Cresce o número de transplantes no país - Jornal Cruzeiro do Vale

Cresce o número de transplantes no país

21/08/2010



Nascer, crescer, envelhecer e morrer. O ciclo natural da vida pode ser diferente para as pessoas que recebem um transplante de órgão. Considerado como uma segunda chance, o transplante é geralmente visto pelos transplantados como um nascer pela segunda vez.
O dia do segundo nascimento foi marcante para o gasparense Ricardo Valmor Alves dos Santos: 15 de julho de 2008. Graças a um doador, Ricardo conseguiu continuar seu ciclo de vida. Assim como Ricardo, outros 2.367 brasileiros receberam órgãos transplantados de doadores falecidos apenas no primeiro semestre deste ano. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o número de cirurgias cresceu 16,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com o Ministério, o crescimento é sustentado pela quantidade de transplantes feitos pelo Sistema Único de Saúde, SUS, que é responsável por 90% destas cirurgias. Além disso, o número de doadores efetivos cresceu 17% nos primeiros seis meses de 2010, chegando a um número recorde.
Ricardo faz parte dos 10% que fez todo o transplante de forma particular. Sofria de hepatite C e cirrose hepática, e a situação estava tão crítica pouco antes do transplante que ele sequer conseguia andar sem ajuda. Antes de ser realizada a cirurgia, ele explica, para quem precisa receber um fígado novo há um tratamento com consultas mensais, dietas e no qual não se pode ingerir bebidas alcoólicas. No caso dele, o tratamento de seis meses foi reduzido para quatro. ?Fui logo para a lista de transplantes. Fiz uma entrevista com a equipe desta área, que comporta desde o médico até nutricionista e psicólogo, que me mostraram que a cirurgia pode dar errado e o que pode acontecer depois do transplante?.  A cirurgia é de altíssimo risco, por isso tudo é explicado para o paciente, que assina um documento afirmando que está ciente do que pode acontecer.
Quando seu nome foi para a lista dos que aguardavam um novo fígado, ele era o de número 27. Porém, três dias depois, quando chegaram mais exames que havia feito, passou a ser o segundo da fila, e após mais três dias, já estava na mesa de cirurgia, pronto para o transplante. ?Quando entrei na sala da cirurgia era um homem morto, depois do transplante, comecei uma vida nova?. Ricardo passou por mais uma cirurgia, pois o corpo não estava aceitando o novo órgão, uma das situações que há possibilidade de acontecer. Depois da cirurgia, voltou a desenvolver hepatite, e faz tratamento para manter o nível viral baixo. Ele carrega consigo um documento que todo o transplantado possui: uma carteirinha que afirma que ele passou por um transplante, em cujo verso estão situações em que deve procurar o hospital mais próximo.

Santa Catarina desponta como segundo estado com maior número de doações de órgãos

fotopg14abreMD.jpgPara o Ministério da Saúde, a capacitação dos profissionais da área, principalmente do setor de terapia intensiva, foi mais um fator que contribuiu para que o número de doações e transplantes de órgãos aumentasse, pois com equipe especializada, é possível haver o aumento na quantidade de procedimentos.
Santa Catarina foi o segundo estado com maior índice de doadores, 17 por milhão da população. Com exceção do coração, todos os órgãos registraram aumento de transplantes. O maior aumento foi nas cirurgias de fígado e rim. Foram 606 transplantes de fígado no primeiro semestre do ano passado, contra 663 deste ano. Quanto aos de rim, subiram de 1295 para 1486.
Ricardo já deu diversas palestras no Hospital Santa Isabel, onde foi feito seu transplante, para conscientizar as pessoas da importância da doação de órgãos. ?É uma questão de orientar as famílias. Hoje há poucos doadores e muitas vidas dependem de doações, que para as famílias não tem custo algum?.

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