O que talvez até pareça um hábito inofensivo pode, na verdade, acarretar uma série de consequências prejudiciais à saúde da população. O descarte incorreto de medicamentos vencidos pode contaminar a água ingerida pela população e provocar danos também aos lençóis freáticos e ao meio ambiente. ?Se o cidadão joga o medicamento vencido no vaso sanitário e dá descarga, o remédio acaba pegando o mesmo fluxo de esgoto. Só que a rede de esgotos não prevê tratamento com produtos químicos, então vai direto para os rios, onde a água é captada e retorna para consumo nas residências?, explica a farmacêutica Débora Pescador Giusti, gerente de uma drogaria do Centro de Gaspar.
Evitando o descarte de remédios no lixo comum, a dona de casa Noeli Tchsler procura encaminhar os remédios vencidos em sua casa para o destino correto: a unidade de saúde próxima a sua residência. ?São poucas vezes que acabo me desfazendo dos remédios que eu e meu marido tomamos, mas quando isso acontece procuro o ponto de coleta em meu bairro?, garante a aposentada, moradora do bairro Margem Esquerda.
Segundo a farmacêutica de uma drogaria no Centro de Gaspar, Angelita Rosani Hintz, não é comum as pessoas procurarem informações sobre como se deve descartar os remédios que não serão mais ingeridos. ?Não é fácil encontrar pessoas que têm esta consciência de fazer o procedimento correto de descarte de remédios?, observa Angelita.
Gaspar tem à disposição da população pontos de coleta de descarte de remédios localizados geralmente nas unidades básicas de saúde espalhadas pelos bairros. No Centro, há ainda um posto na Farmácia Básica. ?Separamos os medicamentos líquidos dos comprimidos e os depositamos em caixas amarelas para a empresa especializada retirar semanalmente, às sextas-feiras.
A comunidade pode trazer os remédios a serem descartados que encaminhamos para o destino final correto?, assegura o farmacêutico responsável pela Farmácia Básica, Dorimar Stiz.
Farmácias e município terceirizam descarte
De acordo com o diretor da Vigilância Sanitária de Gaspar, Luiz Carlos Venske, tanto as drogarias de Gaspar como a prefeitura encaminham os medicamentos descartáveis a uma empresa terceirizada com licença ambiental para o destino final correto dos remédios.
Segundo Luiz, os medicamentos controlados são trazidos às unidades de saúde e ao Centro, assim como os não controlados. Dependendo da medicação é realizada separação em caixas e em lixos infectantes, que são encaminhados à empresa terceirizada que faz o tratamento adequado dos medicamentos descartados. ?Estamos cumprindo a lei da obrigatoriedade de elaboração e apresenta¬ção do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde, a PGRSS, que inclui a destinação correta de remédios descartados?, afirma Luiz.
As farmácias são obrigadas por lei a contratarem uma empresa que dê o destino correto aos medicamentos. ?Separamos os remédios controlados, os antibióticos e os chamados cortantes, e encaminhamos para empresa responsável pela destinação final?, conta a gerente Débora Pescador Giusti.
Edição 1611
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