Há quem diga que um olhar é capaz de transmitir as mais diversas palavras sem precisar pronunciar uma só letra. Este tipo de comunicação, porém, só é possível para aqueles que se conhecem muito bem e convivem juntos há anos. Não seria acaso, então, dizer que os olhares de Erasmo e Alida dizem muito um ao outro. E mais. Transmitem, a quem não consegue entender a conversa, boa parte do carinho e do grande amor que compartilham.
A bela história do casal começou a ser construída no final da década de 1940, quando ainda eram adolescentes. De lá para cá, o relacionamento passou por muitas mudanças, mas o respeito e a admiração que sempre tiveram um pelo outro permaneceram inalteráveis. ?Era coisa de criança e por isso é tão engraçado e gostoso relembrar nossos primeiros momentos. Não era nada parecido com os namoros de hoje. A gente se via às vezes e conversava um pouco. Era esse o namoro de antigamente. Uma época muito boa?, lembra dona Alida. Ela tinha apenas 13 anos quando aceitou o pedido de seu Erasmo. Apesar de se conhecerem há algum tempo já que terem amigos em comum, o dia em que decidiram iniciar o namoro ainda está muito vivo na memória de Alida e também, embora com menos intensidade, na de seu Erasmo. ?Éramos muito tímidos. Lembro que começamos a conversar em uma festa que hoje já nem existe mais na cidade e, a partir daí, não nos separamos mais?, explica.
Por ser ainda muito nova e nunca ter namorado antes, dona Alida teve certa resistência do pai quanto ao namoro. No início, pouco se viam e Erasmo não podia ir até a casa dela. Isso só passou a acontecer algum tempo depois, quando o pai de Alida aceitou o relacionamento. Mesmo assim, as visitas eram apenas aos finais de semana. ?Pegar na mão era totalmente proibido. Durante as visitas, trocávamos olhares e conversávamos bem pouco. Era assim que namorávamos e foi assim que nos apaixonamos?, destaca a senhora de 79 anos.
Mais tarde, quando Erasmo precisou servir ao exército na companhia de Blumenau, o casal passou a se ver menos. A distância, porém, não prejudicou em nada o relacionamento. ?Já que não nos víamos, começamos a mandar cartas um para o outro toda a semana. Era algo muito legal e quando podíamos nos ver a alegria estava feita?, relembra Erasmo. Somente após cinco anos de namoro eles se casaram. A cerimônia na Igreja Matriz, em Gaspar, marcou o início de uma vida a dois repleta de histórias inesquecíveis marcadas pelo amor e pela união.
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?A família é o que me mantém vivo?
Pela casa de seu Erasmo e dona Alida o que mais se vê são fotos. Não importa se estão penduradas na parede, em cima de estantes, ou em porta-retratos e álbuns fotográficos, todas marcam algum momento familiar e mostram a união entre pais, filhos, netos e bisnetos. ?Não existe alegria maior no mundo do que receber a visita dos filhos, netos e bisnetos. Nessas horas eu percebo o quanto a minha vida valeu a pena?, afirma seu Erasmo. Dona Alida completa: ?o amor pela família é o que há de mais importante nessa vida?. A família do casal Oliveira conta com quatro filhos, 13 netos e dois bisnetos - o terceiro já está a caminho. Animados, os integrantes da família sempre promovem almoços e festas para reunir todos e compartilhar bons momentos. O próximo encontro acontece neste sábado, dia 6, e marcará a comemoração dos 60 anos de união dos patriarcas da família.
Quando falam sobre o início da vida familiar e os primeiros momentos com os filhos, Erasmo e Alida se sentem orgulhosos dos caminhos que trilharam para ter a vida que têm hoje. ?No início nunca é fácil, não é? Casamento não é brincadeira, ainda mais quando você tem que cuidar de uma casa inteira, trabalhar na roça e cuidar dos filhos ao mesmo tempo. Mas conseguimos. Sempre com muito esforço e muita coragem fomos em frente e hoje temos uma família linda e uma vida muito boa?, ressalta Alida. Além da família, os motivos dos sorrisos do casal estão nos amigos e na rotina de vida que levam. Ambos fazem parte do grupo da terceira idade, onde conhecem novas pessoas, viajam e se divertem.
Edição 1620
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