Dia Nacional da Adoção: a mais pura arte de amar - Jornal Cruzeiro do Vale

Dia Nacional da Adoção: a mais pura arte de amar

25/05/2019

Neste sábado, dia 25 de maio, celebra-se o Dia Nacional da Adoção. A data, além de dar destaque para lindas histórias como a que você vai ler a seguir, também expõe um problema bastante grave: a busca de pais que estão na fila de adoção por crianças que se encaixam em um determinado perfil.

Conforme dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, 594 crianças e adolescentes foram adotadas em 2018 no Estado. Este número, porém, é pequeno quando comparado com cerca de 3,4 mil que estão habilitadas para adoção e 200 remanescerem em abrigos por não preencherem o perfil desejado pelos pretendentes. Isso porque a maioria dos candidatos quer adotar crianças entre zero e três anos de idade.

A juíza Liana Bardini Alves, responsável pela Vara da Família, Infância e Juventude da comarca de Gaspar fala sobre a situação e destaca que não existe burocracia nos processos de adoção. “O que existe é o fato de a maioria das crianças não se encaixar no perfil que os casais querem. Poucos aceitam crianças mais velhas, que é o que nós chamamos de ‘adoção tardia’. Quando uma mulher engravida, por exemplo, não é possível escolher o sexo do bebê e nem impor que ele venha saudável ou com alguma doença. Na adoção é a mesma situação. Por isso eu digo que o processo de adoção não é burocrático”.

Ainda segundo a juíza, hoje Gaspar não possui crianças na fila de adoção que se encaixam no perfil que a maioria dos pais procura. “No ano passado, por exemplo, não realizamos a adoção de nenhuma criança de zero a três anos aqui. Mas, em contrapartida, fizemos várias ‘adoções tardias’, e isso me deixa muito feliz”.

Processo de adoção 

A juíza da Vara da Família, Infância e Juventude da comarca de Gaspar, Liana Bardini Alves, explica que o processo de adoção é feito em duas etapas: a habilitação do casal e a escolha da criança. “Na habilitação é preciso trazer a juntada de documentos. Depois os pretendentes passam por um curso e o juiz vai dar a sentença habilitando o casal pra adoção. Nesse processo de habilitação, eles vão traçar o perfil de como querem a criança. E, ali, eles tão aptos pra adoção”.

A segunda etapa acontece quando a criança chega ao Fórum para ser adotada. “Essa primeira seleção é feita por um sistema. Se um casal quer uma criança de até cinco anos, o sistema não vai puxar nenhuma que tenha mais que essa idade. Depois, a gente vai avaliar se o perfil da criança se se encaixa com o casal”, finaliza a juíza.

“No ano passado, por exemplo, não realizamos a adoção de nenhuma criança de zero a três anos aqui. Mas, em contrapartida, fizemos várias ‘adoções tardias’, e isso me deixa muito feliz” - Liana Bardini Alves, juíza da Vara da Família, Infância e Juventude da Comarda de Gaspar. 

 

Um anjo chamado GABRIEL

 

 

A partir de agora, você vai conhecer a história de Gabriel. O menino é a que prova de que não existe perfil ideal quando a intenção é receber um filho com muito amor. Ele foi adotado com oito anos por Clélia Deschamps, de 34 anos; e Mauricí da Trindade, de 52. Há dez meses, o menino vem transformando a vida da família.

A possibilidade de uma adoção entrou na vida do casal após 13 anos de casamento, quando exames comprovaram que Mauricí, que já é pai de um rapaz de 28 anos, não poderia mais ter filhos. Num primeiro momento, o casal resolveu apostar em uma fertilização artificial. Após três tentativas, porém, eles resolveram entrar para a fila de adoção. “Estávamos com todos os exames prontos para fazer outra fertilização no final de julho do ano passado quando nos chamaram pra ver o Gabriel”, lembra Clélia.

Fila de espera

O casal entrou para a fila de adoção em julho de 2017 e no dia 17 de julho de 2018 trouxeram o filho pra casa. Para eles, o processo de adoção foi rápido pelo perfil de criança que escolheram. “A princípio, queríamos uma criança de até cinco anos. Mas, após o curso de adoção, aumentamos a idade para nove. Não colocamos muitas características. Simplesmente queríamos um filho”.

Pai pela segunda vez, Mauricí conta sobre a primeira vez que viu Gabriel, por foto. “Quando ela [a esposa] me ligou e disse que tinha uma criança para nós, eu me surpreendi, porque foi muito rápido. Fomos ao Fórum e, quando eu olhei a foto na tela do computador, disse: ‘eu quero ele’. Eu não quis saber de onde era, o que tinha, qual a sua história. Só sabia que queria essa criança pra mim”.

Adaptação

Conforme contam os pais, a adaptação do menino com a nova família foi muito tranquila, principalmente para a criança. “Eu acho que pra ele foi muito mais fácil do que pra nós. Por mais que tenhamos sobrinhos e primos, ter um filho de oito anos na mesma casa, depois que estamos vivendo 13 anos juntos, muda toda a rotina do casal”.

Foi no colo de Clélia e Maurici que Gabriel encontrou o verdadeiro significado da palavra segurança. “Nos primeiros dias, ele demonstrava medo e insegurança em relação à figura paterna. Quando eu ia colocar o tênis ou fazer algum gesto, como passar a mão na cabeça dele, ele se curvava. Se retraía. Um dia, fazendo os deveres, ele se encolheu todo. Mas, acontecia só comigo. Acredito que ele tinha algum problema com o pai biológico. Mas agora está tudo resolvido e não queremos saber sobre o passado dele”, conta Mauricí.

Mudança dos pais

Antes da chegada de Gabriel, a vida de Clélia e Mauricí era bastante desregrada. Com a correria do dia a dia, acabavam comendo muitas alimentos como pizza, pastel e cachorro quente. A partir da chegada da criança, muitos hábitos tiveram que ser revistos e, por influência do filho, o casal passou a se alimentar de forma mais saudável. Com isso, eles perderam juntos 18 quilos. “Muitas coisas mudaram. Nós não tínhamos o hábito de tomar café e ele tem. Agora, todo dia de manhã tem cafezinho com pãozinho com queijo, presunto. E a gente acompanha. Ele adora pepino e alface na salada. Linguicinha era uma coisa que nunca tivemos em casa e ele adora”, destaca o pai. 

Uma nova chance

Ao ganhar uma nova família e uma nova chance de crescer em um lar repleto de amor e ternura, Gabriel teve a oportunidade de deixar o passado para trás. Por conta própria, ele pediu para a juíza para trocar de nome. Ele escolheu se chamar Gabriel, o pequeno anjinho que chegou para mudar a vida de Mauricí e Clélia.

Apesar de responder com poucas palavras, o menino é comunicativo, inteligente e apegado aos pais. Ao ser perguntado se estava feliz, o ‘sim’ e um sorriso saíram com facilidade. Ele ainda disse que a mãe está mais bonita e mais feliz do que no dia em que a conheceu. “Agora ela gosta de comer alface”, diz Gabriel, sem ter ideia de que o seu amor transformou os pais.

Emocionado, o casal destaca a sorte que teve. “Tudo que a gente fala, ele diz: ‘tá bom, mãe’; ‘tá bom, pai’. Não responde e obedece. É uma criança maravilhosa”. E o pequeno já pede por uma irmãzinha e o casal garante que, se uma próxima fertilização não der certo, vai entrar na fila de adoção novamente.

 

Edição: 1902/ Fotos: Cruzeiro do Vale e arquivo pessoal 
 

 

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