Sob a escuridão da noite, as chamas do cachimbo compartilhado entre os usuários de crack iluminam as filmagens feitas pela equipe de reportagem do programa Estúdio Santa Catarina. O programa dominical do grupo RBS foi ao ar no dia 12 de setembro e denunciou o problema que nos últimos meses se agrava em Gaspar.
Escondidos entre os túmulos do Cemitério Municipal do bairro Santa Terezinha, o repórter Francis Silvy e o cinegrafista Felipe Abreu flagraram jovens consumindo a droga.
?Assim que a noite traz a escuridão eles aparecem. Vagam entre os túmulos. São almas penadas pelo crack?. O texto escrito pelo repórter chama a atenção para a seriedade do problema, que foi denunciado pelo Jornal Cruzeiro do Vale em julho deste ano.
Nas grandes cidades, a região onde usuários se reúnem para consumir a droga são denominadas cracolândia. Em Gaspar, o Cemitério Municipal ainda não recebeu este título, mas já é conhecido por todos os usuários, e traficantes, como um lugar ?seguro? para consumir a droga que transforma o ser humano em morto vivo.
Policiamento
Apesar do aumento do número de pessoas que se dirigem ao cemitério todas as noites para fumar a droga, a polícia garante que faz o possível para combater a situação. ?Não temos estrutura para fazer frente a tudo, mas temos combatido o tráfico na cidade. Na sexta-feira que antecedeu a veiculação da reportagem feita pela RBS prendemos uma das traficantes que atuava no local. Somente neste ano já prendemos muitos traficantes daquela região. Teve um dia que fizemos seis flagrantes. Temos feito o possível para combater este mal?, destaca o delegado Paulo Norberto Koerich.
Dados levantados pela equipe da Polícia Militar revelam que somente neste ano de 2010, entre os meses de janeiro e setembro, 4.673 pedras de crack foram apreendidas na cidade. O número é bem superior ao ano passado, quando, no mesmo período, foram apreendidas 1.633 pedras. No estado de Santa Catarina foram 139 mil pedras apreendidas em 2010.
Em meados de julho, durante entrevista concedida à equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro, o comandante da PM, Major Moacir Gomes Ribeiro, afirmou que as guarnições fazem rondas diárias no bairro Santa Terezinha, onde fica o cemitério municipal. Porém, Gomes lembrou que não adianta a PM recolher estes usuários das ruas e levar para a Delegacia e depois eles serem novamente liberados. ?Falta em nossa cidade um local para tratar estas pessoas. Eles são usuários, não podem ser presos, então voltam para as ruas e o problema continua. Este é um problema mundial e precisa ser tratado com políticas públicas eficientes. Estas pessoas são dependentes, que precisam de tratamento e acredito que há solução para eles?, apontou o policial.
Em julho deste ano, a equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale denunciou o problema do uso de drogas no Cemitério Municipal. Durante o dia, a reportagem flagrou restos de materiais utilizados pelos usuários, como latas de refrigerante, que são transformadas em cachimbos para garantir o fumo. Apesar da denúncia, nenhuma atitude foi tomada pela empresa administradora do local, e nem pelo Poder Público, para acabar com o problema, que se agrava a cada dia.





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