O sol apareceu com força para iluminar a despedida dos fiéis católicos ao frei Elzeário Schmitt, enterrado no Cemitério Municipal de Gaspar na manhã desta quarta-feira, 15, após a missa de corpo presente celebrada na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo.
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Centenas de fiéis lotaram a igreja para dar o último adeus ao querido frei, que nos últimos 17 anos dedicou sua vida a ensinar e revelar o amor de Deus aos moradores de Gaspar. A missa celebrada pelo Bispo da Diocese de Blumenau, Dom José Negri, terminou por volta das 10h30 e sob o ressoar dos sinos o corpo de frei Elzeário foi levado pelo caminhão do Corpo de Bombeiros até o cemitério.
Para Dom José Negri, frei Elzeário dedicou toda a sua vida testemunhando o amor de Cristo e tinha a luz e o carisma de São Francisco, a quem era fiel seguidor. ?Na última vez que estive com ele, há poucos dias, ele já estava acamado e muito doente e quando soube que eu estava presente disse: que grande consolo é isso para mim. Em poucas palavras ele disse tudo?, lembra o bispo diocesano.
A mensagem de despedida foi ministrada pelo sobrinho de frei Elzeário, Frei José Luiz Prim, que lembrou a todos os exemplos deixados pelo tio durante todos os anos dedicados à obra do Senhor.
Frei José Lino Lückmann, que por muitos anos foi vigário de Gaspar e hoje exerce suas funções em Lages, também fez sua última despedida ao frei e afirmou que nos seis anos em que trabalharam juntos, viu no frei Elzeário atitudes de um autentico franciscano. ?Ele foi uma das pessoas que me inspirou a me tornar frade franciscano?, contou.
Amigo
Para muitos gasparenses, frei Elzeário era mais do que um religioso, era um amigo. ?Conhecia ele desde que chegou aqui. Por muitas vezes vinha pedir conselhos para ele. Para mim, além de amigo ele era um bom pregador, que estava preocupado com o bem de Gaspar?, comenta Manoel Venera.
Para o empresário Ernesto Marques, frei Elzeário vai fazer muita falta na Igreja Matriz da cidade. ?Ele era um grande homem. Todos vão sentir sua falta?, opina.

Os sinos da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo soaram uma triste badalada na manhã desta terça-feira, 14 de setembro, para anunciar a morte de Frei Elzeário Schmitt, que nesta quinta-feira, 16 de setembro completaria 99 anos de idade.
Querido por todos os fiéis católicos da cidade e da região, Frei Elzeário era o frade mais idoso da província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e trazia guardados na memória muitos momentos importantes dos franciscanos em todo o país.
Frei Elzeário já estava bastante debilitado e há cerca de vinte dias estava acamado, sob cuidados de enfermeiros e acabou falecendo por insuficiência respiratória, às 8h45, deste dia 14.
O corpo de Frei Elzeário está sendo velado na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo e o sepultamento está marcado para às 9h desta quarta-feira, 15, com missa de corpo presente presidida pelo bispo diocesano, Dom José Negri. O frade será sepultado no Cemitério Municipal de Gaspar, no jazigo dos padres franciscanos.
Frei Elzeário trabalhava há mais de 15 anos na paróquia de Gaspar e era muito querido pela comunidade. No dia 24 de julho, Frei Elzeário estava marcado para celebrar a missa das 19h na igreja matriz. No almoço, disse que não poderia celebrar pois estava muito fraco e de lá para cá não celebrou mais. ?Visivelmente ele estava enfraquecendo. Começou a comer menos e andava com dificuldade. Ainda ia ao correio dirigindo o Voyage como também ia ao mercado comprar algumas coisas. No entanto suas pernas cada vez mais estavam enfraquecendo?, lembra o frei Germano Gesser, pároco da igreja matriz.
