Mais uma iniciativa do Departamento de Cultura promete virar parte da programação anual de eventos de Gaspar. A primeira edição do Festival Escolar de Teatro vai reunir alunos de diversas escolas da cidade para assistir e atuar em encenações teatrais que vão acontecer no Salão Cristo Rei, nesta quinta-feira, 26. A mostra é gratuita e aberta para toda a comunidade. A programação prevê apresentações teatrais ao longo do dia, com início marcado para às 8h30.
A programação cultural de Gaspar já conta todos os anos com o Festival Escolar da Canção, FEC, e com o Festival Escolar de Dança, FED. A partir de 2010, incluirá também o Festival Escolar do Teatro, FET. ?Na verdade, tivemos a ideia no ano passado, mas então tínhamos apenas um professor trabalhando nas escolas. Contratamos mais um já com o objetivo de realizar o festival, que é um evento um pouco menor e não temos a intenção de torná-lo competitivo?, conta o diretor do Departamento de Cultura, Dayro Bornhausen. As peças que serão apresentadas são voltadas ao público do ensino fundamental, o que não significa que não possam ser apreciadas por adultos.
?Este festival é importante, tanto para quem prestigia como para quem atua, pois serve como incentivo e possibilita o contato com esta arte, que em Gaspar é tão restrita. Além disso, é uma oportunidade de apreciação artística?, comenta Natália Corradi Curioletti, professora de teatro da Casa das Oficinas e da Escola Norma Mônica Sabel.
Das diversas funções da arte, Dayro destaca o desenvolvimento da sensibilidade, o entendimento do mundo, o aprendizado de como lidar com o corpo, desinibição, descoberta de sentimentos e o contato com texto de grandes escritores. ?As artes fazem com que a pessoa se torne um ser humano mais completo. De todas as artes, a cênica é a mais desvalorizada. As pessoas conhecem a atuação apenas na TV. Na região, não temos muito essa cultura do teatro, por isso precisamos dar incentivos para que ela cresça?.
Participação especial
O FET contará com a apresentação da peça ?Lili Reinventa Quintana?, pela equipe Téspis Cia de Teatro, da cidade de Itajaí. A peça é baseada no livro ?Lili Inventa o Mundo?, de autoria do escritor Mário Quintana, e foi montada em 2006, ano do centenário de nascimento do poeta. ?Quando lemos esse livro pela primeira vez, ficamos muito atraídos. Ludicidade, singeleza, humor, lirismo, jogo, todos os ingredientes que sempre buscamos em nossos trabalhos para crianças estavam ali, na poesia do Mário?, conta Denise da Luz, uma das integrantes da trupe.
Horário - Grupo - Peça
8h30 - E. E. B. Vitório A. Cardoso - Olho de Peixe
8h30 - E. E. B. Vitório A. Cardoso - O Cometa
9h - E. E. B. Dolores Kraus - Saltimbancos
10h - Tépis Cia de Teatro ? Itajaí - Lili reinventa Quintana
14h - Tépis Cia de Teatro ? Itajaí - Lili reinventa Quintana
15h - E. E. B. Zenaide Costa Esquetes: ?O Povo? e ?Liquidação?
15h20 - Centro Ed. Maria Hendricks - Esquete: ?Higiene?
15h40 - E. E. B. Norma M. Sabel - Esquete: ?Sexa?
16h - Grupo de Teatro da Casa - Arlequim: O Guarda de Honra
Demanda cresce a cada dia
O interesse dos gasparenses pelo teatro cresce cada vez mais. Prova disso é o aumento de alunos na Casa das Oficinas, a recente formação de um grupo de teatro amador e também o trabalho de professores de teatro em oito escolas do município.
?As diretoras pedem peças relacionadas a alguns temas estudados nas escolas e também pedem professores para trabalhar o teatro na escola. Tentamos fazer o máximo possível. Hoje contamos com duas professoras, Alini Grazieli Appi e Natália Corradi Curioletti, com carga horária de 40 horas cada trabalhando na Casa das Oficinas e em escolas do município?, comenta Dayro.
Natália diz que percebe que a demanda de teatro em Gaspar está crescendo e que o aumento do interesse na arte também é perceptível. Ela já trabalhou em duas escolas de Gaspar e por sua experiência, sabe o que buscam os educadores. ?No caso das escolas, há um interesse pedagógico, pois usam o teatro como forma de ajudar a criança a falar em público e de ensinar a trabalhar em equipe?.
Grupo amador é fruto dos trabalhos da Casa das Oficinas
O resultado do trabalho de fomentação do teatro em Gaspar já começa a aparecer. Ex-alunos de um grupo de teatro adulto da Casa das Oficinas Dagobert Günter estão formando um grupo de teatro independente. O grupo é fruto do trabalho realizado pelo Departamento de Cultura em conjunto com os professores que estão disseminando a arte pelo município.
Ele está desvinculado da Casa das Oficinas, mas ainda continua com parceria com a mesma, e recebe apoio do Departamento de Cultura, que aplaude a decisão da criação de um grupo adulto de teatro amador. ?A ideia é a cultura sustentável. Se houver apenas o trabalho na Casa das Oficinas, quando acabar os dois anos em que a pessoa pode ficar nesta oficina, ela para de atuar. Temos que fomentar para que continuem a fazer apresentações?, comenta Dayro.
A professora Natália era a responsável por esta turma da Casa das Oficinas quando manifestaram o desejo de formar o grupo. ?É tudo culpa minha?, brinca. Ela dirige o grupo e ensina a eles agora como deve funcionar a organização de um grupo de teatro, o que vai além de apresentar e ensaiar uma peça, para então fazê-los caminhar sozinhos. ?Isto prova que é possível sair da Casa das Oficinas, aprimorar-se e continuar a arte de forma autônoma?.
De acordo com Marina Müller Silveira, ex-aluna da Casa das Oficinas e integrante do grupo, os alunos estavam mais maduros e interessados no teatro não apenas como passatempo, mas na sua função artística. Ela conta que quando ainda frequentavam a Casa das Oficinas decidiram se tornar um grupo amador de teatro ? que se auto-denominou Grupo de Teatro da Casa ? e, após muita discussão, resolveram que o melhor era tornar este grupo independente.
?Estudar teatro e entendê-lo como forma de expressão humana, como arte, trouxe para o grupo a possibilidade de expressão e de estabelecer relações vivas e verdadeiras com a plateia?.
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