Dia Nacional da Doação de Órgãos deixa em evidência a nobre missão de salvar vidas - Jornal Cruzeiro do Vale

Dia Nacional da Doação de Órgãos deixa em evidência a nobre missão de salvar vidas

27/09/2018

Conscientizar, aceitar e refletir sobre a importância de uma das ações mais bonitas existentes. Na quinta-feira, 26 de setembro, o Brasil comemora o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Embora a tecnologia venha facilitando o exercício da medicina e o país esteja em plena evolução quanto à desburocratização desse processo, o último levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), referente ao primeiro semestre de 2018, indica um crescimento de apenas 1,7% no número de doações realizadas com sucesso.

Por outro lado, conforme o Registro Brasileiro de Transplante (RBT), nesse mesmo período, mais de 15 mil pessoas entraram na fila de espera por algum órgão. O dado mais recente do Centro Estadual de Transplantes de Santa Catarina aponta que, em agosto deste ano, 322 pessoas precisavam de rins, 63 de medula óssea, 60 de córneas, 20 de fígados, nove de pâncreas e nenhuma pessoa esperava a doação de coração.

A retirada de órgãos para doação só é permitida, conforme a legislação brasileira, mediante a autorização de membros da família quando o potencial doador falecer. Segundo informa a ABTO, nenhuma declaração em vida é válida ou necessária. “Não há possibilidade de deixar em testamento, não existe um cadastro de doadores de órgãos e nem são mais válidas as declarações nos documentos de identidade, carteiras de habilitação e carteirinhas de doador”.

Porém, pessoas vivas também podem ser doadoras. Nesse caso, são considerados adequados apenas os órgãos duplos como rins, pulmões ou parte do fígado, pâncreas e medula óssea, por exemplo. Além disso, o prontuário médico do doador deve conter o resultado dos exames feitos para avaliar a possibilidade da remoção do órgão e do transplante, necessitando ainda a autorização do Poder Judiciário.

Número de transplantes no Brasil (1º semestre de 2018)

Córnea
7.369 transplantes;

 Rim
2.858 transplantes;

Fígado
1087 transplantes;

Coração
189 transplantes;

Pulmão
65 transplantes;

Pâncreas/rim
43 transplantes;

Pâncreas
15 transplantes.

Missão: salvar vidas

Se, de um lado, a perca de um ente querido deixa marcas que jamais são esquecidas, de outro, o ato de ajudar a salvar uma vida se transforma em um sentimento que poucos têm a honra de sentir. Em setembro de 2014, o bombeiro militar Maurício Valls morreu após se envolver em um grave acidente de trânsito enquanto exercia sua função.

Com a confirmação da morte cerebral vinda alguns dias após o acidente, Valls continuou cumprindo sua missão, que foi ‘salvar vidas’. Ele foi o doador do coração que deu a Jair Inácio Costa, de 63 anos, a chance de viver. Além do coração, a família de Valls doou as córneas, o fígado e os rins do bombeiro. “O seu destino era vir para a terra para fazer o bem. Onde quer que ele esteja neste momento, sei que está feliz, pois continuou a ajudar as pessoas até quando não imaginou conseguir”, disse, na época, a filha de Jair, Sandra Maria Costa Noriller.

Após receber o coração do bombeiro, Jair viveu ao lado da família por mais nove meses, após sofrer uma parada cardiorrespiratória e ficar internado no hospital.

 

Edição 1870

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