?Só posso agradecer ao Deus de todas as misericórdias que, para fazer penitência pelos meus erros, me concede ainda esta idade. Nem é esta idade que me impede ou proíbe de continuar nesta luta; pois acho que é vontade de Deus, embora já meio cansado, pre¬cisando de corrimãos ou de um braço amigo. É servir. Servir até o fim, com as forças que ainda me restam. A gente é franciscano. E a gente é padre. "Não é a voz, mas a dádiva; não é o discurso, mas o amor; não é a viola, mas o coração o que canta aos ouvidos de Deus. Obrigado, povo de Gaspar?. (Fala de Frei Elzeário quando completou 80 anos de vida religiosa franciscana, na Matriz de Gaspar).
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Por ocasião do lançamento do livro "158 anos nas malhas da história", da Paróquia de Gaspar, o Jornal Cruzeiro do Vale produziu um vídeo sobre a vida de Frei Elzeário Schmitt.
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Sentado sobre uma acolchoada cadeira reclinável na biblioteca da casa paroquial, ao lado da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, Frei Elzeário conversou com a equipe de reportagens do jornal Cruzeiro do Vale para falar sobre o lançamento de seu mais novo livro "São Pedro Apóstolo de Gaspar - 158 anos nas margens da história". Com olhar profundo, marcado pelo tempo em seus 97 anos de idade, Frei Elzeário também falou sobre a relação entre a igreja e o município, sobre obras sociais e avaliou a presença da igreja na comunidade nos dias atuais.
? Jornal Cruzeiro do Vale - Por que o senhor decidiu escrever um livro que retratasse a história da Paróquia São Pedro Apóstolo?
Frei Elzeário - Primeiro porque eu gosto muito da paróquia, desde que eu entrei aqui, e do jeito que o povo recebe o padre. Segundo, eu gosto muito de uma matéria, hoje em dia bastante em voga, que são os estudos históricos. Eu sou apaixonado pela historia e descobri nos livros dos padres alemães, aqui em Gaspar, notícias interessantíssimas, de fundo profundamente humano e social, que interessam a todos os paroquianos e aos gasparenses dos dias de hoje. Então, resolvi escrever, baseado nessas informações do passado, a história de toda a paróquia desde o princípio, em 1830. Da primeira missa na Margem Esquerda até 2008, nossa situação atual. Então meu interesse é profundamente histórico, porque eu gosto de história.
? JCV - Qual a importância de se resgatar a história da trajetória da Paróquia de Gaspar?
Frei - É importantíssima. Primeiro porque é a primeira paróquia em toda a região. Antes da de Blumenau existir, já 20 anos antes, não havia igreja nenhuma, em lugar nenhum, só a nossa pequena capela na Margem Esquerda, dedicada a São Pedro. Então essa importância histórica que Gaspar tem sobre todos os municípios vizinhos é que também me impulsionou a escrever o livro.
? JCV - Gaspar é um município onde o catolicismo predomina. Na sua opinião, a cultura e a religiosidade do povo ainda influenciam a sociedade?
Frei - Sem dúvida nenhuma, a religiosidade do povo continua viva. A gente vê isso através da freqüência nas missas de final de semana na Igreja Matriz. São três missas no final de semana com a igreja praticamente cheia, principalmente nos sábados à noite. E nas capelas, nas comunidades no interior do município em que nós atuamos, o fenômeno é o mesmo. Principalmente, o que me chama atenção é a freqüência de homens nas missas e nas organizações de culto que nós temos. Então isto é muito importante. O que é negativo é a falta quase total de crianças e de jovens nas nossas missas.
? JCV - Em seu livro, o senhor fala sobre diversas ações e trabalhos sociais que a igreja realizou em prol da comunidade. Destaque um fator que, em sua opinião, contribuiu para a transformação da realidade no município.
Frei - O que contribuiu muito para a transformação dessa realidade foram as instituições dedicadas aos marginais. Os marginais, eu acho que são, em primeiro lugar, os pobres e marginalizados. Aí a Conferência Vicentina está desempenhando, há muito tempo, um trabalho fundamental com o registro de centenas e centenas de famílias necessitadas que são socorridas pela Conferência Vicentina. Há movimentos paralelos também, como a Apae, que são de importância social enorme para o nosso município, até uma honra para Gaspar. Além de outras associações voltadas para a sociedade carente, como o grupo de senhoras que se reúne e trata de fazer com que o câncer seja eliminado e fragilizado em nossa sociedade.
