Um ano e meio após o início da ocupação de um terreno no bairro Vila Nova, em Ilhota, os moradores passaram a ficar sob ameaça de ter que deixar o local. As 39 famílias que residem no terreno, de propriedade da administração municipal e reservado para se tornar um distrito industrial, receberam uma notificação da Prefeitura de Ilhota na manhã desta segunda-feira, dia 17, cobrando que elas desmanchem as edificações e deixem o local num prazo de 48h.
O documento causou revolta e indignação nas famílias, que dizem não ter para onde ir e ressaltam os investimentos feitos por elas próprias na construção das casas e em melhorias como terraplanagem e construção de um poço artesiano. O carpinteiro Carlos Martins Borges, 42 anos, mora no local com a esposa desde o final de 2012. Nesse período, ele afirma que ninguém do município procurou as famílias para oferecer ajuda ou buscar uma solução.
Para Borges, se a intenção for recuperar a área para a instalação de indústrias, a Prefeitura deveria aproveitar outros lotes vizinhos ao local da ocupação, que já estão cercados e aterrados. ?Eles querem trazer indústrias, mas se esquecem de que é preciso ter a mão de obra da população?, reclama. José Silveira Benke, 48 anos, outro morador que recebeu a notificação nesta segunda, reforça as dificuldades dos cerca de 150 moradores em razão da falta de água e luz e afirma que os moradores querem um diálogo com o prefeito para discutir o assunto.
Contraponto
A Prefeitura de Ilhota afirma que a decisão surgiu após denúncias de aumento da criminalidade no local e após a cobrança do Ministério Público de uma posição sobre o caso. O terreno faz parte de um lote doado pelo município a empresas com interesse em se instalar na cidade, processos que teriam esfriado após o início da ocupação, fazendo com que os imóveis retornassem à posse do município. A notificação expedida foi extrajudicial, mas a administração municipal não descarta levar o caso adiante na esfera judicial.
Questionado sobre o fato de as famílias não terem para onde ir, o secretário de Assistência Social de Ilhota, Jean Carlos Benaci, afirma que será feito um estudo socioeconômico dos moradores para tentar enquadrá-los em programas habitacionais. No entanto, não há um prazo estipulado para esse trabalho.
Os moradores denunciam ainda que a própria equipe do prefeito Daniel Bosi teria incentivado a ocupação durante o período eleitoral. A informação é desmentida pelo gabinete do prefeito. Sobre as benfeitorias feitas pelas famílias no terreno e nas casas, a Prefeitura alega que não há como fazer qualquer tipo de compensação por se tratar de área invadida. A regularização da área também é vista como inviável pelo município em razão dos fortes problemas de infraestrutura encontrados no terreno.
Edição 1571
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