
A comunidade católica de Gaspar terá um fim de semana muito especial. Nesse sábado e domingo, dias 12 e 13, a Igreja Matriz São Pedro Apóstolo recebe celebrações de comemoração ao jubileu de 50 anos de vida sacerdotal do frei gasparense Antônio Moser.
Oficialmente, a ordenação do frei Antônio Moser completa cinco décadas na terça-feira, dia 15. No entanto, as festividades já começaram no dia 22 de novembro, com uma missa na Igreja Santa Clara, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde o frei gasparense é radicado.
Para este fim de semana, a comemoração promete ser em grande estilo ao lado dos fiéis gasparenses. Além das missas de sábado e domingo, um encontro com o frei Antônio Moser aconteceu nessa quinta-feira, dia 10, no Salão São Francisco. Na ocasião, frei Moser falou sobre sua vida na religião, o momento atual da Igreja e a experiência de ter conhecido de perto o Papa Francisco.
Jornal Cruzeiro do Vale: Qual a sensação de estar retornando a Gaspar para uma data tão especial como os 50 anos de sacerdócio? Quais as principais lembranças que guarda da cidade até hoje?
Frei Antônio Moser: Saí criança de Gaspar e só retornava esporadicamente. Entretanto, ao longo destes anos todos, Gaspar sempre esteve no meu coração. Cada passagem significava sempre uma injeção de ânimo na minha vocação. Vendo a Igreja cheia, o povo rezando e cantando com fervor, sempre senti que ao menos em Gaspar a fé continua viva. Ao lado disso, naturalmente as lembranças se ligam à minha infância, quando ajudava a missa do “tio” Frei Solano Schmitt e acompanhava Frei Godofredo. Todos os franciscanos que conheci em Gaspar me marcaram positivamente, mas esses dois foram os que deixaram marcas mais profundas. Tio Solano como o homem piedoso e de uma bondade que cativava a todos. Frei Godofredo era a expressão do empreendedor zeloso e corajoso. De alguma forma, como criança, acompanhei a construção da Igreja de Gaspar, tendo inclusive participado de uma pré-inauguração em 1950, quando todos foram convidados a vir com seus animais: cavalos, bois... Eu atravessei a nave da Igreja ainda não acabada montado a cavalo. Ora, acho que aqui está uma explicação do porque consegui conciliar a vida intelectual, escrevendo 27 livros e inúmeros artigos com a vida pastoral direta. Ao todo estive à frente da construção total ou parcial de nada menos do que 16 comunidades de fé, que hoje constituem três paróquias. Eu continuo páraco da Santa Clara.
CV - O senhor ainda mantém familiares aqui?
Moser: Só vive ainda minha irmã religiosa, Irmã Maria, que está em Itajaí com seus 82 anos. Todos os outros irmãos são falecidos. Mas é claro que sobram numerosos sobrinhos e sobrinhas, sem falar de primos e outros parentes. Sempre que passo, ainda que rapidamente por Gaspar, procuro dar a eles um alô. Meus parentes sempre me apoiaram em tudo.
CV: Recentemente, o senhor participou do Sínodo dos Bispos, no Vaticano. Como foi ter um contato tão próximo com Papa Francisco? De que forma enxerga os posicionamentos do papa?
Moser: Desde criança sempre tive muita devoção a Santo Antônio. Pela sua intercessão sempre consegui tudo o que pedi. Mas nunca tinha pedido e nunca tinha imaginado que um dia receberia um convite tão extraordinário, e logo do Papa Francisco, para participar de um Sínodo dos Bispos sobre a Família. No início, pensei que fosse brincadeira. Foi uma experiência extraordinária. Ali estavam presentes 270 bispos do mundo inteiro, representantes de Igrejas cristãs não católicas, leigos, discutindo com toda a liberdade, representantes de tantas culturas e ritos diferentes, que parecia um verdadeiro Pentecostes...
Quanto ao Papa Francisco: circulava livremente entre nós, deixando-se fotografar, tomando café com a gente, criando um clima ao mesmo tempo de liberdade de expressão e de fraternidade. Aconteceu um grande milagre, mais importante do que o próprio texto, que ainda vai ser traduzido para o português: todos desceram dos seus tamancos. Patriarcas, Cardeais, arcebispos, bispos, peritos, leigos, todos convivendo na maior simplicidade. Que beleza. Esse é o novo Francisco de Assis que irradia uma energia poderosa de paz e alegria evangélica. Suas tomadas de posição não apenas são corajosas, mas traduzem a Igreja de Jesus Cristo nos seus primórdios: todos tinham tudo em comum, mesmo em meio a eventuais divergências. Não é teólogo de profissão, não é administrador formado, não é grande orador, mas fala e age como quem tem autoridade. E por isso mesmo está conseguindo transformar uma igreja do “não pode”, “não deve”, numa Igreja do “sim” de Maria.
Natural de Gaspar, frei Antônio Moser ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 19 de dezembro de 1959. Fez a profissão solene no dia 1° de fevereiro de 1964 e foi ordenado sacerdote no dia 15 de dezembro de 1965.
Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis, cursou licenciatura em Teologia em Lyon, na França, e doutorado em Teologia, com especialização em Moral, na Academia Alfonsianum, em Roma. Durante 10 anos lecionou Teologia Patrística na Pontifícia Universidade Católica, PUC, do Rio de Janeiro. É autor de 27 livros, vários deles traduzidos para outras línguas. Construiu 15 comunidades de fé na Baixada Fluminense e em Petrópolis.
Atualmente é diretor-presidente da Editora Vozes, professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto Teológico Franciscano, ITF, em Petrópolis, e pároco da Igreja de Santa Clara, além de membros de importantes entidades religiosas e conferencista no Brasil e no exterior.
Comemoração ao jubileu de 50 anos de vida sacerdotal:
Celebrações:
12 de dezembro, às 19h
13 de dezembro, às 10h
Local: Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, no Centro.
Almoço festivo:
13 de dezembro, 12h
Valor: R$ 30. Os cartões podem ser adquiridos na secretaria da paróquia ou no local
Local: Associação da Bunge
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