen-da e Gestão Administrativa. Tomarei as medidas judicias cabíveis, mantendo sempre meu compromisso com a transparência e com o presente e futuro de Gaspar”.

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