Justiça promove encontro para abordar a nova lei da adoção - Jornal Cruzeiro do Vale

Justiça promove encontro para abordar a nova lei da adoção

24/05/2010

 

img0027MD.jpgA adoção é um ato de amor e que dá à criança a chance de ser recebida em uma nova família. Este lar tem que estar devidamente preparado para receber o novo filho para que todos consigam fazer com que este se adapte a uma vida totalmente diferente da que costumava levar. Por isso, em função do Dia Nacional da Adoção, o Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Gaspar organzia nesta terça-feira, 25, uma reunião no Salão de Eventos do Hotel Raul?s com palestras e debate sobre o tema. Para esclarecer alguns pontos sobre a adoção, a juíza Ana Paula Amaro da Silveira falou com exclusividade ao Cruzeiro do Vale.

Cruzeiro do Vale: A nova Lei de Adoção tornou clara a necessidade de que irmãos devem ser mantidos sob a responsabilidade da mesma família. A senhora acredita que este fato possa restringir o número de adoções?
Ana Paula Amaro da Silveira: Acho que a necessidade sempre existiu. O que é importante quando se trabalha com adoção é lembrar que estamos procurando uma família para substituir aquela na qual a criança nasceu e que, infelizmente não poderá crescer. A criança já sofreu com esta perda e temos que minorar seu sofrimento. Assim, é importante que se preserve os vínculos entre os irmãos. O casal que adota precisa ter o discernimento e a maturidade de entender que essa criança tem uma história de vida que não será apagada. Quem ama respeita e cuida. A criança não vem para suprir a necessidade do adulto. O adulto é que precisa suprir a necessidade da criança.

 

CV: Este decreto aborda ainda a adoção por qualquer pessoa maior de idade e solteira, desde que 16 anos mais velha do que o adotado, porém não reconhece o mesmo direito para casais homossexuais, uma vez que a união estável dos mesmos não é reconhecida por lei. Neste caso, deve-se entrar com o pedido no nome de apenas um dos integrantes do casal. Se a adoção for concedida e no fim o casal acabar por se separar, que direitos são negados à criança, já que ela não está ligada legalmente a um de seus pais?
Ana Paula: A lei da adoção não fala sobre adoção de casais homossexuais. Não nega nem autoriza. O que costuma ocorrer é a pessoa que é homossexual pedir a adoção sozinho. Contudo, já existem casos de casais homossexuais pleiteando adoção. Vai depender da decisão de cada caso e de cada magistrado.

 

CV: A adoção é uma forma de crianças abandonadas poderem desenvolver-se de forma saudável, dentro de uma família. Qual é a importância de haver um dia nacional específico para ela?
Ana Paula: A partir do momento que se cria um dia nacional de adoção, dá-se a oportunidade de se melhor conhecer o assunto, ampliar o número de pessoas que tomem consciência e amparem a causa de forma responsável.

 

CV: A lei também prevê uma preparação que deve ser trabalhada com os futuros pais e o acompanhamento da família após o acolhimento da criança e do adolescente. No que isso vem a somar na estrutura da familiar que vai ser formada através da adoção?
Ana Paula: A preparação dos casais é extremamente importante para o sucesso da adoção. É importante que os casais que pretendem adotar analisem e questionem os motivos que o levaram a decidir pela adoção. Desmistificar o estereótipo da ?criança ideal? e transformá-lo em ?criança real?. Muitas pessoas buscam na adoção suprir suas carências pessoais, religiosas, emocionais e quando se deparam com o filho adotivo real a frustração vem e não sabem como lidar com a situação. Por conta disto ocorrem muitas ?devoluções? de crianças, como se elas fossem um produto que se devolve quando se percebe um ?defeito?. Pessoas não têm defeitos, têm características e conviver exige sempre muita dedicação, inclusive para aceitar que o filho, natural ou adotivo, não vai ser o que queremos que ele seja, mas é um indivíduo próprio, com um caminho próprio e que precisa ser amado e cuidado do jeito que ele é.

CV: Sobre o evento que será realizado pela Comarca de Gaspar, o que será ensinado aos futuros pais? Ele faz parte deste programa de preparação à habilitação dos casais?
Ana Paula: A nova lei exige que os casais participem de um curso que tem como propósito melhor prepará-los para a adoção. Este curso deve ser fornecido pelo poder judiciário e tem a duração de um ano, dividido em alguns módulos. No dia 25 de maio será a abertura com as informações básicas. Sem a realização do curso, o casal não estará habilitado para adoção.

CV: Na sua visão, qual a função da mídia na hora de realizar os esclarecimentos necessários à questão da adoção? Como a imprensa local pode ajudar em situações como esta, quando uma nova lei muda as regras para adoção?
Ana Paula: A imprensa é muito importante porque é o caminho pelo qual se pode divulgar a questão da adoção e atingir o maior número de pessoas. É importante trazer as informações de forma correta, esclarecer as dúvidas, derrubar mitos.
Existe muita fantasia em torno da adoção e a mídia pode fazer com que as pessoas sejam esclarecidas sobre este tema tão importante e ajudar a garantir que mais e mais crianças tenham a chance de ter um lar que as acolha de forma integral.

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.