
O sonho de todo cidadão é ter um lar para chamar de seu. É poder criar os filhos com dignidade e ter condições de comprar alimentos para o sustento da família. Essa realidade, porém, não se encaixa na vida de Letícia Rodrigues, de 25 anos. Separada, ela é a responsável por cuidar de quatro filhos e da mãe, Maria Rodrigues, de 65 anos, que é cadeirante e está acamada.
O sustento da família de seis pessoas é proveniente da aposentadoria de dona Maria, que recebe um salário mínimo; e da pensão que Letícia ganha de seu ex-marido. Mas, o valor se tornou insuficiente para pagar, todo mês, R$850 de aluguel, água, luz, alimentos e demais necessidades básicas. A falta de dinheiro para sustentar a família fez com que Letícia invadisse, no último fim de semana, um terreno pertencente à Prefeitura de Gaspar. Através de um mutirão, foi erguida uma casa de aproximadamente 20 metros quadrados no Loteamento Novo Horizonte, no bairro Gaspar Mirim. O casebre é em chão batido. Não possui banheiro, nem água e energia elétrica. O vento frio entra pelas frestas das paredes de madeira. O que aquece as noites frias é a esperança de acordar no dia seguinte e ter uma solução para esta triste realidade.
Letícia é natural de Guarapuava, no Paraná, e está em Gaspar há 12 anos. Ainda jovem, foi mãe do primeiro filho, que já tem nove anos. Depois, vieram os outros três, hoje com seis, cinco e dois anos. “Consegui comprar algumas madeiras e o restante ganhei do pessoal. Pensei muito antes de vir pra cá. Essa não é a vida que quero para meus filhos. A prefeitura pediu para sair. Falaram que é uma área verde e que é crime ambiental. Eu não me recuso a sair, mas quero um outro lugar para cuidar da minha família. Faz uns cinco anos que estou na fila para ganhar uma casa e não recebi nenhuma ajuda”, desabafa
A situação da família de Letícia é acompanhada de perto pela vizinha Eliane Moreira Antunes, de 26 anos. “Estou ajudando porque ela não tem para onde ir. Me comovo pelas crianças. A Letícia é muito caprichosa, tem muita força e cuida com carinho dos filhos e da mãe”.
Claudia da Silva, de 57 anos, mora nas proximidades da nova casa de Letícia e também se entristece com a situação. “Essa é a história real de uma família que está passando por muitas dificuldades”.
Procurado pela reportagem do Cruzeiro do Vale, o secretário de Assistência Social de Gaspar, Ernesto Hostins, afirmou que a família está recebendo o acompanhamento necessário e que demais informações têm caráter confidencial e não podem ser divulgados.
A Diretora de Habitação, Rubiana Becker diz que a família foi notificada na segunda-feira, dia 4 de junho, e precisa sair do terreno em caráter de urgência. “Acompanhei os fiscais e a Assistência Social e a notificação deve ser cumprida. Essa família está na fila de espera por uma moradia desde 2013, mas muitas outras também estão, inclusive na frente deles”, diz.
Letícia Rodrigues, sua mãe e seus quatro filhos pedem a ajuda da comunidade. Quem tiver interesse em ajudar pode doar cestas básicas, fraldas, roupas, itens de higiene e cobertores. Toda ajuda é bem vinda.
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