
Por jornalista Franciele Back
Em um momento em que as pautas feministas são cada vez mais discutidas no Brasil, a presença de mulheres em quartéis, viaturas e até mesmo nas ruas vem sendo cada vez mais presente. Isso contribui para uma consolidação maior da participação da mulher em profissões que, aos poucos, deixam de ser ocupadas somente pelos homens. As vitórias vêm sendo conquistadas por meio de muita luta, que estão longe de acabar.
A gasparense, que sempre residiu no distrito Belchior, Maiara Caroline Thais, é um exemplo disso. Aos 27 anos, ela integra à equipe da Polícia Civil do estado de Santa Catarina, na cidade de Videira. Mesmo não sendo o sonho da infância de Maiara, a paixão pelo Direito Penal a levou a prestar um concurso público na área. “Inicialmente eu queria fazer o concurso para o cargo de delegado de polícia. Mas, como havia recém me formado no curso de Direito fiz, a inscrição para o cargo de agente e passei. Apesar de nunca ter sonhado em ser policial, hoje me sinto muito realizada no que faço”.
Para Maiara, ser policial civil não se trata apenas em dar tiro, utilizar arma e fazer operação, mas sim trabalhar com inteligência. Na delegacia, a agente é responsável pelo expediente da Secretaria de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). Conforme explica Maiara, a ausência de uma rotina os força a se adaptar a diversas situações. “Todos os dias são diferentes e isso é o que me deixa mais apaixonada pela profissão. Também participo de operações em Videira e em outras cidades, realizo investigações pertinentes à DPCAMI e dou apoio em buscas de mulheres vítimas de violência doméstica, além de realizar palestras com a psicóloga policial em escolas da comunidade”, explica.
Mas é claro que nesse meio nem tudo é um mar de rosas. A carreira na Polícia Civil é permeada por inúmeras histórias. Algumas boas e outras ruins. “Senti na pele a dificuldade de fazer um plantão sozinha, de ser acionada num sobreaviso durante a madrugada e ter que me deslocar para um local com 20 km de estrada de chão, na escuridão, sem serviço de celular e sem nenhum morador nas proximidades para atender um chamado de roubo em residência”, lembra.
Questionada sobre os preconceitos por ser mulher e estar numa função que ainda muitos acreditam ser de exclusividade dos homens, Maiara diz que até o momento não enfrentou preconceito. “Em diversas conversas com amigos policiais, percebo, cada vez mais, que os homens estão nos aceitando dentro da instituição. Somos um complemento importantíssimo para o trabalho na Polícia Civil. Aqui na DPCAMI somos três homens e três mulheres. E nós, normalmente, somos mais tranquilas, gentis, pacientes e detalhistas. Essas qualidades para o atendimento ao público e para a investigação são fundamentais”.
Exatamente nesta sexta-feira, dia 22 de junho, Maiara completa um ano na Polícia Civil de Santa Catarina. A preparação para integrar à equipe não foi tão simples assim. Além de estudar nos períodos da manhã e da tarde para o concurso, ela ainda praticava musculação e corrida no período noturno, a fim de se preparar para o teste de aptidão física exigida no concurso. “Eu passei três meses de abstinência social. Eu foquei nos estudos para garantir a vaga e consegui. Por fim, todo o esforço compensa, pois nada é mais gratificante do que ver nos olhos da vítima, a esperança de uma solução, o sorriso, o agradecimento e a satisfação quando o caso solucionado foi trabalho meu”.
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