? JCV - A paróquia passou por diferentes fases e reformas em toda a sua trajetória. Como o senhor avalia a situação em que ela se encontra atualmente?
Frei - A paróquia continua marchando no ritmo de todas as paróquias de hoje. A globalização atingiu, naturalmente, toda a vida religiosa e o povo brasileiro também. Alguns elementos dentro da igreja católica, hoje, estão questionando a própria palavra paróquia. Alguns acham que a paróquia perdeu o seu sentido. Eu pergunto: "o que vocês vão colocar no lugar da paróquia?". Então existe este movimento muito trepidante, muito incerto e duvidoso dentro do próprio clero, por algumas pessoas do nosso clero, que desprezam a palavra paróquia e querem que a igreja se volte mais para fora dos templos. Esta é uma exigência natural de toda a igreja, como os papas não deixam de acentuar. Eles pedem que a paróquia se volte, então, para a sociedade carente e pedem a presença da igreja mais fora dos templos, a fim de que a presença dela no mundo globalizado de hoje seja mais marcante e seja mais positiva.
? JCV - Quanto tempo o senhor de dedicou para transformar o livro em realidade?
Frei - Dois anos.
? JCV - Quem contribuiu para que o livro fosse lançado?
Frei - O que contribuiu, em primeiro lugar, foi o incentivo de paroquianos amigos que me falavam disso e me faziam perguntas seguidas a respeito de certos fatos do passado relacionados com os padres alemães que trabalharam aqui. Principalmente, as pessoas acima de 60 anos de idade que têm essas lembranças do passado religioso muito diferentes em suas mentes, nos tempos de hoje. Então eu me senti motivado para procurar e dar respostas escritas a essa curiosidade positiva dessas pessoas. Depois, o apoio dos amigos que me perguntavam quando eu ia lançar meu livro. Essa curiosidade também me levou a apressar o trabalho do livro, a procurar um editor e os recursos financeiros para isso fora da paróquia, pois não quero onerar a paróquia com uma obra dessas, pois o dízimo dos paroquianos deve ficar intacto.
? JCV - Deixe uma mensagem aos futuros leitores de sua obra?
Frei - Quero convidá-los a compreender que uma história como essa, sobre religião e a igreja em Gaspar, não pode ser perfeita. Não há registro de obra humana perfeita. Pode haver erros e esquecimentos. E que o povo gasparense continue nessa sua marcha de uma sociedade que é conhecida por sua capacidade em acompanhar os progressos de uma sociedade moderna, mas dentro de uma moldura de paz, compressão, amor e de perdão, e principalmente de ajuda aos necessitados. É o que os papas não deixam de acentuar.
Por Álvaro Correia
Se há um traço forte, vivo e marcante na história do município de Gaspar, não há dúvida de que o mesmo é representado pela fé e o espírito religioso do seu povo. Este foi, indiscutivelmente, o combustível que alimentou as esperanças e animou a nossa gente nos tempos difíceis, a lutar e vencer toda sorte de obstáculos para nos deixar um município mais forte, promissor e progressista. Essa marca religiosa e fé inquebrantável dos gasparenses tem projetado o município pelo Brasil afora, pois aqui nasceram e daqui partiram para servir a causa de Deus, dezenas de padres e religiosas.
Dos nossos padres, três alcançaram o episcopado: Dom Daniel Hostin, Dom Quirino Schmitz e Dom Carlos Schmitt, este sagrado em Roma em solenidade presidida pelo próprio Papa. O desenvolvimento das atividades religiosas em Gaspar, sempre ganhando mais intensidade, redundaram na construção de todo o amplo complexo que hoje integra a Paróquia de São Paulo Apóstolo, dela fazendo parte a majestosa Igreja Matriz, a Casa Paroquial, o Salão Cristo Rei e o parque destinado a festas e eventos religiosos. Agrega-se ainda a esse magnífico acervo, instituições centenárias como o Coral de Santa Cecília, a Banda São Pedro e a Congregação Mariana.
