Desde que sofreu um acidente em meados de junho, o aposentado Bento Schramm, 63 anos, aguarda para fazer uma consulta com o único profissional de Ortopedia de Gaspar. Morador do bairro Bela Vista há 40 anos, Bento tem contabilizado os dias em que está à espera com as muletas que carrega dia após dia. ?Fiz alguns exames particulares e foi apontada a necessidade de fazer uma cirurgia na região do joelho e da perna. Estou com medo do meu problema se tornar irreversível?, teme.
O problema começou quando Bento foi surpreendido pela queda de um estaleiro enquanto trabalhava em um rancho de um familiar em Ilhota. ?Trabalhei com construção civil a vida inteira e nunca havia sofrido um acidente desta gravidade. Centenas de telhas caíram sobre minha perna. As dores que sinto no meu dia a dia são terríveis e se alastram por todo o corpo. Até meus vizinhos me perguntam como suporto as dores?, lamenta.
Depois de verificado o problema na região da perna direita por meio de exames de imagem, Bento começou a maratona diária para tomar intermináveis comprimidos para aliviar as dores. Com derrame articular, alterações degenerativas, fratura, edema na medula óssea, ruptura completa nos ligamentos cruzados, sinais de estiramento do ligamento, entre outros diagnósticos, Bento tem evitado pensar no pior. ?Consegui fazer este exame em hospital particular, mas não tenho mais condições financeiras de fazer a consulta com o ortopedista e muito menos a realização da cirurgia. Esta fila precisa andar?, exclama.
Sem prazo
De acordo com a Secretaria de Saúde, o nome de Bento Schramm consta na fila de espera pela médica ortopedista do município, e não há prazo estimado no momento para Bento ser consultado com o especialista devido aos critérios da secretaria, que encaminha os pacientes conforme o estágio da doença.
Segundo a Secretaria de Saúde, o caso do aposentado não é de urgência, e sim conceituado como ?brevidade?. ?Temos um ortopedista em Gaspar. O senhor Bento, quando houver vagas e for encaminhado, será avaliado por este profissional. Depois da consulta será decidido se existe ou não a necessidade de se fazer um procedimento cirúrgico, segundo o parecer da médica ortopedista?, afirma a escriturária da Secretaria de Saúde Fernanda de Azevedo.
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