
Em meio à triste notícia da perda de um ente querido, a família é acolhida por profissionais da saúde que falam sobre a possibilidade da doação dos órgãos do paciente confirmado com morte encefálica. Apesar da dor do momento, as família de Santa Catarina estão entre as que mais autorizam a doação de órgãos no país.
No ano passado, o estado registrou a menor taxa de não autorização para doação de órgãos do país. Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos apontam para um total de 728 potenciais doadores notificados. Destes, apenas 141 famílias recusaram a doação. O número corresponde a uma taxa de negativa de 28%.
Como consequência, SC foi o único estado que efetivou mais de 40% dos seus potenciais doadores. Das 728 notificações, 329 se transformaram em doadores de fato, o que representa 35 doações a mais do que em 2021. Houve um total de 1.521 pacientes transplantados, superando a melhor marca até então de 1.507, antes da pandemia, em 2019.
Em dezembro de 2022, Santa Catarina possuía uma fila de espera por transplante de 1.062 pacientes ativos. Destes, mais da metade (560) aguardam por um novo rim, 419 buscam uma nova córnea, 51 esperam por um fígado, dois anseiam por um coração e 1 necessita de pâncreas funcional. No Brasil, no mesmo período, havia 53.989 pacientes ativos na lista de espera por um transplante de órgão.
A família Luiz Henrique Pinheiro de Brito, de 29 anos, autorizou a doação de órgãos do jovem e o ato salvou seis vidas. Ele se envolveu em um grave acidente de trânsito no bairro margem Esquerda, em Gaspar, no final de fevereiro, e teve a morte confirmada na última semana, após dias internado.
Foram doados o coração, fígado, rins, pâncreas e córneas. “Só quem sabe dos mistérios dessa vida é Deus. Nada na nossa vida acontece por acaso. Luiz Henrique veio em uma missão nesse mundo, que não merecia ele. Eu falo que ele é meu menino grande. Só tinha tamanho e idade, era muito ingênuo e sem maldade. Estava na hora do meu irmão. Ele se foi, mas pode salvar várias vidas pela vontade de Deus” disse Érika Pinheiro, irmã de Luiz, à página no Instagram Gaspar Mil Grau.
Luiz Henrique era natural da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, e morava em Gaspar há mais de dois anos. Trabalhava em uma empresa de logística e, no momento do acidente, estava indo do trabalho para o mercado. Ele estava se programando para visitar a família em junho.
O acidente que deixou Luiz Henrique gravemente ferido aconteceu no início da noite de 24 de fevereiro. Ele seguia de moto pela rua Hercílio Fides Zimmermann quando se envolveu em um acidente com um carro.
No momento da chegada do socorro, Luiz estava com fraturas, ferimento na cabeça e hemorragia. Ele recebeu os primeiros socorros e foi levado em estado grave ao Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Após dias internado, ele não resistiu e teve a morte confirmada.
Na moto estava outro homem, que também ficou ferido.
O motorista do carro não se feriu.


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