Crianças ainda preservam o hábito da leitura - Jornal Cruzeiro do Vale

Crianças ainda preservam o hábito da leitura

10/10/2010

Por Julia Schäfer Dourado

Um dos assuntos muito abordados pelos pedagogos e pela mídia em geral é a influência da tecnologia no processo de aprendizagem e na substituição de hábitos de leitura da criança por jogos de computador e vídeo games. Para saber se este processo de substituição acontece em Gaspar, e também para conhecer os hábitos de leitura de alunos das séries iniciais, o Cruzeiro do Vale foi até a Praça Getúlio Vargas, palco do 8° Movimento de Distribuição de Leitura, que aconteceu entre os dias 5 e 7, conversar com as próprias crianças sobre o assunto.

O objetivo maior da pesquisa foi analisar como está a situação da leitura entre as crianças nesta faixa etária, o que pode ser descoberto por meio de cinco simples perguntas. Estudantes com idade entre 8 e 10 anos, de diversos educandários, foram alvo dos questionamentos. Ao todo, 86 alunos de diversas escolas foram entrevistados e suas respostas, utilizadas para estatísticas, representadas através de gráficos.

Analisando os resultados de forma separada, por idade, percebe-se que a tecnologia chega a empatar com a leitura, mas não a ultrapassa. Porém, de forma mais generalizada, somando os resultados parciais para chegar a um final, o computador tem uma posição mais favorável que a leitura, em 1,16%. Este é um dado que se destaca, pois mostra a forma em que a tecnologia toma conta do cotidiano dos pequenos estudantes. Por mais que a tecnologia esteja ocupando um espaço grande na vida das crianças gasparenses, as atividades mais tradicionais como brincadeiras e leitura, continuam sendo fortes nos hábitos diários dos pequenos. Entre outras atividades citadas por elas ? quando assinalavam ?outros? na questão sobre o que mais gostam de fazer quando não estão na escola ? estavam tocar violão, estudar e assistir televisão e até mesmo andar a cavalo.

O que surpreendeu foi o encantamento provocado pela literatura Infanto-juvenil nos estudantes. A grande maioria, inclusive os alunos de oito anos, que passaram a pouco pelo processo de alfabetização, preferem esta à contos e histórias infantis. A fantasia contida nos volumes mais citados é o que as atrai até esta prateleira. O livro mais lembrado pelas crianças foi a série ?Harry Potter?, escrita pela inglesa J. K. Rowling, que há muitos anos habita a lista de preferência dos leitores mirins.


Educadora analisa respostas

Os dados da pesquisa foram considerados muito relevantes pela diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria de Educação, Marlene Almeida Santos, que teve acesso aos dados e fez uma rápida análise dos resultados. ?Eles ainda optam por brincar, o que é uma alegria. Para os pedagogos, enquanto as crianças brincam, elas aprendem e interagem, e o único modo de aprendizagem é por meio da interação?. De acordo com a diretora, isto também mostra que não são apenas os jogos de computadores e vídeo games que são capazes de fazer com que os alunos desta faixa etária entrem no mundo da imaginação.

Marlene comenta que há uma gama de alunos que não têm acesso a tecnologia em seu cotidiano, mas também há estudantes que se restringem a ela. Esta questão, segundo Marlene, não é apenas responsabilidade da escola, cabe à família controlar o tempo que a criança fica em frente ao computador ou jogando vídeo game e dividir a rotina da criança em um tempo para estudos, leitura e outro para a tecnologia. Os cursos de formação de professores hoje levantam a questão da forma que se deve aplicar a tecnologia de forma benéfica em sala de aula.

Sobre a preferência pela literatura infanto-juvenil, Marlene comenta que esta é a consequência da pratica escolar de levar os alunos uma vez por semana para a biblioteca do educandário para pegar livros, sem cobrança de que as crianças leiam certo tipo de livro, apenas com a oferta de literatura. As bibliotecas estão divididas em prateleiras com livros destinados a cada faixa etária, e conforme vão avançando na leitura, as crianças trocam a parte infantil pela infanto-juvenil. ?Outro dado trazido pela pesquisa é que as crianças preferem ler sozinhas a ouvir a leitura feita por alguém. Eles se tornam independentes porque na escola escolhem o livro que querem e leem do jeito que consideram melhor ?, analisa. Contudo, o papel dos pais ainda é fundamental para estimular o filho a entrar no mundo de fantasias trazido pela leitura.

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Eles apreciam um bom livro

fotopg13abrecolorfoto1MD.jpgA pequena Lia Bröring Fontes Schramm é esperada todos os dias na Biblioteca Pública Dom Daniel Hostin. A menina, de apenas 2 anos e 8 meses, exige que a mãe a leve até o local todos os dias após a aula. E quando a mãe tem algum compromisso e tenta levá-la embora sem antes ir à biblioteca, a menina foge em direção ao mundo de livros, que fica ao lado da escola. ?Ela se sente completamente à vontade em meio aos livros. Entra na biblioteca, vai direto para a sessão de livros infantis, escolhe o que quer que eu leia para ela e se senta para ouvir?, conta a mãe, Elane Bröring Fontes Schramm.

O incentivo que ela teve em casa, desde antes de nascer, fez com que a paixão pelos livros despertasse em Lia. A mãe é professora infantil e sempre procurou conversar bastante com a filha, contar e ler histórias, e criou o hábito de ler todos os dias, antes da filha dormir. Lia tem um extenso vocabulário, comunica-se bem para sua idade e formula longas frases, devido ao hábitos criados pela mãe.

