Cerca de 800 pessoas participam da IV Conferência Estadual de Saúde Mental que acontece até hoje, sexta-feira, na cidade de Florianópolis. O encontro tem como tema a ?Saúde Mental: direito e compromisso de todos ? consolidar avanços e enfrentar desafios?, com enfoque na Intersetorialidade.
Quatro pessoas de Gaspar participam do evento, dois profissionais da saúde e dois usuários do Centro de Atenção Psicossocial, Caps. ?Neste encontro levamos as necessidades de Gaspar, elencadas na Conferência Municipal de Saúde Mental, e discutimos estas necessidades a nível estadual?, explica Honorina da Silva, superintendente de Saúde do município.
Os atendimentos da saúde mental acontecem através do Caps, que é o Centro de Atenção Psicossocial. Ao todo, cerca de 300 pessoas são atendidas pelo Caps de Gaspar mensalmente, entre crianças, adolescentes e adultos. Os atendimentos acontecem internamente, através de consultas e tratamentos, e externamente, através dos trabalhos de grupo realizados nos Postos de Saúde da cidade.
Conferência
Pela primeira vez uma Conferência de Saúde Mental traz uma abordagem Intersetorial, com a participação de diversas secretarias estaduais. ?É importante que todos os atores sociais tomem a responsabilidade sobre as questões que envolvem a Saúde Mental, para que o avanço nesta área seja consolidado em todas as direções?, destaca o Secretário de Estado da Saúde, Roberto Hess de Souza.
Nesta quarta edição, a Conferência tem três eixos temáticos: Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais; Consolidar a Rede de Atenção Psicossocial e fortalecer os movimentos sociais; e Direitos Humanos e Cidadania como desafio ético e intersetorial. Durante a Conferência Estadual, serão eleitos 30 delegados que vão representar Santa Catarina na conferência nacional que acontece de 27 a 30 de junho, em Brasília.
? Estima-se que cerca de 3% da população geral, em todas as faixas etárias, necessite de cuidados contínuos em Saúde Mental, em função de transtornos mentais severos e persistentes: psicoses, neuroses graves, transtornos de humor graves ou deficiência mental com grave dificuldade de adaptação. Cerca de 9% da população geral, em todas as faixas etárias, necessita de cuidados gerais em Saúde Mental, na forma de consulta médico-psicológica, aconselhamento, grupos de orientação, ou outras formas de abordagem, em função de transtornos mentais considerados leves. Transtornos graves associados ao consumo de álcool e outras drogas (exceto tabaco) atingem pelo menos 10% da população acima de 12 anos, sendo o impacto do álcool dez vezes maior que o do conjunto das drogas ilícitas.
Caps atende pacientes da saúde mental
O Centro de Atenção Psicossocial é um programa do Governo, desenvolvido através do Ministério da Saúde, e que tem como objetivo oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Os Caps, entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Com a criação desses centros, possibilita-se a organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. Os Caps são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários que oferecem atendimento diário.
Estes serviços devem ser substitutivos e não complementares ao hospital psiquiátrico. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento.
Os projetos desses serviços, muitas vezes, ultrapassam a própria estrutura física, em busca da rede de suporte social, potencializadora de suas ações, preocupando-se com o sujeito e a singularidade, sua história, sua cultura e sua vida cotidiana.
É função dos Caps:
- prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando as internações em hospitais psiquiátricos;
- acolher e atender as pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território;
- promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais por meio de ações intersetoriais;
- regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação;
- dar suporte a atenção à saúde mental na rede básica;
- organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios;
- articular estrategicamente a rede e a política de saúde mental num determinado território
- promover a reinserção social do indivíduo através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

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