O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, Samae, vai responder a um Inquérito Civil Público pelo aumento de mais de 100% na taxa cobrada pelos serviços de coleta do lixo no bairro Gasparinho, na localidade compreendida entre o Posto de Saúde do Gasparinho Quadro até a rua Itália.
O fato foi denunciado ao Ministério Público, que no último dia 30 de agosto resolveu instaurar Inquérito Civil Público para apurar e investigar as denúncias apresentadas pelo morador Osni Tosi, representante das cerca de 60 famílias que residem na localidade e pagam pela taxa do lixo. O inquérito tem o prazo de um ano para ser concluído e pode ser prorrogado pelo mesmo período, quantas vezes forem necessárias, conforme determinação do promotor de justiça, Murilo Adaghinari.
Osni é servidor do Samae mas está afastado após um acidente de trabalho. Segundo ele, em janeiro deste ano o Samae cobrava R$5,47 pela coleta do lixo e sem nenhum aviso prévio, em fevereiro, passou a cobrar R$8,20 pelo mesmo serviço. No mês de março, quando a autarquia anunciou o reajuste de 38% no serviço de coleta de lixo de toda a cidade, os moradores passaram a pagar R$11,33 pelo mesmo serviço. ?Quando os moradores perceberam esse aumento vieram me questionar e eu fui questionar os dirigentes do Samae. Fui orientado a fazer um abaixo assinado e fiz, mas não adiantou de nada?, revela.
Ao todo, Osni coletou 162 assinaturas e entregou no Samae, pedindo que todos fossem ressarcidos do valor cobrado, que segundo ele era indevido, porém, não foi atendido. ?Como não obtive retorno denunciei o fato ao Ministério Público, pois precisamos lutar pelos nossos direitos. Não tenho nada contra o Samae e nem contra seus dirigentes. A única coisa que quero é que a lei seja cumprida e pela lei o valor cobrado deveria ser de R$5,47 e depois o reajuste dos 38% deveria ser em cima deste valor?, defende o líder comunitário.
Para Osni, a decisão do Ministério Público, de abrir o inquérito civil, é prova de que ele está certo em questionar a cobrança. ?Acredito que a justiça será feita e que assim teremos nossos direitos garantidos?, aponta.
O que diz o Samae
O Samae esclarece que em algumas ruas do bairro Gasparinho o número de passadas não estava uniforme. Através do levantamento executado pelo Samae unificou-se as passadas por região e o bairro Gasparinho passou a ser contemplado efetivamente com a coleta três vezes por semana.
Em novembro de 2009 em virtude do déficit que acontecia entre a arrecadação e o valor pago à empresa responsável pela coleta do lixo em Gaspar, a taxa da coleta sofreu reajuste, conforme está estabelecido no Decreto 3.679. segundo a assessoria de imprensa do Samae, o último reajuste havia ocorrido em 2007, fazendo com que o valor arrecadado ficasse ainda mais defasado. A nova tarifa para a coleta passou a ser aplicada em fevereiro de 2010.
Os responsáveis da autarquia destacam ainda que o atual valor da taxa do lixo está de acordo com a Lei 1.330/91 que institui o Código Tributário do Município de Gaspar, referente ao Capítulo IV da Taxa de Coleta do Lixo, onde o Art. 265 aponta que a base de cálculo da taxa de coleta do lixo será calculada e lançada com base no custo total do serviço no mês, proporcionalmente ao número de passadas mensais.
Entenda o caso
A taxa da coleta do lixo é cobrada de acordo com o número de passadas no decorrer do mês. De acordo com o Decreto 3.679 de 23 de novembro de 2009, na localidade que compreende o trecho do Posto do Gasparinho Quadro até a rua Itália, o caminhão passava em média 8,68 vezes.
Este decreto foi substituído pelo Decreto 3.909, de 26 de abril de 2010, porém, ainda tinha validade no mês de fevereiro de 2010, quando a taxa da localidade passou de R$5,47 (valor este correspondente a 8,68 passadas) para R$8,20, sem aviso prévio para a comunidade.
O novo decreto, assinado em abril, criou novas localidades e uma nova taxa, aumentando para 13,02 passadas mensais no bairro Gasparinho, fato que justificaria o reajuste para R$8,20.
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