
Depois do anúncio da Petrobras sobre aumento no preço da gasolina e do diesel nas refinarias, alguns postos de combustíveis de Santa Catarina já repassam reajustes ao consumidor nesta semana. Em Gaspar, não é diferente. Os motoristas já estão sentindo no bolso o aumento.
Em três postos de combustível na região central de Gaspar, os preços da gasolina variavam de R$ 3,16, R$ 3,48 e R$ 3,54. Já do diesel, os preços finais nas bombas estão em R$ 2,77, R$ 3,09 e R$ 3,14. A gasolina aditivada está em média R$ 3,58.
Caminhões já estão vindo das distribuidores com novos preços, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Santa Catarina, Sindipetro.
Os postos catarinenses têm feito o aumento conforme o reajuste anunciado pela Petrobras na terça, dia 29, de 6% para gasolina e 4% para diesel.
Novos aumentos
De acordo com o Sindipetro, novos aumentos devem ocorrer nos próximos dias devido aos impostos relacionados a esses combustíveis.
Em novembro de 2014, a Petrobras já havia aumentado o preço de venda nas refinarias da gasolina e do diesel, com altas de 3% e 5%, respectivamente. Em janeiro de 2015, a tributação incidente sobre a gasolina e o diesel também foi elevada, conforme o decreto presidencial 8.395, publicado no "Diário Oficial da União". Em agosto, a Petrobras anunciou também aumento do preço do gás de cozinha - o gás liquefeito de petróleo para uso residencial, embasado em botijões de até 13 kg (GLP P-13). A alta média anunciada foi de 15%.
Artigo - Vós pagais
Como sabido, as alterações das condições do mercado financeiro e a expectativa de crédito mais apertado afetaram os mercados de câmbio. Os reflexos negativos na moeda brasileira, o Real, está cada vez mais veloz. Desvalorizada, a conta chegou às empresas endividadas em moeda estrangeira, no caso a Petrobras.
Vulnerável à depreciação cambial, devido aos custos do produto final pela moeda americana, o aumento dos preços de gasolina e do diesel é resultado desse efeito dominó.
Porém, caso a situação das finanças públicas não fosse desastrosa, o governo teria como atenuar as variações de preços dos combustíveis sem desfalcar a Petrobras, regulando o tamanho da cobrança do imposto, que serviria de amortecedor. Caso o preço do petróleo subisse ou caísse além da conta, a diferença enfim seria repassada para o consumidor.
Em outra ponta do mesmo problema, vale questionar se a Petrobras tem liberdade moral de reajustar preços e tocar seus negócios de modo basicamente normal mediante a avalanche de escândalos do Petrolão mediante a operação Lava Jato?
Mas parece que o preço dos combustíveis devido à taxa de inflação é o menor dos males, o pior é perceber que o governo Dilma Rousseff e o Congresso Nacional vivem em outro planeta. Com veículos e até aeronaves à sua disposição, a turma da política não precisa ir aos postos de combustíveis, pois vós pagais, isto é, os cidadãos brasileiros por meio de seus impostos.
Thiago Moraes
Jornalista Jornal Cruzeiro do Vale
Edição: 1719
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