
Quando falamos sobre reconstrução e manutenção de motos antigas, logo vêm em mente aqueles canais televisivos americanos em que uma equipe especializada compartilha cada detalhe do trabalho. Mas, você sabia que em Gaspar há um profissional que, sozinho, presta esse serviço com maestria?
É em uma oficina grande e muito bem abastecida que Eduardo Schmitt, de 51 anos, desenvolve projetos, constrói peças que não existem mais, reforma itens antigos e se entrega na confecção de máquinas. Esta é uma profissão diferente, com poucos concorrentes e de muito, mas muito trabalho. Isso porque Eduardo é perfeccionista e executa suas funções de maneira minuciosa, depositando tempo, inteligência e toda atenção às demandas dos clientes.
É no bairro Poço Grande, em Gaspar, que ele recebe motos originais de diversos países. Modelos únicos, exclusivos e históricos. Peças raras de colecionadores. A responsabilidade é imensa diante de cada novo projeto.
Como tudo começouEduardo Schmitt conta que o amor por motos antigas vem da infância. “Eu sempre gostei muito. Desde pequeno já desmontava, reformava e personalizava minhas bicicletas. Na adolescência, comecei a mexer com as motos e isso se tornou uma grande paixão. Lembro de ter 12 ou 13 anos e já realizar grandes melhorias nas máquinas”.
Ainda muito jovem, passou a trabalhar como metalúrgico em empresas de renome na região. O desempenho de Eduardo sempre foi admirável. De um capricho ímpar, ele conquistou a confiança de muitas pessoas que o pediam para realizar manutenções em motos e bicicletas por fora.
Sua destreza, agilidade e compromisso com o trabalho fez com que a demanda crescesse cada vez mais. Por isso, em 1994, ele decidiu abrir, no Centro de Gaspar, a própria oficina para trabalhar exclusivamente com motos e bicicletas antigas. “Minha especialidade é em modelos lançados antes de 1960. Os mais recentes acabo não pegando para fazer”, conta.
Já se passaram 28 anos do dia em que Eduardo passou a se dedicar exclusivamente a este serviço. E há cinco anos, ele mudou sua oficina para o Poço Grande, onde está até hoje. “Sou muito grato aos clientes que conquistei nessas quase três décadas, todos viraram grandes amigos. É um prazer trabalhar com isso. Me sinto realizado e acaba sendo um aprendizado constante a cada modelo inusitado que chega até minha oficina. É uma profissão que exige estudo e dedicação”.
Motos e bicicletas antigas são muito valorizadas nos dias de hoje. Mas, por trás dessas raridades, há alguém que as restaura. É exatamente isso que Eduardo faz todos os dias em sua oficina. “Muitas vezes, recebo as motos e bicicletas desmontadas. Então preciso restaurá-las, montar e até mesmo produzir as peças faltantes. Hoje em dia, compro muita coisa pela internet, geralmente da Alemanha ou outros países, mas ainda assim é necessário fazer peças aqui”.
O ferramenteiro mecânico confecciona escapamentos, lanternas, buzinas e diversas outras estruturas essenciais para o funcionamento das motos e bicicletas: “Às vezes, eu mesmo crio as máquinas que vão produzir peças faltantes. Eu jamais entregaria uma moto incompleta, a menos que seja a vontade do cliente. Meu objetivo é que elas funcionem de verdade e não sejam apenas objetos”.
Para cada trabalho, Eduardo destina, no mínimo, quatro meses. “São tantos detalhes... existem modelos de motos que preciso pesquisar, ver fotos e até mesmo pedir peças de outros profissionais para produzir os moldes. Isso tudo requer tempo e dedicação exclusiva. Minha intenção é entregar o produto idêntico ao de fábrica, com materiais da melhor qualidade”.

Motos e bicicletas antigas são artigos de luxo. Eduardo recebe pedidos de clientes de todo o Brasil e até mesmo de fora do país. “A maioria é de São Paulo, mas são recorrentes os clientes de Minas Gerais, Paraná... Por incrível que pareça, nesses tantos anos de profissão, quase nunca atendi clientes de Gaspar ou Blumenau, por exemplo”. Como os objetos são grandes e requerem cuidados, as peças ou as motos/ bicicletas inteiras precisam ser levadas à oficina por transportadoras.

Atualmente, o gasparense está trabalhando na manutenção de duas motos bastante autênticas. Uma delas do modelo Rabeneik e a outra da marca alemã Zundapp. A segunda, inclusive, é idêntica às utilizadas na Segunda Guerra Mundial. “Naquela época, os produtos Zundapp chegaram a ser comercializados com símbolos nazistas e, após a guerra, a empresa foi fechada e todas as motos destruídas. Essa que tenho aqui não possui qualquer símbolo, mas é provavelmente uma das sobreviventes”.
![]() |
![]() |
| Modelo Rabeneik em processo de restauração | Modelo idêntico ao utilizado na Segunda Guerra Mundial |


Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).