Internações por infarto crescem mais de 150% no Brasil; cardiologista de Gaspar fala sobre sintomas e tratamento - Jornal Cruzeiro do Vale

Internações por infarto crescem mais de 150% no Brasil; cardiologista de Gaspar fala sobre sintomas e tratamento

22/08/2023

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte entre homens e mulheres em todo o Brasil. De 2017 a 2021, o país registrou 7.368.654 mortes por este motivo. E dados mostram que, de 2008 e 2022, o número de internações por infarto aumentou 158% envolvendo homens e 157% envolvendo mulheres.

Esclareça dúvidas, saiba dos sintomas e confira qual o tratamento indicado, conforme orientações do médico cardiologista Dr. Silvio Cleffi:


O que é um infarto?

Dr. Silvio Cleffi: Infarto é uma manifestação complexa de eventos que resulta na obstrução da passagem do sangue nas artérias coronárias, que são as artérias que suprem o miocárdio (musculo do coração) principalmente de nutrientes e oxigênio.


Como ele acontece?
Dr. Silvio Cleffi: Ele pode ocorrer de duas formas principais, que nós chamamos de infarto obstrutivo (que é a imensa maioria dos registros) e não obstrutivo. O infarto obstrutivo se trata do acúmulo lento e gradual de placas de ateroma nas coronárias, formado por depósito de Lipídio (gordura), cálcio, fibrina, etc. O processo todo ocorre por um processo inflamatório e a partir destas placas que levarão à formação do trombo e a obstrução levando ao infarto agudo do miocárdio.


A média de internações por infarto aumentou significativamente nos últimos anos no Brasil. Quais fatores podem levar uma pessoa a enfartar?
Dr. Silvio Cleffi: Tivemos um aumento muito significativo. Por exemplo: nos homens, passamos de cerca de 5.200 infartos por mês para cerca de 13.600. Uma das principais causas é a idade. A obesidade também é parte importante do crescimento de inúmeras patologias e, como sabemos, nossa população tem ficado mais obesa, principalmente nesta última década. Com isto, há o amento no número de diabéticos, hipertensos e, como consequência, temos também o aumento do número de infartos no país. Sedentarismo, tabagismo e o estresse da sociedade contemporânea têm, seguramente, contribuído para o aumento do número de casos.


Quais os principais sintomas do infarto?
Dr. Silvio Cleffi: A principal manifestação é a dor torácica, que pode variar muito em localização e intensidade de uma pessoa para outra. Ela pode ser de forte intensidade em algumas pessoas e ser pouco intensa ou nem perceptível em outras pessoas, como idosos e diabéticos, por exemplo, que podem ter o conhecido infarto silencioso. Outras características como sudorese e dispneia (falta de ar) também podem ocorrer.


Quando é preciso procurar ajuda de um especialista?
Dr. Silvio Cleffi: A melhor forma de se evitar um infarto é a prevenção, que deve ser feita por todas as pessoas durante toda a vida. A avaliação pelo especialista dee ser feita em qualquer momento. Entretanto, paciente que possuem maiores risco devem procurar mais precocemente. São eles: pessoas que possuem familiares de primeiro grau com infarto entre 45 e 50 anos de idade, diabéticos, obesos, tabagistas e hipertensos.


O infarto pode ter causa hereditária?
Dr. Silvio Cleffi: Sim, principalmente para os que possuem familiares de primeiro grau que já enfartaram, como pais, tios e irmãos. Pessoas com menos de 50 anos possuem maior tendência a desenvolverem o Infarto do Miocárdio.


Os atendimentos no seu consultório também aumentaram nos últimos anos por este fator?
Dr. Silvio Cleffi: Sim. Atuo na área há 28 anos e posso afirmar que nos últimos 15 anos esses atendimentos têm sido mais frequentes devido ao aumento no consumo de fast foods, o estresse e o sedentarismo. Na pandemia se agravou ainda mais, em virtude dos problemas sociais causados pelo confinamento.


Existem casos de infarto irreversíveis?
Dr. Silvio Cleffi: Todo infarto, em tese, se atendido em tempo, pode ser revertido. Mas, na prática, não é o que acontece. Em países desenvolvidos, onde o atendimento acontece em 5 ou 10 minutos, salvam-se muitas vidas. Mas, aqui no Brasil, embora haja um atendimento ágil, não é efetivo na grande maioria dos casos.


Quais as consequências para quem já teve um infarto?
Dr. Silvio Cleffi: A principal consequência para as pessoas com infartos de evolução prolongada e/ou de grande extensão é a limitação física aos exercícios, seja por dispneia (falta de ar) ou por dor toráxica limitante. Devemos lembrar também que isso ocorre com a menor parte dos infartos e que a grande maioria consegue ter uma capacidade física normal ou mais próximo à normalidade.

  

 

Edição 2119
 

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