Além de motivos de orgulho isso, por si só, se constitui num capítulo fascinante e maravilhoso da história do nosso município, digno de figurar numa publicação especial. Pois foi o que fez o Frei Elzeário Schmitt, respeitado professor e historiador que, depois de anos de exaustivo trabalho de pesquisas, escreveu e lançou no ano passado (2008) o livro: "São Pedro Apóstolo de Gaspar - 158 anos nas malhas da história", magnífica publicação que retrata com minúcias a história do catolicismo em Gaspar, desde os seus primórdios. O interesse pelo livro foi tão grande que a primeira tiragem de 1000 exemplares esgotou-se rapidamente, sendo justo ressaltar, que o resultado financeiro da venda, Frei Elzeário como bom franciscano, doou à APAE e a Conferência Vicentina.
Ganha importância e significação a obra histórica quando se sabe que o autor não é filho de Gaspar e é hoje um homem de 97 anos de idade, sendo natural de São Pedro Alcantara e o último filho de uma família de 14 membros. Em Gaspar, já se encontra há 15 anos trabalhando na Paróquia São Pedro. A convivência com os padres da região onde morava, despertou em Frei Elzeário o interesse em também ser um deles, no que foi apoiado por seus pais. Em 1923 ingressou no Seminário Franciscano de Rio Negro, onde permaneceu até 1930. Em seguida foi para Rodeio onde fez o noviciado. Depois estudou filosofia em Curitiba e teologia em Petrópolis onde ordenou-se padre em 1935, aos 24 anos de idade.
Culto e inteligente, após a ordenação Frei Elzeário foi enviado para a Bélgica para ser professor de português e latim no Seminário Franciscano lá existente. Quatro anos após transferiu-se, sucessivamente, para as universidades de Munich e de Lovaina, na Bélgica, esta considerada a maior universidade católica do mundo. Em 1939, com a eclosão da segunda guerra mundial, Frei Elzeário teve de interromper os estudos que realizava em Lovaina, pois a Bélgica foi invadida pelos alemães. O seu plano de fuga daquele país foi prejudicado quando se viu gravemente enfermo ao contrair uma tuberculose.
Ainda assim, com grande esforço conseguiu atravessar a França e a Espanha para chegar a Lisboa, onde, por milagre, conseguiu vaga em um navio que o trouxe de volta ao Brasil. Aqui chegando foi encaminhado para Campos do Jordão para curar-se. Restabelecido, deu início então a uma série de atividades dentro do circuito da Ordem Franciscana no Brasil.
De Campos do Jordão foi enviado para ser professor de línguas no histórico Colégio Diocesano de Lages onde era Bispo o seu conterrâneo Dom Daniel Hostins. Depois de seis anos de magistério foi ser pároco em Piraquara, no Paraná, pois ser cura d´almas era o seu desejo, atividade que desenvolve até hoje. Diariamente, com exceção de segunda-feira, reza missa na igreja matriz ou em outras igrejas dentro do município.
Depois de passar por outras paróquias do Estado, na década de 80 Frei Elzeário foi transferido pela segunda fez para Gaspar, pois por aqui já estivera, mas por pouco tempo. Só que desta vez veio para ficar, já que gosta muito de Gaspar e da sua população a quem acaba de brindar com o belíssimo livro "São Pedro Apóstolo de Gaspar - 158 anos nas malhas da história".
Aliás, para escrever este livro, ilustrado com antigas e belas fotos e composto de 463 páginas, Frei Elzeário teve de usar os seus conhecimentos não só do português, mas também do latim e do alemão, pois muitos dos documentos e anotações rebuscadas eram escritas nessas línguas. Dono de uma lucidez e de uma vitalidade física e intelectual invejáveis, Frei Elzeário vive perfeitamente sintonizado com tudo o que está acontecendo ao seu redor, daí encarar a vida com tanto vigor e com tanta confiança no futuro.
