
Na noite de 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio (Papa Francisco) apareceu pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro vestido de branco. Juntamente com a homenagem afetuosa ao seu predecessor emérito, a sua saudação inicial já continha alguns traços salientes do pontificado: a ênfase em ser o Bispo de Roma; a centralidade do povo fiel de Deus ao qual o novo Pastor pediu uma bênção antes de a conceder; e a oração por uma grande fraternidade no mundo dilacerado pela injustiça, violência e guerras.
Nos dias que se seguiram, o Papa explicou o significado do nome que quis assumir, ligando-o ao sonho de uma Igreja pobre e para os pobres: Francisco de Assis, disse ele, é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação.
Ele foi o primeiro Papa a escolher o nome de Francisco. “Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo (era Dom Cláudio Hummes, que receberam o cardinalato na mesma data, em 21 de fevereiro de 2001). Quando a coisa começou a ficar um pouco perigosa, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a 2/3, aconteceu o aplauso esperado, pois, afinal, havia sido eleito o Papa. Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente lembrei de São Francisco de Assis.”
A perspectiva do seu pontificado partiu de baixo, com uma maior atenção às ‘periferias’ existenciais e geográficas do mundo, como ponto de partida do seu modo de ser e agir. Ao convidar os fiéis a retomar o frescor original do Evangelho, pediu-lhes um maior fervor e dinamismo, para que o amor de Jesus pudesse chegar realmente a todos. A Igreja que Bergoglio queria era uma Igreja ‘em saída’, de portas abertas, um hospital de campanha, sem temer a “revolução da ternura e o milagre da delicadeza”.
Papa Francisco começou o seu pontificado marcado pela novidade. A mais importante foi a de celebrar missas diárias na Casa Santa Marta, onde decidiu morar, ao invés da Residência Apostólica. Esta foi mais uma novidade! Em suas breves homilias, pronunciadas com rigor e estilo de pároco, buscou estabelecer um diálogo direto com os fiéis, exortando-os a um confronto imediato com a Palavra de Deus.
Dez anos mais tarde, o Vaticano deu espaço para que outras pessoas falassem sobre o Papa:
Mensagem dos Bispos Italianos
10º aniversário da eleição para a Cátedra de Pedro – Felicitações da Presidência da Conferência EpiscopaI Italiana ao Papa Francisco.
Beatissimo Padre, dez anos se passaram desde aquela “boa noite” com a qual o senhor se apresentou à Igreja e ao mundo inteiro; desde então, suas palavras e gestos continuaram a tocar o coração, a surpreender, a falar a todos e a cada um.
Essa saudação foi o início de um diálogo: neste tempo, ajudou-nos a compreender como o Evangelho é atraente, persuasivo, capaz de responder às muitas perguntas da história, e a escutar as perguntas que afloram nas dobras da existência humana.
O senhor nos ensinou a sair, a ir às ruas e sobretudo a ir às periferias, para entender quem somos. Só podemos nos conhecer realmente olhando de fora, daquelas primeiras periferias que são os pobres: o senhor nos encorajou a encontrá-los, a vê-los, a tocá-los, a fazê-los nossos irmãos e irmãs mais novos. Porque, como nos lembrou muitas vezes, a nossa não é uma fé de laboratório, mas uma viagem, na história, a ser feita em conjunto.
Queremos expressar nossa gratidão por ter aceitado o legado de Bento XVI e por nos ter acompanhado, a partir do Ano da Fé, encorajando-nos a viver como cristãos nas muitas contradições, desafios e pandemias deste mundo. Com o compromisso de “traçar juntos caminhos de paz”, porque “somente a paz que vem do amor fraterno e desinteressado pode nos ajudar a superar crises pessoais, sociais e mundiais” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2023).
Juntamente com as Igrejas na Itália, oferecemos nossos mais calorosos votos para este aniversário, assegurando ao senhor nossa proximidade ativa e nossas orações (Roma, 13 de março de 2023)
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Depoimento do Secretário-Geral do Sínodo
Uma frase que me impressionou e muitas vezes me faz pensar é uma frase tirada da encíclica Fratelli Tutti, onde o Santo Padre diz que hoje “ninguém se salva a si mesmo” (n.32). Esta afirmação não é válida apenas na Igreja, mas também deve ser colocada na vida cotidiana. Com efeito, creio que num mundo fragmentado, num mundo de conflitos e individualismos, o Santo Padre – naturalmente inspirado por Jesus e pelo seu Evangelho – procura criar maior comunhão entre os homens e as mulheres do nosso tempo: e isto, repito, tanto no mundo secular como na Igreja. Este é o desafio, certamente não fácil, que o Papa lançou nos últimos anos. O Papa Francisco está sustentando a Igreja em seus passos, pequenos passos, nesta direção, justamente para ajudar tanto a comunidade eclesial quanto a comunidade internacional a se unirem para então poder enfrentar os desafios da humanidade hoje.
Cardeal Mario Grech
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Mensagem do Patriarca ecumênico de Constantinopla
Para mim é uma honra especial e uma profunda alegria expressar as minhas mais sinceras felicitações ao meu amado irmão, o Papa Francisco, por ocasião do décimo aniversário da sua eleição como primeiro bispo da nossa Igreja irmã de Roma. Ao longo destes dez anos, a nossa amizade e colaboração, especialmente no ministério de levar conforto e paz a todo o povo de Deus, e no mandato de promover cuidados e cura para toda a Criação de Deus, aproximaram-nos na nossa convicção e compromisso comum de ver o rosto e acolher a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo nos últimos dos nossos irmãos e irmãs sofredores.
Caro irmão Francisco, apreciamos as prioridades da tua liderança, aplaudimos a prudência das tuas ações e admiramos os progressos do teu mandato. Pessoalmente, não vejo a hora de partilhar os próximos passos do teu caminho abençoado à medida que nos aproximamos da comemoração histórica e extraordinária celebração do Primeiro Concílio ecumênico de Niceia, onde foram formulados os principais artigos do nosso Credo cristão. Ad multos annos, meu caro amigo! Chrónia pollá!
Bartolomeu I

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