Ele encontrou uma alternativa para fugir do trânsito caótico de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Ele encontrou uma alternativa para fugir do trânsito caótico de Gaspar

14/10/2010

fotopg12abrecolorMD.jpgTodos os dias, Godofredo Werner sai de casa bem cedo para trabalhar. Ao invés de pegar as chaves do carro, o mecânico pega o remo, a batera e segue em direção ao trabalho pelas águas do rio Itajaí Açú.

O morador do bairro Lagoa faz o mesmo trajeto há 31 anos e poucas vezes trocou o transporte aquático pelo terrestre. ?Quando vou de carro me estresso muito com o trânsito e com as longas filas que se formam todos os dias nas estradas de Gaspar. De carro demoro muito mais para chegar em casa do que de batera?, conta o mecânico.

Quando começou a trabalhar, em junho de 1979, a embarcação era o único meio de transporte viável para levar este gasparense até a empresa situada na margem direita do rio. ?Minha família não tinha carro e os ônibus tinham horários escassos. Hoje tenho as duas opções, mas ainda prefiro ir pelo rio, pois o contato com a natureza é revigorante depois de um dia de trabalho?, relata.

Além de Godofredo, outros sete funcionários da empresa onde ele trabalha fazem a travessia do rio Itajaí Açú diariamente. Todos passaram por instruções da empresa e só podem fazer a travessia com o uso de proteção adequada, como o colete salva-vidas, que pode evitar afogamentos em caso de acidentes.


Os acidentes de percurso foram poucos nestes 31 anos de travessia feita pelo seu Godofredo. Diferente do trânsito pelas estradas, que a diariamente registra pequenas batidas e colisões, principalmente envolvendo motos e carros, no rio o único problema é a falta de atenção e a velocidade das águas. As quatro vezes em que Godofredo caiu nas águas foram em períodos de cheias, quando a maré estava alta. ?Por duas vezes caí durante a ida ao trabalho, daí tive que voltar para casa e trocar de roupa para poder ir trabalhar?, lembra o gasparense.

Nem mesmo a chuva impede Godofredo de fazer seu trajeto todos os dias. ?Quando está chovendo não adianta escolher o carro, pois nestes dias é que o trânsito fica ainda pior. Eu ponho minha capa de chuva, às vezes pego um guarda chuva, e vou até a empresa?, relata.


Porto

Na margem direita do rio, Godofredo tem seu próprio porto, onde deixa a embarcação guardada durante o período em que está no trabalho. Por quatro vezes a batera chegou a ser roubada, e agora, para evitar os roubos, o mecânico deixa sua embarcação presa a uma corrente com cadeado.


Além das novas bateras adquiridas após os roubos, a cada quatro anos Godofredo também precisa trocar de embarcação, pois o tempo de vida útil é curto. ?O investimento é de R$500, mas vale pela economia que tenho, pois não gasto com gasolina e nem com passagem de ônibus, além de estar fazendo um exercício físico enquanto vou ao trabalho?, comenta o gasparense, que nos próximos anos irá se aposentar do trabalho, mas não planeja aposentar o remo tão cedo.


O único trajeto terrestre que Godofredo pode fazer para chegar ao trabalho é seguir pela Estrada Geral da Lagoa em direção ao centro da cidade, onde a única ponte, a Hercílio Deeke, faz a travessia de milhares de pessoas todos os dias por cima das águas do rio Itajaí Açú. Da ponte, Godofredo teria que seguir pela Avenida das Comunidades e pela rodovia Jorge Lacerda até chegar á empresa onde trabalha.

O trajeto é de cerca de dez quilômetros e em dias sem muito congestionamento demora cerca de meia hora. De batera ele leva doze minutos para fazer a travessia dos 500 metros do rio. ?De carro é ruim, de bicicleta é perigoso, por isso escolho a batera?, justifica o morador do bairro Lagoa.

Uma das alternativas para aproximar a distância da casa de Godofredo até a empresa, e para acabar com os congestionamentos na área central de Gaspar, é a construção de uma segunda ponte na cidade. O projeto começou a ser planejado na gestão anterior do prefeito Pedro Celso Zuchi, teve a adesão do ex-prefeito Adilson Schmitt, e continua sendo uma luta da atual administração, porém, até hoje, não conseguiu sair do papel.


Ponte

Denominada Ponte do Vale, a segunda ponte que fará a ligação das duas margens do rio Itajaí Açú em Gaspar está orçada em R$51 milhões. Segundo informações repassadas pela equipe da Secretaria de Planejamento do município, o projeto está em análise técnica pela Caixa Econômica Federal. Há ainda uma carta consulta no Ministério das Cidades para verificar se o município pode licitar a obra toda.

Apesar de já ter garantido o repasse de R$24,6 milhões, ainda não há previsão para o início das obras.  A abertura da licitação, conforme explica a equipe de Planejamento, ainda depende da análise da Caixa e da resposta da Carta Consulta pelo Ministério das Cidades.

edição 1238

Comentários

Herculano
15/10/2010 21:59
Sr.Alfredo
Navegar de Rio do Sul a Blumenau pelo Rio Itajaí Açú? Você conhece este trecho do Rio? Sem eclusas (investimento caro e que exige permanente dispendiosa manutenção), parece-me impossível a partir da Itoupava Norte, em Blumenau. O problema que o senhor menciona no centro de Blumenau, é fichinha diante dos desníveis acentuados e das corredeiras que se apresentam a montante.
Alfredo silva
15/10/2010 13:29
a Prefeitura de Blumenau realizou um estudo de navegabilidade do rio Itajai-açu.
Foi confirmado que é possivel se navegar de Rio do Sul até Itajai, sendo necessário apena uma implosao proximo do centro de Blumenau.
Mas interesses politicos barraram o que poderia ser uma alternativa de transporte de cargas e passageiros bem como um atrativo turistico para o Vale.
cecilia werner
14/10/2010 10:48
ae primo gostei dessa materia muito legal vc provou que é inteligente e criativo boa sorte
Dr. Dagberto
14/10/2010 09:21
Do jeito que o trânsito em gaspar anda, o negócio é andar de barco mesmo...

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