
O forte cheiro vindo da empresa Greentex Especialidades Químicas, localizada na rua Prefeito Bernardino de Souza, no bairro Bela Vista, em Gaspar, tem se tornado mais que um simples e corriqueiro odor ruim. Há cerca de um ano, moradores e trabalhadores daquela região enfrentam as consequências de inalar esse ar diariamente. Alguns, inclusive, passam por problemas de saúde.
Jéssica Gabriela Kramer Souza trabalha em uma confecção próxima à empresa. Para ela, a situação está ficando insuportável. “O cheiro intenso nos provoca reações como tontura, ânsia de vômito e dor de cabeça. Muitas vezes somos liberados mais cedo pois se torna impossível ficar dentro do ambiente de trabalho”, descreve.
Anderson Barbosa e Edson Perri compartilham da mesma opinião da colega de trabalho. “Alguns funcionários passam mal com o cheiro insuportável. Já tentamos conversar com a empresa que vem ocasionando esse desconforto. Eles dizem que vão parar, mas infelizmente não fazem nada a respeito”, conta Anderson.
O empresário Pablo Hage é mais um exemplo de quem lida diariamente com esse desconforto. “Estão gerando um transtorno muito grande com o cheiro químico forte. Inclusive, tive funcionários que desmaiaram e vomitaram por conta do odor. Precisei liberá-los para casa. Os órgãos públicos ainda não resolveram. Estamos de mãos atadas”.
Órgão fiscalizador
De acordo com o Superintendente de Meio Ambiente de Gaspar, Raphael de Gasperi, a equipe de fiscalização da prefeitura já esteve no local. Apesar disso, a empresa é licenciada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA). “Estamos cientes do caso e a situação é grave. Porém, temos que agir conforme determina a Lei. Foi aberto um protocolo na ouvidoria do Estado e, com isso, será agendada uma fiscalização em conjunto, com o IMA e o Meio Ambiente municipal. Essa agenda ainda não foi datada, porque dependemos da disponibilidade do Estado, que é quem emitiu a licença para a empresa”, detalha.
Ainda conforme Raphael, o IMA foi comunicado através da regional de Blumenau. “Pedimos bastante urgência. Caso não seja tomada uma atitude, o município pode ir até o local e embargar os trabalhos”.
Em nota assinada por Jan Buhr, engenheiro químico e proprietário da GreenTex, a empresa se posicionou: A Greentex está estabelecida neste local há quase 20 anos e todos os procedimentos e exigências legais, como Alvará e Licença Ambiental, sempre foram e são cumpridos. Independente disto, não temos qualquer intenção de prejudicar a comunidade seja como for. Acreditamos que viver em harmonia é fundamental. Sempre estivemos atentos e preocupados com o bem estar, não só da população, mas com os nossos funcionários também. É certo que tivemos problema com odor na nossa produção, fomos fiscalizados pelo órgão ambiental e nosso compromisso foi trabalhar para mitigar o problema. Foi um problema pontual e desde já pedimos desculpas se ocasionamos algum problema a população”.
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