
Alunos da Escola Honório Miranda e a comunidade gasparense podem descartar aparelhos de telefones celulares danificados e óleo de cozinha em pontos de coleta localizados no educandário, no Centro de Gaspar. As iniciativas contribuem com a formação dos estudantes, que conhecem de perto os efeitos de programas ligados à sustentabilidade, e também beneficiam a comunidade, que passa a contar com um caminho mais curto para dar destino correto a materiais que podem prejudicar o meio ambiente.
A professora de Sociologia Lindair Schneider idealizou o projeto e tem comandado os trabalhos em favor do desenvolvimento sustentável desde o início do ano letivo de 2012. No entanto, ela ainda batalha para o trabalho de conscientização ambiental engrenar. ?Procuro estimular os meus 360 alunos em sala de aula sobre a importância do projeto que a Escola Honório Miranda tem, mas às vezes percebemos que falta diálogo e engajamento, o que torna a sequência do trabalho de reciclagem cada vez mais difícil?, lamenta.
Lindair conta que a ideia foi se desenvolvendo a partir de uma pesquisa realizada pelos próprios alunos na Praça Getúlio Vargas, em frente à prefeitura. De acordo com a docente, na época estava acontecendo o Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2012, cujo objetivo era discutir a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável do planeta.
Consequências
?Na pesquisa feita pelos alunos verificou-se que boa parte dos cidadãos não tinha o hábito de fazer a separação correta na hora de descartar aparelhos celulares, o que impulsionou a decolagem do projeto de reciclagem. Deixamos a teoria e começamos a praticar um dos assuntos abordados na Rio+20. Não somente os alunos, mas a comunidade de Gaspar tem à disposição nossos pontos de coleta na escola?, estimula a professora, que tem um trabalho em mestrado em Desenvolvimento Regional, que aborda temas desde economia e políticas públicas da região de Gaspar. ?Os alunos têm recebido bem o projeto. Eles têm captado que tudo que a sociedade fabrica tem um preço, e quem paga é a natureza?, complementa.
Segundo Lindair, dependendo da quantidade de fabricação de aparelhos celulares, pode-se chegar a iluminar uma cidade de 170 mil habitantes. ?A vida útil de um celular, segundo pesquisas, é de dois anos. O aparelho é tóxico e muitos cidadãos não têm esse conhecimento. Dormir com o celular próximo é extremamente prejudicial?, observa. Neste ano, a coleta de telefones celulares começou tímida, com menos de 10 aparelhos descartados, mas a expectativa é de que a conscientização coloque novamente o projeto em destaque. Os aparelhos celulares são encaminhados para uma revenda de celular, que destina os aparelhos a uma empresa terceirizada especializada em reciclagem, segundo a professora.
Óleo de Cozinha
Com o lema ?Óleo pela Natureza?, a Escola Honório Miranda promove também o projeto de coleta de óleo de fritura em garrafa pet, usado geralmente em cozinha. A campanha de óleo iniciou antes da coleta de telefones e baterias de aparelho celular. ?Temos dois barris de armanezamento de gordura vegetal que quando enchidos são encaminhados a empresas interessadas. Este ponto de coleta de óleo está também à disposição da comunidade de Gaspar?, reforça.
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