A emoção tomou conta dos ex-professores e ex-diretores da escola Mário Pederneiras na tarde deste domingo, 13 de junho. Uma grande homenagem foi preparada pelos atuais alunos e educadores da escola para relembrar a história da construção e o início das atividades do educandário do bairro Lagoa.
Além dos ex-professores, que trabalhavam na escola nas décadas de 1950 a 1980, pais dos atuais alunos e pessoas da comunidade também participaram da festa organizada pela escola, que teve muitas atrações e completo serviço de bar e cozinha. ?Ficamos muito satisfeitos com a grande participação da comunidade. A festa foi excelente e por isso queremos agradecer o empenho e dedicação de todos que participaram e ajudaram?, comenta atual diretora, Claudete L. Nagel de Andrade.
O evento também foi organizado pela coordenadora pedagógica Solange R. Venturini, que teve a ideia de buscar um pouco mais sobre a história da escola.
Para o ex-professor Rudi Melim, 68 anos, o evento ajudou a resgatar um pouco das lembranças da escola. ?Hoje está tudo totalmente diferente por aqui. Quando cheguei aqui não havia nem energia elétrica. Acho que este resgate histórico e das pessoas é de um valor imenso. Uma comunidade sem memória não se identifica. Nós marcamos nossas vidas nas vidas das crianças que ensinamos?, comentou o ex-professor, que atualmente reside na cidade de São José.
Projeto
A ideia surgiu a partir de um projeto de leitura, que neste ano teve como tema a história. ?Decidimos então fazer uma leitura do passado em comparação com o presente?, conta Solange. Durante todo o mês de maio os alunos de todas as turmas realizaram pesquisas sobre como era a escola nos anos passados; fizeram entrevistas com ex-alunos e moradores do bairro onde a escola está inserida, a Lagoa; e coletaram fotos, objetos e utensílios antigos. Um vídeo com fotos montado por Solange também foi exposto às crianças e mostrava a história da escola desde as primeiras festas, até as reuniões e a construção do prédio atual.

As páginas amareladas do caderno de anotações da professora Mônica da Costa Schmitt guardam as lembranças da educadora sobre as aulas ministradas na escola Mário Pederneiras no período de 1948 a 1979.
A pequena escola do bairro Lagoa sempre fez parte da vida da professora, que quando criança aprendeu a ler e escrever nos bancos da única sala de aula da simples escolinha de madeira do bairro onde morava com a família e depois de se formar professora voltou ao local para ministrar aulas.
Durante trinta anos Dona Mônica se dedicou a ensinar as crianças da Lagoa. ?No início eu dava aula para a única sala, que tinha alunos de primeira até quarta série. Eram cerca de trinta alunos que aprendiam separadamente. As crianças iam para a aula com bolsas de pano, pois eram filhos de famílias simples, todos vindos da roça e não haviam mochilas naquela época?, recorda. A merenda também não era servida, e todos traziam os lanches de casa. ?Anos depois é que começamos a servir merenda e passamos a ter mais de uma sala de aula, com turmas separadas?, conta Dona Mônica.
Mesmo quando se casou e passou a morar no bairro Poço Grande, Dona Mônica continuou lecionando na Escola Mário Pederneiras, e precisava atravessar o rio de canoa para chegar na escola, enfrentando a lama do barranco às margens do rio, a enchente, e andando cerca de três quilômetros a pé para chegar na escola.
Durante todo o período em que deu aulas na Mário Pederneiras, Mônica lecionou para seus irmãos e, mais tarde, para seus próprios filhos. Mesmo casada e com dez filhos, a educadora não mediu esforços para garantir uma educação de qualidade para seus alunos e trabalhava com muito carinho e com muito orgulho da profissão.
O carinho dedicado por Dona Mônica foi reconhecido pelos ex-alunos e ex-companheiros de trabalho na tarde deste domingo, quando, durante a homenagem realizada pela atual direção da escola Mário Pederneiras, todos queriam abraçar a simpática e dedicada professora.

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