Por Ana C. Bernardes
O que você costuma utilizar para carregar os produtos que compra no supermercado? A equipe de reportagem do Cruzeiro do Vale acompanhou por algum tempo a movimentação em supermercados da cidade para conferir de perto o que os clientes preferem usar após finalizar as compras. Apesar do alerta sobre os efeitos nocivos que as sacolinhas plásticas podem causar ao meio ambiente, a maioria dos clientes ainda opta por elas. Para tentar reverter essa situação, supermercados passaram a controlar o número de produtos a serem colocados em cada sacola, além de oferecer caixas de papelão e comercializar sacolas retornáveis ecológicas.
Durante a visita aos supermercados de Gaspar, dezenas de clientes entravam e saíam dos estabelecimentos levando as mais diferentes quantidades de produtos. Alguns optaram por fazer a compra mensal ou semanal, outros queriam apenas comprar o necessário para o dia. Mesmo com a diferença nas quantidades de produtos, a maioria dos clientes saía carregando as compras nas conhecidas sacolinhas de plástico. Muitas sacolas levavam poucos itens, outras estavam cheias. Ainda havia aqueles poucos clientes que escolhiam levar as compras em caixas de papelão. A minoria preferia entrar com as pouco conhecidas ecobags, as bolsas retornáveis, e sair carregando as compras nela. As imagens observadas no município se assemelham em outras tantas cidades do país, onde os clientes de supermercados ainda preferem utilizar as sacolinhas plásticas a buscar alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente. A discussão sobre o uso excessivo de sacolas de plástico em supermercados, tema que virou polêmica em 2012, quando um projeto de lei copiado em várias cidades começou a restringir o uso delas, parece ter perdido sua força. Hoje, são poucas as pessoas que deixam de utilizá-las devido aos impactos ambientais que podem causar se forem descartadas de forma incorreta.
Opiniões
Apesar de reconhecer o impacto ambiental causado pelas sacolinhas plásticas, Altamir da Luz, 42 anos, afirma que prefere utilizá-las toda vez que vai a um supermercado por sua praticidade. ?É uma questão de costume também. A maioria das pessoas está acostumada a pegar uma sacolinha, que sempre está à vista. É difícil mudar esse pensamento?, diz. Assim como ele, Valdemira Spengler, 70 anos, também costuma utilizar as sacolinhas ao fazer compras no mercado, mas prefere levar os produtos em caixas de papelão quando há disponibilidade. ?Gosto das caixas, pois cabem mais coisas e é mais fácil de carregar no carro. Mas ainda prefiro as sacolinhas para usar depois no lixo da cozinha e do banheiro?, conta. A aposentada acredita que o uso das sacolinhas ainda é necessário para todos, já que sua utilidade não está associada apenas para carregar compras. ?Elas são úteis para diversas coisas em casa. Sei que não são a melhor opção, principalmente para o meio ambiente, mas não podemos simplesmente descartá-las de vez?, defende.
Embora o uso das sacolas plásticas seja muito maior, há os clientes que optam por utilizar as sacolas ecológicas em todas as compras. É o caso de Petronília da Silva Machado, 60 anos, que vai semanalmente aos supermercados. ?Comprei minha sacola retornável no próprio mercado há um bom tempo e, desde então, só uso ela. Além de ser muito mais prática e resistente para eu levar de bicicleta, ainda estou fazendo minha parte pelo meio ambiente e deixando de acumular lixo?, ressalta. Neuza Isensee, 62 anos, partilha da mesma opinião de Petronília e diz ainda utilizar as sacolas plásticas somente em casos de emergência. ?Hoje, por exemplo, estava no Centro e lembrei que precisava passar no mercado, mas não tinha levado minha.
Procura por sacolas ainda é grande
A polêmica do uso das sacolinhas não foi capaz de diminuir consideravelmente a procura por elas na hora de ir ao supermercado. Segundo a operadora de caixa do Supermercado Goedert, Jéssica dos Santos Tomás, a maioria dos clientes ainda pede por elas ao final das compras. ?Acho que eles preferem por ser menos trabalhoso e mais rápido?, opina. Ainda de acordo com Jéssica, o uso de caixas de papelão também vem aumentando, principalmente para as pessoas mais idosas. Quanto às ecobags, ela afirma que o mercado comercializa, mas que ainda são poucas as pessoas que preferem usá-las. Já no Supermercado Mocam, a fiscal de caixa, Adriane Zimmermann, diz que como a procura pelas sacolas de plástico é grande, a gerência determinou que sejam colocados, pelo menos, seis itens em cada sacola. ?Nossos funcionários sempre fazem isso, o que acaba economizando sacolas e também contribuindo para a preservação do meio ambiente?, destaca. Os operadores de caixa e empacotadores do Supermercado Mocam devem utilizar apenas mil sacolinhas a cada R$ 18 mil vendidos. ?Por isso, pedimos para que eles ofereçam caixas de papelão aos clientes que compram em grande quantidade?, conta. Para tentar reduzir o uso das sacolinhas, o consultor especializado em sustentabilidade do Instituto Akatu, Estanislau Maria, recomenda utilizar sacolas plásticas confeccionadas em algodão, lona ou PET reciclado. Ele afirma ainda que é possível também usar o carrinho de feira ou engradados para acomodar os produtos, ou recorrer às caixas de papelão. Já para aqueles que utilizavam os saquinhos plásticos para despejar o lixo doméstico, a dica é forrar os cestos de lixo com dobradura de jornal. ?Assim você mantém um único cesto grande de lixo com o tradicional saco preto, de preferência feito de plástico reciclado, e deposita dentro dele todo o lixo orgânico, embalado nos saquinhos de jornal?, orienta.
Dados
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, são distribuídas por hora no Brasil cerca de 1,5 milhão de sacolinhas plásticas. A preocupação em torno disso está ligada, principalmente, ao fato de depois de usadas serem descartadas de maneira incorreta, ao invés de serem recicladas. Muitas delas acabam indo parar em rios, lagos e oceanos, onde são confundidas com alimento e ingeridas por animais. Além disso, se descartadas de maneira incorreta, elas poluem cidades e entopem bueiros, agravando situações de desastres como alagamentos e enchentes. Cada sacola plástica leva de 100 a 400 anos para se decompor.
Edição 1613
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