
Amor! Esse é o principal sentimento de Rogério da Silva diante do trabalho que desenvolve em Gaspar. Morador do bairro Gaspar Grande, ele abriga cães e gatos que precisam de um lar. Sua intenção é promover o bem-estar desses animais até que consigam ser adotados por uma família responsável. Porém, essa não é uma tarefa nada fácil. Atualmente, há cerca de 130 bichos em seu terreno. Para dar conta da demanda, o trabalhador precisa da colaboração da comunidade.
Grande parceiro da Associação Gasparense de Amparo e Proteção dos Animais (Agapa), recentemente seu Rogério abriu as portas da sua casa para receber voluntários. Na oportunidade, o grupo verificou as principais necessidades do abrigo. "Tenho aqui filhotes, adultos e idosos. Tanto machos quanto fêmeas. De todos os tamanhos, geralmente sem raça definida. Eles são muito bem cuidados, mas é bem difícil manter essa quantidade de animais sozinho", destaca.
Seu Rogério recebe uma ajuda mensal da Prefeitura Municipal de Gaspar com ração. Apesar disso, a quantidade não é suficiente. "Conto com o apoio da Agapa também, que sempre faz o possível para me dar suporte nessa jornada. Imagine alimentar quase 130 animais todos os dias... Acabo tendo que arcar com boa parte dessa ração e demais gastos", explica. A batalha é de fato árdua, mas não o desanima: "Ainda existe muita gente bondosa que colabora como pode. E são essas que estão no meu lado".
Outra preocupação do trabalhador é quanto à responsabilidade de quem adota os animais abrigados em seu lar. Nesse sentido, ele lista alguns pontos que devem ser levados em consideração por quem deseja adotar um pet. "Cachorros e gatos precisam de espaço, fazer passeios, acompanhamento veterinário, vacinas em dia, alimentação e hidratação, higiene... Parece muita coisa, mas é o mínimo. São seres vivos que sentem fome, dor e frio. Eles não são descartáveis", afirma.
Para Janaina Stein, coordenadora de Abrigos e Lares Temporários da ONG, esse diálogo direto com o seu Rogério ajuda a identificar problemas e também solucioná-los. “A causa animal, assim como tantas outras importantes, deve se tornar um trabalho conjunto com a comunidade. Sempre batemos nessa tecla pois é imprescindível a compreensão e colaboração de todos em prol de um bem maior. A união faz a nossa força”, ressalta.
Novo na Agapa, Lucas Mateus Siqueira de Souza participou da visita ao abrigo e já está por dentro das demandas. “Me voluntariei há cerca de dois meses. A ida ao abrigo do seu Rogério foi uma excelente oportunidade para me inteirar do serviço prestado por ele. Sua dedicação é admirável e merece mais reconhecimento da comunidade. Uma ótima maneira de contribuir é doando ração ou adotando, de forma responsável, um de seus animais”, conclui o jovem.
Sempre muito atuante no município, Rafael Araujo Freitas, presidente da Agapa, reforça o posicionamento de seu Rogério e aproveita para fazer um apelo ao povo gasparense. "Trabalhamos com foco nas adoções responsáveis. Não basta se interessar no animal e buscá-lo. É preciso que o adotante esteja consciente de tudo o que uma adoção acarreta. Como os cuidados com a saúde e bem-estar do pet. Por isso, realizamos uma entrevista antes”.
De acordo com ele, ainda há casos de famílias que adotam e depois de um tempo abandonam novamente o animal. “São minorias, assim como as ocorrências de maus-tratos. Mas enquanto acontecerem, estaremos vigilantes e tomando as medidas cabíveis. Nosso compromisso enquanto voluntários é garantir uma nova vida aos animais e não apenas arranjar um lugar para eles ficarem”, explica o presidente.
O mesmo ponto é defendido por Maria Alice Spengler, vice-presidente da entidade. "Não adote por impulso! Esteja ciente de todas as responsabilidades que uma adoção exige. O animal que vem da rua é como qualquer outro. Sua origem não o torna descartável. O adotante não pode simplesmente nos procurar e exigir a devolução ou troca. A partir do momento que você adota, esse animal é de inteira responsabilidade sua", conclui a voluntária.
Interessados em ajudar o abrigo do seu Rogério podem entrar em contato com ele pelo telefone (47) 9625-0140. Ele recebe a comunidade para visitas, desde que agendadas previamente.
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