Dia Nacional da Adoção: amor além do sangue - Jornal Cruzeiro do Vale

Dia Nacional da Adoção: amor além do sangue

25/05/2018
Dia Nacional da Adoção: amor além do sangue

Adotar significa oportunizar a uma criança ou adolescente a chance de ter uma família. E foi assim, em um ato de amor incondicional, que Cleide, de 45 anos; Clarice, de 36; e Bruno, de 32; tornaram-se irmãos. Quando ainda eram bebês, seus caminhos se entrelaçaram quando foram adotados por dona Elza e seu João Antônio de Oliveira.

Na data em que se comemora o Dia Nacional da Adoção (25 de maio), o casal recorda como foi tomar a decisão de adotar três crianças. Tudo aconteceu em 1973. Elza realizava tratamentos para engravidar quando descobriu que não poderia gerar uma criança. Foi então que seu médico a aconselhou a adotar.

Quando souberam que, em Itajaí, uma menina esperava por uma família, dona Elza e seu João não tiveram dúvidas: queriam que Cleide se tornasse sua filha. Mais tarde, Clarice e Bruno chegaram para completar a família.

Histórias de família

Desde crianças os três filhos sabem que são adotados e o assunto sempre foi tratado com transparência em casa. “Quando eram pequenos, eles perguntavam porque as tias tinham fotos grávidas e eu não. Daí eu dizia que eles não nasceram do meu ventre, nasceram do meu coração”, conta Elza.

Apesar da abertura quando o assunto é adoção, os três nunca tiveram interesse em manter contato com a família biológica. Em 2007, já adulta, Clarice chegou a ter um único contato com a mãe. E isso fez fortalecer ainda mais o vínculo e o amor pela família adotiva. “Talvez se um dia eu souber que eles precisam de algo eu posso ajudar. Mas, nesse momento, são conceitos de vida diferentes. Realidades diferentes. E eu acho que jamais me encaixaria no conceito deles”, desabafa Clarice.

O caçula, Bruno, chegou a ver a documentação de sua mãe biológica e não se interessou em ir adiante. “Cada filho tem uma cabeça diferente em relação a isso. A mana tem a opinião dela e eu a minha. Não tenho interesse em ir atrás porque foi muito bom ser criado por esses dois guerreiros”.

Amor sem tamanho

Dona Elza enche-se de orgulho ao dizer que os três filhos são dela e que adotar foi a melhor decisão que já tomou. E esse amor é retribuído nas mesmas proporções. “Eles que nos escolheram e nos criaram muito bem. Nunca nos faltou nada. Graças a Deus, minha mãe biológica me deixou no hospital para quem tivesse interesse e, no momento e hora certa, meu pai passou e me quis. Eles nos acolheram e estamos juntos até hoje”.

Processo de adoção

Quando se fala em adoção, uma das primeiras coisas que vem à cabeça é a burocracia e as longas filas de espera. Para Clarice, que atua como Assistente Social, filas são causadas pelos próprio candidatos, que são muito criteriosos em relação ao que esperam da criança. “O primeiro pensamento do casal é adotar uma boneca: um bebê recém-nascido, de pele clara e olhos azuis e o que nós mais temos nos abrigos hoje são crianças prontas pra adoção tardia. E a crianças de 12 anos? O adolescente de 15? Eles não têm direito a serem inseridos em um ambiente familiar?”, questiona.

Para entrar na fila de adoção, o candidato precisa, entre outras regras, ser maior de idade e ter, necessariamente, 16 anos a mais que o adotando. Documentos pessoais, comprovante de residência e todos os documentos necessários devem ser levados ao Fórum para que seja iniciado todo o processo. Após a habilitação, inicia a busca pela criança que se encaixa nos critérios escolhidos pelos futuros pais. Após ambas as partes se encontrarem, acontece o último passo: a adoção em si. Não é possível determinar o tempo de espera na fila.

 

Edição 1852

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.