As reestruturações administrativas que vem sendo feitas no Hospital de Gaspar terão reflexos também no atendimento aos pacientes da cidade vizinha. Já estão em negociação três convênios de prestação de serviços do hospital aos moradores de Ilhota. Isso vai trazer melhorias para a população vizinha (facilitando o deslocamento e diminuindo custos) e também para a saúde financeira da instituição.
O primeiro convênio, que já está em fase de finalização, é o de uso do Centro de Diagnóstico por Imagem, onde são ofertados os serviços de mamografia, tomografia, raio x e ultrassonografia. Outros dois convênios a serem firmados são para o uso do Pronto Socorro e maternidade.
Atualmente, o hospital de referência para atender os moradores de Ilhota é o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. “Hoje, cerca de 20% dos atendimentos no Pronto Socorro do Hospital de Gaspar já são destinados a pacientes de Ilhota. A diferença é que, com os convênios, vamos passar a receber aporte financeiro mensal da prefeitura de Ilhota”, diz o presidente da Comissão Interventora do Hospital de Gaspar, Jorge Pereira, para tranquilizar a população sobre a possibilidade de superlotação.
Desde o começo do ano, o Hospital de Gaspar vem passando por uma reestruturações administrativas. Está sendo realizada uma grande auditoria em todos os processos e a administração está negociando as dívidas com fornecedores.
Conforme Jorge Pereira, quando ele assumiu a presidência da Comissão Interventora havia a informação de cerca de R$32 milhões em dívidas. Porém, este montante não era auditado e existiam valores já pagos e que não constavam como baixados. “Estamos regularizando tudo. Demos início às negociações e chegamos à conclusão de que hoje temos um número aproximado de R$15 milhões de dívidas. Já conseguimos quitar algumas e negociar outras”. Ainda segundo Jorge, o período em que o hospital permaneceu fechado resultou em vários processos trabalhistas, o que dificulta a possibilidade de manter dinheiro em caixa.
Mesmo diante de todas as dificuldades, com as novas atitudes administrativas o hospital conseguiu garantir uma economia total de cerca de R$2 milhões em 2022. Uma das maiores dificuldades que a Casa de Saúde enfrenta hoje é no repasse de verbas por parte do Governo do Estado. Segundo o presidente da Comissão Interventora, há um déficit neste repasse desde outubro do ano passado. “Em 2021, recebemos R$14 milhões. E neste ano o valor está em a R$6 milhões. Enquanto este dinheiro não chega ao caixa, o aporte financeiro para custeio dos serviços fica por conta da prefeitura de Gaspar”, explica.
O maior anseio da Administração do Hospital agora é poder contar com o apoio da sociedade civil para melhorar os processos administrativos e os atendimentos. “Nós não prestamos um serviço barato e a população precisa saber disso. Precisamos ter um Conselho Construtivo, onde a política esteja à parte de algumas soluções para termos um hospital de altíssimo nível para bem atender a população. E isso só será possível com grandes representatividades da sociedade civil”. Pra Jorge, isso pode ajudar até mesmo a amenizar os impactos financeiros, incluindo o término de dívidas. “Já conseguimos o perdão de dívidas de mais de R$2 milhões por conta de auxilio de pessoas da sociedade civil e isso pode nos ajudar significativamente. Eu, como presidente e como cidadão, anseio de que esta seja nossa maior realização para o ano que vem”.
No próximo ano, o Hospital de Gaspar vai contar com um departamento de auditoria, específico para análise de todos os procedimentos realizados dentro da unidade. “Precisamos saber se o paciente foi bem atendido e como foi realizado o procedimento no Pronto Socorro, pois temos também muitas reincidências e precisamos descobrir qual o motivo”, diz Jorge. A ideia é de que haja também uma ouvidoria para avaliação de todos os atendimentos por parte dos pacientes.
O hospital conta com uma equipe de 400 profissionais. Mensalmente, são realizados cerca de 500 atendimentos, sendo 60 procedimentos de parto e cerca de 150 cirurgias eletivas. A fim de ampliar e qualificar os atendimentos, haverá um leito específico para às crianças. Em fevereiro de 2023, já devem começar as obras de construção da UTI Geral. Depois disso, haverá a construção do novo Pronto Atendimento. O orçamento para as reformas previstas gira em torno de R$25 milhões, sendo que parte do recurso para a o pronto socorro já está garantido.

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