O estímulo dos pais é fundamental para que a criança se interesse pela leitura, que traz apenas bons frutos. Entre eles, a diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria de Educação, Marlene Almeida Santos, cita a percepção que a criança cria do mundo em sua volta, aquisição de vocabulário, gosto pelos contos, e a formação de um bom leitor.

fotopg13abre2colorMD.jpgO ganhador do concurso que elegeu a melhor frase das escolas gasparenses para estampar os cartazes do Movimento de Distribuição de Leitura, Fernando Augusto Schramm Isensee, de 12 anos, possui duas características em comum com Lia: possui amor aos livros e é filho de professora. Foi sua mãe que o alfabetizou na escola e sempre procura cultivar a cultura e a leitura dentro de casa. ?Ele sempre se sentiu muito bem em viver rodeado de livros. Para nós, pais, é motivo de orgulho ver seu filho crescer assim, e ainda ganhar o concurso?, comentou Maria Helena Schramm Isensee, a mãe de Fernando.
Entre as vantagens que os livros trouxeram, Fernando elege a capacidade de interpretação, estímulo da criatividade, a atenção nos textos e a aquisição de novas palavras como algumas das mais importantes.

Com um pequeno riso admite que gosta muito de jogos de computador. Toda semana ele faz uma visita à Biblioteca Pública, e costuma ler muitos mangás e agora, como prêmio pelo concurso, tem uma coleção de livros de Emily Rodda pela frente.


Pedagoga dá dicas aos pais

Despertar o interesse do filho pela leitura começa quando ele está ainda no ventre da mãe. Para que a criança crie o hábito da leitura, os pais devem ter também este costume. ?Muitos pais não leem para suas crianças porque não tem o hábito de fazer isso nem para si mesmo. Mas é preciso que eles percebam que o acesso à leitura não compete somente à escola?, afirma Daniela Odete de Oliveira, pedagoga, diretora adjunta da escola Dolores Krauss e contadora de histórias por paixão.

Daniela dá algumas dicas para os pais que não sabem como tratar o assunto da leitura dentro de casa. Segundo ela, é papel dos pais valorizar o objeto-livro, incentivar a compra de exemplares e levar a criança para frequentar locais onde há leitura. É importante ainda que os pais, além de ler os livros, contem histórias de quando eram pequenos. ?É essencial que antes de ler a história para a criança, o adulto faça a leitura do livro sozinho, para verificar se o considera adequado para a idade do filho. Além disso, cheque se o exemplar tem editora, autor e ilustrador, dados que não são trazidos por livros de baixa qualidade?, complementa.
No momento da leitura, Daniela destaca que o mais importante é que os pais gostem do momento, que leiam a história com vontade. Ela afirma que não há uma receita certa para uma boa leitura além de fazê-la com o coração. Entre seus muitos livros preferidos para a hora da contação de histórias estão os contos de Ricardo Azevedo e Ângela Lago, ?O sapo bocarrão? já citado, e ?Um segredo guardado no bolso?, de Eliane Ganem.

?O letramento é a função social da escrita, e o mundo letrado está baseado em diversos suportes de texto, desde receitas de bolo até imagens, e a criança deve ter contato com todos estes suportes por meio dos pais e da escola, pois a formação do leitor não depende apenas do educandário?, finaliza a pedagoga.


Livros com maior procura

Na Biblioteca Dom Daniel Hostin, há livros que não param na estante, estão locados toda a semana e inclusive possuem lista de reserva. Isto acontece com criações de vários autores populares. Os autores preferidos dos usuários da biblioteca,na categoria Infanto-juvenil são Stephanie Meyer, Meg Cabot, J. K. Rowling, Margaret Ryan, Rick Ryordan e Emily Rodda. Na prateleira infantil, descansam obras dos favoritos das crianças: Ana Maria Machado, Mary e Eliardo França, Ruth Rocha, Ziraldo, Keith Faulkner, José Elias e Irmãos Grimm. Abaixo, a lista de dez mais locados de cada uma destas sessões.

? Infantil
O ursinho apavorado ? Keith Faulkner
O sapo bocarrão ? Keith Faulkner
Os amores da Bruxa Onilda ? Enric Larreula
Eu era uma adolescente encanada - Ross Asquith
Dr Cão - Babette Cole
Os grandes negócios da Bruxa Onilda ? Enric Larreula
Pérola e a boneca - Wendy Harmer
Teque, teque muu: Vacas que escrevem à maquina -  Doreen Cronin
A casa sonolenta ? Audrey Wood
Você não consegue dormir, ursinho? Martin Waddell e Barbara Firth

? Infanto-juvenil
O diário da princesa ? Meg Cabot
Harry Potter e a Ordem da Fênix ? J. K. Rowling
A princesa apaixonada ? Meg Cabot
As crônicas de Nárnia ? C. S. Lewis
Harry Potter e o Enigma do Príncipe ? J. K. Rowling
A princesa sob o refletores ? Meg Cabot
Ídolo Teen ? Meg Cabot
Harry Potter e a Pedra Filosofal ? J. K. Rowling
Harry Potter e o Cálice de Fogo ? J. K. Rowling
As piadinhas do cassetinha ? Casseta & Planeta

edição 1236

Comentários

Paulo Sérgio Isensee
02/02/2011 12:11
Parabéns Nando! A leitura representa para para a mente o mesmo que a ginástica representa para o corpo. Tire o máximo deste hábito saudável, busque nele o alimento para sua sabedoria.

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