Caminha firme e de cabeça erguida em direção ao seu centenário a ser comemorado dentro de 2 anos. Pertence a uma família de longevos, seus pais faleceram com mais de 90 anos, sua irmã mais nova já fez 100 anos e outro irmão que morava na capital faleceu ano passado com 103 anos de idade. Apesar disso, Frei Elzeário credita sua lucidez e vitalidade, à disciplina e a dedicação permanente ao trabalho e muita leitura, além de manter viva a fé e a fidelidade ao evangelho e aos princípios franciscanos. Daí ter encontrado forças, ânimo e entusiasmo para escrever 14 livros sobre história e espiritualidade ao longo dessa sua longa e rutilante caminhada pelo mundo da evangelização. E é do alto da sua experiência, sabedoria e conhecimento que recomenda aos mais jovens: "Acheguem-se mais ao nosso Senhor Jesus Cristo, à sua doutrina e a igreja dos seus santos. Façam o sinal da cruz com respeito e respeitem estes valores. Não descartem nunca de sua vida, hoje tão ameaçada de perdições".
Com 98 anos de idade e 78 de vida religiosa, Frei Elzeário já foi alvo de muitas festas e homenagens comemorativas a datas importantes e históricas de sua vida e compartilhada por seus familiares, colegas, amigos e membros das paróquias das cidades onde atuava.
Gaspar foi cenário de muitas dessas comemorações. Mas agora os gasparenses estão eufóricos e aguardam com ansiedade, contando o tempo para promover a grande festa que marcará o centenário de nascimento de Frei Elzeário Schmitt, dentro de dois anos. Será a festa do reconhecimento e da gratidão a quem soube cumprir com tanta determinação e humildade a sua missão como representante da Igreja de Deus.
Por isso, e principalmente pelo que fez pela nossa gente nos anos em que atuou na Paróquia São Pedro Apóstolo, Frei Elzeário cravou o seu nome na Galeria de Honra dos construtores da história do município.
O inédito jubileu dos 80 anos de vida franciscana de frei Elzeário Schmitt
Por Frei Regis Daher
Diariamente, na celebração da missa e da oração das laudes em nossa fraternidade, como certamente ocorre nas demais fraternidades, nas preces dos fiéis, lembramos dos confrades aniversariantes e dos falecidos. Eventualmente, ocorre também a recordação dos diferentes jubileus, de vida religiosa e do ministério sacerdotal. Há muitos anos, o critério adotado em nossa província para o cálculo do ano jubilar, é o do período compreendido entre julho de um ano até o mês de julho do ano seguinte. Desconheço a razão histórica de tal critério. Para o jubileu de ouro (50 anos) de vida religiosa, a data base é a da admissão (vestição) ao noviciado e para o jubileu de prata (25 anos) é a da primeira profissão temporária. A partir dos 50 anos de vida religiosa ocorrem ainda os jubileus de 55, 60 e 75 anos, designados respectivamente como jubileu de esmeralda, brilhante e diamante.
Com a ajuda de Frei Walter Carvalho, fomos procurar na internet a ocorrência de uma designação específica para um jubileu de 80 anos, e o curioso, é que não há. A lista termina com o de 75 anos. Curiosa também é a lista dos metais e minerais associados aos períodos jubilares: 5 anos ? madeira; 10 ? estanho; 15 ? cristal; 20 ? porcelana; 25 ? prata; 30 ? pérola; 35 ? coral; 40 ? rubi; 45 ? safira; 50 ? ouro; 55 ? esmeralda; 60 ? brilhante e 75 ? diamante. À primeira vista, a lista dos jubileus seria de uma ordem crescente conforme o valor de cada metal ou mineral. Mas talvez haja uma outra avaliação do tempo conforme a consistência, a rigidez, a têmpera de cada material. Não sei se é correta a informação, mas sempre soube que o diamante é dos mais rígidos entre os materiais, por isso mesmo, utilizado para o corte dos vidros.
Fui consultar os dicionários para compreender os diferentes sentidos do vocábulo ?têmpera? porque, de algum modo, essa palavra me sugeria algo que pudesse unir essas duas formas de avaliação. E eis que a língua portuguesa veio iluminar minha reflexão! O ?Aurélio? e o ?Luft? (dicionário escolar) me deram alguns significados:
1.Consistência que se dá a metais introduzindo-os, em brasa, na água fria;
2.O banho em que se temperam os metais;
3.Índole, feitio, temperamento;
4.Inteireza de caráter, austeridade, fibra, firmeza de ânimo.
