Dois fósseis de quase 6 mil anos são encontrados em Ilhota, nas obras de duplicação da BR-470 - Jornal Cruzeiro do Vale

Dois fósseis de quase 6 mil anos são encontrados em Ilhota, nas obras de duplicação da BR-470

25/09/2018
Dois fósseis de quase 6 mil anos são encontrados em Ilhota, nas obras de duplicação da BR-470

Menos de um mês após grande parte da história do Brasil se perder durante o incêndio que destruiu o Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, a identidade de dois fósseis encontrados em Ilhota foi revelada. As ossadas de 5.880 anos são de uma mulher, com idade entre 20 e 30 anos, e de outra pessoa de sexo não identificado.

Os dois esqueletos foram encontrados em maio deste ano durante as obras de duplicação da BR-470, no trecho de Ilhota, a cerca de 60 centímetros de profundidade. As ossadas foram enviadas para Flórida, nos Estados Unidos, onde passaram por uma série de análises. A confirmação foi enviada aos pesquisadores catarinenses há alguns dias.

Segundo o arqueólogo Valdir Luiz Schwenber, responsável pela pesquisa, os esqueletos foram encontrados em um sítio arqueológico denominado ‘Sambaqui Ilhota 2’. O profissional explica que estes locais tiveram ocupação humana no período pré-colonial e, em Santa Catarina, os sambaquis são formados por conchas, sedimentos e restos de fogueiras. O arqueólogo destaca ainda que o local é isolado e não tem água potável. Por isso, existe a hipótese de que a área tenha sido utilizada para cerimônia e ritos funerais, o que explica a presença das duas ossadas e também de restos de fogueira.

A área em que os esqueletos foram encontrados foi cercada e sinalizada para que possa se tornar um espaço educativo. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Denit, a descoberta arqueológica não interfere nas obras de duplicação da BR-470.

As ossadas seguem sendo analisadas. As pesquisas são conduzidas por uma empresa de Tubarão, credenciada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e deve ser concluída até o final deste ano. Depois, elas serão encaminhadas para a Universidade do Extremo Sul Catarinense, localizada em Criciúma.

 

Edição: 1870

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