Enfermeiro alega perseguição após ser demitido em Ilhota - Jornal Cruzeiro do Vale

Enfermeiro alega perseguição após ser demitido em Ilhota

09/09/2022
Enfermeiro alega perseguição após ser demitido em Ilhota

A demissão do enfermeiro concursado e coordenador da Unidade de Saúde do bairro Minas, em Ilhota, João Marcos Werner, está causando polêmica. A portaria foi divulgada no Diário Oficial da União do dia 2 de setembro, após ser aberto um Processo Administrativo em desfavor do profissional, que estava no cargo há dois meses e acusa o poder público de perseguição.

A demissão levou o enfermeiro a usar as redes sociais para falar sobre o caso e apresentar fotos da situação em que se encontrava a Unidade quando assumiu a coordenação. Em um trecho do vídeo divulgado, ele diz: “fui demitido pela prefeitura e venho mostrar minha indignação. Assumi a coordenação em agosto e me deparei com a falta de profissional e duas microáreas descobertas. A gente já estava há nove meses sem agente de saúde na Unidade e a prefeitura alega que não tem pessoas para trabalhar. Mas claro, eles não recebem o que é de direito salarial e nem insalubridade. Manifestei minha indignação e comecei a ser perseguido...”.

Motivo da demissão

O principal motivo da demissão, segundo João, é o fato de ele não ter realizado um atendimento agendado para às 13h do dia 21 de julho. “A visita foi suspensa pela equipe médica e eu que tive que responder injustamente, sendo que todas as testemunhas falaram a meu favor”.

Neste dia, o profissional encerrou o último atendimento às 12h40, conforme consta nos autos do processo. De acordo com João, o atendimento das 13h não foi realizado devido à alta demanda na unidade, que fez com que o último paciente saísse do local faltando 20 minutos para às 13h.

Segundo a secretária de Saúde de Ilhota, Jéssica Costa, o enfermeiro deveria também ter realizado o agendamento do veículo para este atendimento, ato que não aconteceu. João justifica que, em relação ao veículo, não sabia que precisava agendar a utilização, já que em outras Unidades de Saúde havia um veículo disponível para as visitas.

João Werner era concursado e atuava na Unidade do bairro Minas desde o dia 1º de julho. Ele era contratado para trabalhar 40 horas semanais.

Ligação com ofensas

Toda a polêmica teve início quando a cuidadora da paciente que não foi atendida ligou para o posto e ofendeu a equipe. O fato é confirmado por todos, inclusive em depoimentos prestados. A situação chegou ao conhecimento da Secretaria de Saúde no dia seguinte. Foi aí que um Processo Administrativo, datado em 27 de julho de 2022, foi aberto para apurar a ‘negativa de atendimento’.

Processo Administrativo

Conforme o Processo Administrativo: no dia 21 de julho, no período da tarde, o enfermeiro João Marcos Werner, responsável pela Unidade Básica de Saúde André José Schmitt, recusou-se em fazer visita domiciliar a um paciente de 81 anos de idade. Em conversa com a Secretária de Saúde, na qual questionou o motivo de não ter realizado a visita ao paciente, relata ele que familiar da paciente ligou questionando grosseiramente o motivo da demora da visita. Por não ter gostado da forma que o familiar questionou o profissional, João junto com médico Wander recusaram ir fazer visita ao paciente.

Em depoimento, o médico citado, Wander da Silva Moreira, confirmou que a equipe foi ofendida. Já no parecer final do Processo Administrativo, há a informação de que “fatos nos levam a acreditar que a decisão foi tomada em conjunto, pelo médico e o enfermeiro”.

O que diz a prefeitura

A secretária de Saúde de Ilhota, Jéssica Costa, alega que João deveria cumprir os horários estabelecidos, fazer o agendamento com o motorista para ir até o endereço necessário e informar à Secretaria sobre o ocorrido, o que aconteceu somente no dia seguinte. “João vem desobedecendo regras da coordenação desde que assumiu o cargo. Como, por exemplo, ficar na unidade após o fechamento e não comunicar a coordenação, como também largar a Unidade de Minas e se dirigir até a Unidade Central para pegar equipamentos para utilizar em pacientes sem autorização e prescrição médica”, argumenta a secretária.

A coordenadora das Unidades de Atenção Básica em Ilhota, Luziane Salles, diz que João foi chamado para uma conversa em relação aos horários, incluindo o cumprimento do intervalo de uma hora entre meio dia e 13h. Porém, segundo ela, ele não respeitava as normas repassadas e ultrapassava os horários de atendimento, “o que somente é permitido em casos de urgência e não para renovar receitas, como já aconteceu”, exemplifica.

Contraponto

Em relação ao equipamento vindo da Unidade de Saúde Central, João justifica que ele era necessário para uma paciente com lesão, que necessitava de sonda. “Eu e a técnica de enfermagem fomos à Unidade Central em um dia que não tinha energia no posto e na casa da paciente, inclusive, fazer a visitação. Não tinha médico e nem nada. No dia de fazer curso, a unidade fica sozinha. Mas quando a gente quer fazer algo em prol da comunidade está errado?”, questiona.

Em relação aos horários, o enfermeiro afirma que em nenhum momento recebeu informações ou advertências. “A única coisa que ela me disse é que eu precisaria fechar a unidade nos horários estabelecidos, mas não posso fazer isso enquanto tem paciente lá dentro”, justifica.

 

 

Edição 2071
 

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