Todo esse longo preâmbulo, por quê? Antes do início da missa na segunda-feira, dia 19, eu percorria com minha leitura a relação, desta semana, dos confrades aniversariantes e falecidos. E, me surpreendi ao ler, assinalado em negrito, no dia 21 de janeiro, os 80 anos de vida religiosa de Frei Elzeário Schmitt. Comentei com os confrades que eu supunha ser um fato absolutamente inédito na história de nossa província.
Ontem fui consultar o Elenco dos Religiosos Falecidos da Província, publicado em 2003, e que, desde então, mantenho atualizado até os dias atuais em vista de uma próxima publicação. Com a ajuda preciosa do recurso ?localizar?, do computador, percorri todo o texto buscando, na respectiva coluna, se haveria algum confrade falecido que tivesse alcançado os 80 anos de vida franciscana. Ninguém, nem mesmo para os números imediatamente menores. Fui então, conferir as datas da vestição e primeira profissão de Frei Elzeário no Elenco dos atuais Religiosos da Província, respectivamente 21.01.1930 e 22.01.1931. Feitos os cálculos, conclui que, na realidade, em 2009 (no dia de hoje, 21 de janeiro) nosso sênior completa 79 anos de vida franciscana e não 80, como virá impresso na Escalação ?Irmãos e Fraternidades? deste ano. Imediatamente fui consultar Frei Walter Junior e esbarramos no critério de cálculo mencionado: de julho a julho...
De qualquer modo, em 21.01.2009, Frei Elzeário Schmitt está concluindo seus 79 anos de vida franciscana e, como aprendemos nos rudimentos iniciais da matemática, no dia seguinte ele entra na ?casa? jubilar dos 80 anos, que se completa em 2010. Desde que conheci pessoalmente nosso confrade, em 07.12.2007, quando eu e Moacir Beggo fomos entrevistá-lo numa matéria para o nosso site, com freqüência me recordo da sua vitalidade e singular disposição para a vida. Basta lembrar, que em 2008, aos seus 97 anos de idade, publicou seu último e volumoso livro sobre a história da Paróquia São Pedro Apóstolo de Gaspar, e já se preparava para organizar e reunir seus demais escritos e crônicas, de longos anos de produção, para uma futura publicação.
No ano jubilar da Ordem Franciscana, os ?80? de Frei Elzeário, de certa forma sinalizam para os ?800? de nossa forma de vida. E é aqui que aqueles sentidos da ?têmpera? ganham sua plena significação, quando vemos essas características encarnadas concretamente numa pessoa que, por graça de Deus, é filho de São Francisco de Assis e nosso irmão, quase que a nos dizer: é possível, é verdadeiro, é real o nosso ideal de vida! Não somente por alguns dias ou por algum tempo de experiência, mas por toda a vida. O fato acabado de oito décadas, na figura ?malhada? de um idoso, escondem a luta, ardorosa e sem tréguas, a que ele se entregou ? como o metal em brasa introduzido na água fria. Se de um lado, alguns têm natural e favoravelmente o ?gene? da persistência, da disposição férrea (o que Frei Elzeário jocosamente chamou de ?sangue bom?, e o dicionário qualifica como índole, feitio e temperamento), de outro, sabemos que a vida não nos dispensa de decisão e adesão pessoais, a cada instante, a cada dia, a cada ano até concluir a obra começada. São esses os outros sentidos que o dicionário nos revelam: inteireza de caráter, austeridade, fibra, firmeza de ânimo. Essas são as virtudes conquistadas, a têmpera adquirida, no calor do fogo, na rotina do tempo.
O que isso tudo significa para Frei Elzeário, talvez só Deus saiba. Para cada um de nós os seus ?80? são um apelo para revivermos a mesma graça de nossa origem. Obrigado, Frei Elzeário, pelo que o senhor é e pelo que significa para todos nós!
Fonte: www.franciscanos.org.br


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