Igreja celebra 10 anos do pontificado do Papa Francisco - Jornal Cruzeiro do Vale

Igreja celebra 10 anos do pontificado do Papa Francisco

13/03/2023
Igreja celebra 10 anos do pontificado do Papa Francisco

Na noite de 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio (Papa Francisco) apareceu pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro vestido de branco. Juntamente com a homenagem afetuosa ao seu predecessor emérito, a sua saudação inicial já continha alguns traços salientes do pontificado: a ênfase em ser o Bispo de Roma; a centralidade do povo fiel de Deus ao qual o novo Pastor pediu uma bênção antes de a conceder; e a oração por uma grande fraternidade no mundo dilacerado pela injustiça, violência e guerras.

Nos dias que se seguiram, o Papa explicou o significado do nome que quis assumir, ligando-o ao sonho de uma Igreja pobre e para os pobres: Francisco de Assis, disse ele, é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação.

Ele foi o primeiro Papa a escolher o nome de Francisco. “Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo (era Dom Cláudio Hummes, que receberam o cardinalato na mesma data, em 21 de fevereiro de 2001). Quando a coisa começou a ficar um pouco perigosa, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a 2/3, aconteceu o aplauso esperado, pois, afinal, havia sido eleito o Papa. Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente lembrei de São Francisco de Assis.”

A perspectiva do seu pontificado partiu de baixo, com uma maior atenção às ‘periferias’ existenciais e geográficas do mundo, como ponto de partida do seu modo de ser e agir. Ao convidar os fiéis a retomar o frescor original do Evangelho, pediu-lhes um maior fervor e dinamismo, para que o amor de Jesus pudesse chegar realmente a todos. A Igreja que Bergoglio queria era uma Igreja ‘em saída’, de portas abertas, um hospital de campanha, sem temer a “revolução da ternura e o milagre da delicadeza”.

Papa Francisco começou o seu pontificado marcado pela novidade. A mais importante foi a de celebrar missas diárias na Casa Santa Marta, onde decidiu morar, ao invés da Residência Apostólica. Esta foi mais uma novidade! Em suas breves homilias, pronunciadas com rigor e estilo de pároco, buscou estabelecer um diálogo direto com os fiéis, exortando-os a um confronto imediato com a Palavra de Deus.

Dez anos mais tarde, o Vaticano deu espaço para que outras pessoas falassem sobre o Papa:

Mensagem dos Bispos Italianos
10º aniversário da eleição para a Cátedra de Pedro – Felicitações da Presidência da Conferência EpiscopaI Italiana ao Papa Francisco.
Beatissimo Padre, dez anos se passaram desde aquela “boa noite” com a qual o senhor se apresentou à Igreja e ao mundo inteiro; desde então, suas palavras e gestos continuaram a tocar o coração, a surpreender, a falar a todos e a cada um.
Essa saudação foi o início de um diálogo: neste tempo, ajudou-nos a compreender como o Evangelho é atraente, persuasivo, capaz de responder às muitas perguntas da história, e a escutar as perguntas que afloram nas dobras da existência humana.
O senhor nos ensinou a sair, a ir às ruas e sobretudo a ir às periferias, para entender quem somos. Só podemos nos conhecer realmente olhando de fora, daquelas primeiras periferias que são os pobres: o senhor nos encorajou a encontrá-los, a vê-los, a tocá-los, a fazê-los nossos irmãos e irmãs mais novos. Porque, como nos lembrou muitas vezes, a nossa não é uma fé de laboratório, mas uma viagem, na história, a ser feita em conjunto.
Queremos expressar nossa gratidão por ter aceitado o legado de Bento XVI e por nos ter acompanhado, a partir do Ano da Fé, encorajando-nos a viver como cristãos nas muitas contradições, desafios e pandemias deste mundo. Com o compromisso de “traçar juntos caminhos de paz”, porque “somente a paz que vem do amor fraterno e desinteressado pode nos ajudar a superar crises pessoais, sociais e mundiais” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2023).
Juntamente com as Igrejas na Itália, oferecemos nossos mais calorosos votos para este aniversário, assegurando ao senhor nossa proximidade ativa e nossas orações (Roma, 13 de março de 2023)

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Depoimento do Secretário-Geral do Sínodo
Uma frase que me impressionou e muitas vezes me faz pensar é uma frase tirada da encíclica Fratelli Tutti, onde o Santo Padre diz que hoje “ninguém se salva a si mesmo” (n.32). Esta afirmação não é válida apenas na Igreja, mas também deve ser colocada na vida cotidiana. Com efeito, creio que num mundo fragmentado, num mundo de conflitos e individualismos, o Santo Padre – naturalmente inspirado por Jesus e pelo seu Evangelho – procura criar maior comunhão entre os homens e as mulheres do nosso tempo: e isto, repito, tanto no mundo secular como na Igreja. Este é o desafio, certamente não fácil, que o Papa lançou nos últimos anos. O Papa Francisco está sustentando a Igreja em seus passos, pequenos passos, nesta direção, justamente para ajudar tanto a comunidade eclesial quanto a comunidade internacional a se unirem para então poder enfrentar os desafios da humanidade hoje.
Cardeal Mario Grech

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Mensagem do Patriarca ecumênico de Constantinopla
Para mim é uma honra especial e uma profunda alegria expressar as minhas mais sinceras felicitações ao meu amado irmão, o Papa Francisco, por ocasião do décimo aniversário da sua eleição como primeiro bispo da nossa Igreja irmã de Roma. Ao longo destes dez anos, a nossa amizade e colaboração, especialmente no ministério de levar conforto e paz a todo o povo de Deus, e no mandato de promover cuidados e cura para toda a Criação de Deus, aproximaram-nos na nossa convicção e compromisso comum de ver o rosto e acolher a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo nos últimos dos nossos irmãos e irmãs sofredores.
Caro irmão Francisco, apreciamos as prioridades da tua liderança, aplaudimos a prudência das tuas ações e admiramos os progressos do teu mandato. Pessoalmente, não vejo a hora de partilhar os próximos passos do teu caminho abençoado à medida que nos aproximamos da comemoração histórica e extraordinária celebração do Primeiro Concílio ecumênico de Niceia, onde foram formulados os principais artigos do nosso Credo cristão. Ad multos annos, meu caro amigo! Chrónia pollá!
Bartolomeu I

 

 



 

Edição 2095

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