Um e-mail está dando o que falar em Gaspar. Com o nome de ?Salvem o Alvorada?, e o remetente com o endereço ?clubealvoradaparaarte?, nele consta um texto em defesa de um melhor uso da Sociedade Cultural Recreativa Alvorada para fins culturais, com direito a abaixo assinado para aqueles que concordam com a ideia assinarem. O que ninguém sabe até agora é quem foi o emissor da mensagem. Dayro Bornhausen, diretor do Departamento de Cultura, foi um dos primeiros a receber e repassar o e-mail, por concordar com o que estava dito, e, surpreendentemente, é ele que está recebendo as respostas das pessoas, como se o levante fosse uma atividade da diretoria.
Dayro chegou ao trabalho nesta quinta-feira de manhã e tratou de encaminhar a mensagem a todos seus conhecidos, a fim de que eles também assinassem. Logo começou a receber respostas por algo que não havia iniciado. Até o meio-dia do mesmo dia, já haviam chegado mais de 100 nomes através de e-mails. ?É uma situação complicada, pois trata-se de uma sociedade, é provado, portanto não pertence à Prefeitura Municipal?, comenta Dayro. Ainda assim, pelo fato de ser uma causa que ele aprova e que vem a contribuir com a questão cultural do município, Dayro continuará a receber as assinaturas.
Ele cita que há cerca de um mês já corre em Gaspar um abaixo-assinado feitopelos grupos de terceira idade que frenquentam o local, que pede para que mais atividades culturais voltadas para este público sejam desenvolvidas no local. O Alvorada hoje é apenas um local de bailes, tanto para os idosos, quando os conhecidos ?flaschbacks?, etc. O que Dayro indaga é: até que ponto tais bailes são culturais?
O e-mail enviado dizia ter ?por finalidade levantar a importância histórica e cultural (...). Por muitos anos o espaço foi utilizado pela sociedade gasparense e da região para grandes eventos e sempre prestigiado por muitos cidadãos?. O abandono que o Alvorada sofre hoje é outro aspecto abordado na mensagem, que diz ainda que Gaspar é carente de espaços culturais, não tendo teatro, cinema, museu e galeria de arte, entre outras opções. O diretor da cultura concorda com o que foi dito e afirma que em um espaço como o do Alvorada, que conta com mais de um ambiente, seria possível realizar vários tipos de eventos culturais.
De acordo com informações passadas pelo diretor de Cultura, a lei de número 73 do ano de 1955, feita pelo prefeito da época, Júlio Schramm, o terreno que era da Prefeitura Municipal seria doado para que se criasse uma sociedade com fins culturais. A lei afirmava ainda que, caso a sociedade fosse dissolvida, ou o local não fosse usado para os fins descritos, a Prefeitura teria o direito de tomá-lo de volta. Mais uma vez fica a pergunta: até que ponto os eventos hoje realizados no Alvorada são culturais?
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