Quando se fala sobre a fotografia, tudo parece estar à distância de um flash. Porém a história dela é longa, e o equipamento utilizado para registrar momentos e acontecimentos através da impressão de luz sobre o papel não foi descoberta de uma pessoa, mas sim do aperfeiçoamento de diversos inventos e técnicas ao longo dos anos. No entanto, houve uma descoberta que foi mais marcante, cuja data de apresentação, 19 de agosto, tornou-se, anos mais tarde, o Dia Internacional da Fotografia.
Este invento histórico levou o nome de daguerreótipo, por ter sido desenvolvido pelo francês Louis Jacques Daguerre. Ele se tratava de uma chapa de cobre sensibilizada com prata que, dentro de uma câmara escura, deixava a luz entrar, imprimindo a imagem captada pela câmera em sua superfície. ?A fotografia veio anos antes, com Joseph Niépce, porém as pessoas não deram importância para ela nem a consideravam arte, preferiam pinturas. Foi a partir do daguerreótipo que as pessoas, diga-se a elite, passaram a se interessar pela fotografia?, conta Robson Souza dos Santos, professor de fotografia e fotojornalismo da Universidade do Vale do Itajaí, Univali.
O registro de momentos em papel ou sensores fotográficos pode ser muito comum e acessível nos dias de hoje, porém durante muito tempo a realidade era diferente. O costume de chamar algum fotógrafo para marcar o momento em família ou alguma comemoração era mais comum, pois comprar aparelhos para fazê-lo era muito caro. O professor Robson acredita que a fotografia digital foi o fator dominante na popularização da fotografia, pois as pessoas se encantaram em serem capazes de fotografar e ver a imagem no mesmo instante. ?Um aspecto positivo é que todos podem fotografar. Em São Paulo há até motoboys que enviam fotos da situação do trânsito para jornais online e assim a população sabe de acidentes trechos engarrafados?. Como parte negativa da popularização da imagem digital, ele cita a alta exposição da imagem pessoal das redes de relacionamento e o trabalho dos paparazzi, que invadem a particularidade de pessoas famosas.
?A minha preocupação é a perda da memória fotográfica. As pessoas tiram muitas fotos, mas nem sempre as passam para o papel?, acrescenta. Positiva ou negativa, a fotografia digital afirma-se a cada dia como o futuro desta arte.
Foto Clube une amantes da arte de fotografar
A paixão pela arte de fotografar une gasparenses e moradores de outras cidades da região em um só grupo: o Foto Clube Gaspar. Eles se reúnem duas vezes por mês para discutir temas que envolvem a fotografia, geralmente técnicos, com o objetivo de assim, aprimorarem suas habilidades. Como no dia 19, Dia Internacional da Fotografia, e também Dia do Fotógrafo, pretendem trazer um fotógrafo de Florianópolis, especialista em no uso do flash. Além disso, passeios, saídas e viagens fotográficas estão sempre no calendários destes amantes da fotografia.
Luiz Eduardo Schramm, um dos fundadores e também membro do Foto Clube, conta que cada um tem liberdade para seguir a linha que mais apreciar na fotografia, como por exemplo, fotografia artística, documental, jornalística, macro fotografia e de paisagem. A entidade sem fins lucrativos foi criada em agosto do ano de 2001 e filiado a Confederação Brasileira de Fotografia e reconhecida como de utilidade pública em 2004. Pessoas de todas as áreas profissionais, administradores, professores, fotógrafos, todos unidos pelo amor à imagem.
?As pessoas que participam efetivamente são as que querem aprimorar suas técnicas e desenvolver um modo de pensar fotografia. Os integrantes compartilham ideias,paixões ?, comenta Luiz, que é também presidente da instituição. Não é apenas o resultado final que os integrantes do Foto Clube observam. Eles desenvolvem um trabalho de análise das técnicas, fundamentos filosóficos, linguagem e plástica da fotografia.
Qualquer pessoa que desejar pode entrar para o Foto Clube Gaspar, basta procurar algum integrante ou fazer contato pelo site. Não é preciso ter um equipamento específico ou uma câmera fotográfica profissional, Luiz diz achar até melhor que a pessoa compre o equipamento conforme sua evolução e seu gosto por certo tipo de fotografia.
Empresas precisaram se atualizar para se manter
Com o advento da fotografia digital houve uma reestruturação do em todo o universo do registro das imagens. Estúdios tiveram que comprar novos equipamentos, sem falar nas máquinas que imprimem as fotos num processo bem diferente da revelação analógica. Embora tenha surgido no final da década de 1980, as máquinas fotográficas digitais se tornaram populares no Brasil apenas por volta dos anos 2000. Em Gaspar, o Cine Foto Mary percebeu a necessidade de atualização e investiu em câmeras novas, computadores e também conhecimento, para que assim pudessem fazer bom uso desta nova tecnologia.
Houve um declínio na fotografia analógica, que utiliza filmes ao invés de sensores para gravar imagens, após o surgimento da fotografia digital.Grandes fabricantes já anunciaram o fechamento de indústrias que produziam material analógico para amadores e, embora muitos fotógrafos ainda estejam apegados às máquinas analógicas, a tendência é que a digital conquiste ainda mais espaço.
Ivandro Duarte, filho de Ivo, o proprietário do empreendimento, estudou fotografia nos Estados Unidos e, desta forma, pode obter o conhecimento necessário para trabalhar com equipamentos digitais. De acordo com ele, o estabelecimento adquiriu impressoras de fotografias digitais no ano de 2003, pois na época as máquinas, que não tem preço em conta ainda, eram muito caras.
Sobre a demanda de revelações e máquinas digitais, ele comenta que houve mudanças. ?Antigamente, as câmeras fotográficas eram da família, hoje elas são pessoais. Além disso, a maior parte dos celulares vem equipada com câmera, o que torna ainda mais fácil tirar fotografias?. Ele ainda afirma que, por mais que hoje as pessoas fotografem muito mais, o volume de revelações caiu em relação à época em que as pessoas costumavam utilizar câmeras analógicas.
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