A quinta-feira, dia 30 de maio, foi marcada pelo ‘Dia do Geólogo’, profissão de extrema importância para o desenvolvimento sustentável das cidades. Isso porque é o profissional desta área que estuda a estrutura, constituição e história da crosta terrestre. O trabalho do geólogo parte do entendimento da dinâmica da Terra, estudando as características das rochas e dos terrenos em variadas escalas, para desvendar as origens e os diversos processos geológicos que controlam o meio físico em que vivemos.
O desenvolvimento de Gaspar se deu, por muitos anos, sem o estudo técnico de um geólogo. Passaram algumas enchentes e a tragédia de 2008, que destruiu parte da cidade, e somente há seis meses o município realizou a contratação de um profissional técnico para atuar na área: Antônio Marcon Borges, graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina.
A carência de mapeamento e os laudos em relação a áreas de risco lideraram, por muito tempo, o topo da lista de necessidades de Gaspar. Conforme afirma o geólogo Antônio Marcon Borges, que atua na cidade desde o final do ano passado, os seis meses de trabalho têm sido de muita celeridade em todos esses processos. “Neste período, foi possível atender quase que na totalidade uma demanda de ocorrências relacionadas a área de risco, deslizamentos ou inundações, que foram acumuladas devido a não existência da função. Além disso, foi possível organizar junto das demais secretarias as etapas necessárias para regulamentação de imóveis, envolvendo estudos detalhados de estabilidade de encostas”.
Sobre o mapeamento das áreas de rico, Antônio explica que cada ocorrência resulta em uma análise geológica que, posteriormente, pode compor um mapa de áreas de risco. “Gaspar é um dos municípios catarinenses contemplados pela Carta Geotécnica de Aptidão à Urbanização Frente aos Desastres Naturais, desenvolvida pelo Ministério das Cidades e Universidade Federal de Santa Catarina, que classifica as zonas de expansão urbana do município de acordo com o risco. Também usamos como base de dados os mapas dos Serviço Geológico do Brasil e relatórios gerados pós eventos de 2008”.
Ainda conforme o geólogo, as liberações das áreas de risco estão ocorrendo mediante a apresentação de estudos de estabilidade que atendam às condições de segurança. “O que acontece em Gaspar é uma combinação de fatores geológicos e climáticos que tornam as áreas mais suscetíveis, fato comprovado quando analisamos o histórico de eventos”. Isso quer dizer que, mesmo com as áreas mapeadas, é necessário analisar cada caso separadamente, uma vez que as condições variam numa escala na qual os mapas não abrangem. “Em todo o município, o processo de liberação ocorre após visita técnica e, quando necessário, solicita-se a parte interessada um estudo que avalie o respectivo terreno. Na maioria dos casos é necessário realizar estudo geotécnico com análise de estabilidade, que consiste em conjugar dados físicos do solo (coleta de amostra e processamento em laboratório), com dados topográficos e geológicos”.
A partir disso é possível saber o fator de segurança da área nas condições atuais e tomar uma decisão sobre a liberação. “Praticamente são três possíveis casos: se o local está seguro, se precisa de intervenção mitigatória, ou se não haverá condições para liberação”.
O geólogo afirma que todos os bairros de Gaspar já foram mapeados através de vistorias. Mas, o número de ocorrências pendentes para análise alteram toda semana. “A cada semana aparecem novas ocorrências, então esse é um número que fica flutuando. Isso me referindo às ocorrências bem pontuais”, justifica.
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